APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O AMOR - Genária


O AMOR

O MEU AMOR É PROIBIDO
O QUANTO NÃO SEI DIZER
POIS O AMOR NÃO É UM BRINQUEDO
QUE QUALQUER PESSOA PODERIA TER

O AMOR É UM SENTIMENTO
QUE NÃO DEVE SE BRINCAR
O AMOR NASCE COM O TEMPO
NOS ENSINANDO A AMAR

O AMOR É UMA RAIZ
QUE BROTA NO CORAÇÃO
O AMOR É UM SENTIMENTO
QUE NÃO TEM EXPLICAÇÃO

O AMOR É UM TESOURO
DEVEMOS VALORIZAR
POIS ELE É MUITO VALIOSO
E NOS ENSINA A PERDOAR

O AMOR É FOGO QUE QUEIMA
QUEIMA SEM PARAR
O AMOR É UM INCÊNDIO
QUE NÃO TEM COMO APAGAR

ELE ENTRA NO CORAÇÃO
SEM PEDIR PERMISSÃO
NÃO TEM COMO EVITÁ-LO
PROVOCA LOGO A AÇÃO

ESSE AMOR QUE ME DEIXA TRISTE
ME FAZENDO CHORAR
ÀS VEZES NÃO CONSIGO ENTENDER
POR QUE CONTINUO A TE AMAR

MAS ESSE AMOR É MUITO FORTE
E NÃO É COMO A PAIXÃO
É UM AMOR IMENSO
QUE NÃO TEM EXPLICAÇÃO

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O QUERIDO PROFESSOR - Roseane Morais




O QUERIDO PROFESSOR
É UM AMIGO DE VERDADE
TODO DIA NOS AGUENTA
COM MUITA DIFICULDADE
MAS TODO O SEU ESFORÇO
É DE GRANDE QUALIDADE.

O QUERIDO PROFESSOR
NOS ENSINA TODO DIA
COM MUITA PACIÊNCIA
E COM MUITA ALEGRIA
ELE FAZ SEMPRE PARTE
DO NOSSO DIA-A-DIA.

O QUERIDO PROFESSOR
SEMPRE IRÁ NOS AJUDAR
TODO DIA NA ESCOLA
ELE VEM NOS ENSINAR
POR ISSO DO PROFESSOR
DEVEMOS SEMPRE LEMBRAR.

O QUERIDO PROFESSOR
NOS AJUDA A VENCER
TODOS OS OBSTÁCULOS
QUE A VIDA PODE TRAZER
E NOS MOSTRA O CAMINHO
QUE DEVEMOS PERCORRER.

O QUERIDO PROFESSOR
SEMPRE ESTÁ DO NOSSO LADO
AJUDANDO COM AQUILO
QUE PARECE COMPLICADO
E TUDO O QUE DIZ
SEMPRE TRAZ UM RESULTADO.

AGRADEÇO AO PROFESSOR
POR SEMPRE NOS AJUDAR
ELE É UM GRANDE AMIGO
NELE POSSO CONFIAR
POIS O PROFESSOR QUERIDO
TEM O MELHOR PRA NOS DAR


Roseane Morais, aluna do 9º ano na escola Cosme Ferreira Marques, é colega de Genária, outra que já postou poemas neste blog. Tenho o prazer de ensinar às duas e costumo dizer que se os alunos em geral tivessem o perfil delas, a escola seria um céu!

Lançamento e exibição de documentário

Assista o Documentário A Saga dos Limões, exibido no salão de eventos da Siciliano, no Midway.
cangaceirólogos, Gilberto, João Batista e Geraldo Barboza


Ontem, na livraria Siciliano (Natal-RN), foi lançado o livro "A Saga dos Limões - Negritude no enfrentamento ao cangaço de Jesuíno Brilhante.
O lançamento foi bem concorrido a ponto dos assentos não serem suficientes! Todavia, todos se mantiveram atentos e até o final do evento.

Imagens do evento:



Mais imagens do evento:


segunda-feira, 29 de agosto de 2011

VISITA À CASA DA AVÓ - Aldenir Dantas

VISITA À CASA DA AVÓ

Pelo terreiro vazio, assovio
uma canção amiga, antiga....
Antiga como o “eu”, que se perdeu
- conta deslocada de velho colar -.

Entrevistos meninos; franzinos
emersos de outros tempos.
Lufadas de vento no telhado
telha vã acinzentada
Vó sentada...

A voz do Brasil: o acalanto
A prima: o encanto
Joanas, Zefas, Marias... Tias.

Um menino chupa cana e me chama
- Não posso, estou assoviando
uma canção amiga, antiga...
Antiga como o “eu”, que se perdeu
no tosco alpendre da meninice.


Aldenir Dantas


Freud já não explica - Gilberto Cardoso dos Santos


a Alessandro Nóbrega

"O Freud já não explica"
Me explicava Alessandro
e eu que me sinto tão andro
acho que assim se complica
Édipo não justifica
com o álibi do complexo
as complicações do sexo
buscam guarida em Lacan
mas essa procura é vã
tudo acaba sem nexo.

domingo, 28 de agosto de 2011

O ADOLESCENTE GILBERTO - Dinamérico Soares do Nascimento (1958 – 2004)



Na calçada alta de sua humilde casinha na rua da Ladeira, ele sentou-se para ler as crônicas de Drummond, escritor que tirara da biblioteca do Mobral e que o conquistara ultimamente. Depois de fazer um meio juízo do trabalho drummondiano, levantou-se, e voltando-se para aquela paisagem periférica, seu olhar voou longe sobre a lagoa de Jovino Pereira. Martelando um poema na mente, ele a chamava de mar sagrado, pois era de suas águas poluídas que a população que tanto se identificava com ele, estava tirando o seu sustento para a sobrevivência, população de seu bairro, gente de semblante estampado de mágoas...
Ouviu a voz arquejante de sua vó mãe - meu neto, chegue, meu filho! ... O pão já está na mesa , vá comprar o café...
Talvez ela tenha trocado as bolas, mas a verdade é que faltavam os trocados para os exorbitantes 90.00 do café. Apanhou as últimas míseras economias recebidas de sua empregadora que nele empregou os seus planos ilícitos, não pagando segundo a CLT, seus direitos de auxiliar de limpeza do Banco do Brasil, e satisfez os pedidos da velhinha, se bem que para ele isso era também uma necessidade chamada jantar.
Depois de certo tempo, juntou o preço altíssimo do café ao preço de seu trabalho, tão baixo como o próprio cruzeiro e desabafou no papel que enrolara os pães. Ao escrever, ele se dava conta de que já era um poeta de verdade, muito embora a sua musa primeira tivesse sido a opressão...
A noite já enegrecia a ruazinha. Ele tentou dormir. No dia seguinte o Estopim publicou seu primeiro trabalho poético: Vovozinha, o que será de nós”.

Publicado em 2011 no livro Cultura Educação Espaço e Tempo

sábado, 27 de agosto de 2011

SOBRE "HOME" - Gilberto Cardoso dos Santos


1
Conheci há algum tempo
um grande documentário
intitulado de HOME
algo extraordinário
que de um modo perfeito
mostra o que temos feito
ao sistema planetário.
2
Dura mais de uma hora
mas vale a pena assistir
mostra imagens do planeta
que nos fazem concluir
que se o homem não mudar
iremos nos acabar
e o planeta irá ruir.
3
HOME é palavra inglesa
que significa lar
Se o mundo é nossa casa
dele é preciso cuidar
e parar de destruir
pois se o planeta ruir
onde iremos morar?
4
Com imagens de satélites
HOME mostra a Terra inteira
no seu estado caótico
do deserto à ribanceira
os incêndios florestais
a extinção de animais
e a espantosa sujeira
5
Home expõe aos nosso olhos
cenas impressionantes
mostra o mar varrendo costas
com suas ondas gigantes
furioso derrubando
destruindo e expulsando
os humanos habitantes
6
todos devem assistir
tão belo documentário
e deixá-lo ecoar
dentro do imaginário
é hora de dar um basta
na destruição nefasta
buscar o rumo contrário.
7
Muita gente já chorou
enquanto estava assistindo
a miséria que restou
num mundo que foi tão lindo
é essa a missão de HOME
mostrar a dor e a fome
que ao mundo está destruindo
8
Maior apelo não há
em favor da Ecologia
mostra o rumo a tomar
nas ações do dia a dia
é tão sensacional
que a imprensa mundial
propagá-lo deveria.

COLUNA DE MARCELO PINHEIRO


O HOMEM É INTELIGENTE?

- Olá, Starman, como vai?

- Ótimo, e você, Apolo, tem viajado muito?

- Sim, acabei de chegar de uma bela viagem. Aqui na Constelação
de Órion, você sabe, as coisas andam muito tranquilas e tenho
aproveitado para intensificar minhas pesquisas sobre a vida
inteligente por este vasto Universo Acabei de adquirir uma nave
muito poderosa e viajar pelas distâncias intergalácticas está cada vez
mais rápido.

- Por onde você andou desta vez?

- Há algum tempo ouvi falar de um planeta chamado terra,
supostamente habitado por seres inteligentes, situado numa galáxia
chamada por eles via láctea. É um aglomerado espiralado de estrelas
e planetas próximo de nós. Pelo mapa estelar seria ele o terceiro
mundo, partindo-se da estrela, por eles, chamada sol. Foi para lá que
eu fui.

- Quando você chegou lá e como é este planeta?

- Numa manhã de céu claro peguei minha nave, convidei alguns
amigos e fomos lá, visitar os tais seres inteligentes. Viajando à
velocidade da luz passaríamos 100,000 anos para chegar à terra,
mas entrando pelos túneis, criados pela força da gravidade, em
alguns poucos segundos estávamos lá. É um belo planeta telúrico
impermeado por água em estado líquido. Possui uma linda atmosfera
que dá ao céu um brilho azul magnífico. Nuvens alvas enfeitam os
céus. A vida ali é muito próspera. Plantas de todos os tamanhos,
formas e cores (a visita se deu no outono do hemisfério norte)
crescem em abundância. Há ainda uma multiplicidade de animais
incrível: anfíbios, repteis, aves e mamíferos povoam a superfície da
terra numa explosão de vida inimaginável.

- Nossa, deve ser um lugar maravilhoso para se morar.

- Realmente... Mas uma ameaça cresce a cada dia por lá. O cérebro
de uma espécie da ordem dos primatas evoluiu fazendo-a criativa e
autoconsciente.

- Isso é muito perigoso. É um estágio delicado da evolução. O animal,
paradoxal e frequentemente trabalha criando engenhos que o levam

à própria destruição.

- Isso mesmo. Presenciei uma cena lá que sintetiza o que estamos
falando: dois deles lançaram suas naves sobre duas grandes torres
habitadas, matando a si próprios e destruindo outros milhares de
irmãos.

- Ah, eles ainda estão num estado primitivo de inteligência.

Marcelo Pinheiro.


CONVERSA ENTRE O FUMO E O ÁLCOOL - Marcelo Pinheiro



CONVERSA ENTRE O FUMO E O ÁLCOOL

O álcool e o cigarro sempre foram bons amigos. Sempre conversavam pelos palácios, praças, bares, cabarés... Numa noite de lua cheia, na Praça da Ilusão tiveram a seguinte conversa:

FUMO: Boa noite, senhor álcool, como vai?

ÁLCOOL: Bem, obrigado! E você?

FUMO: Excelente! Como estão os índices de mortandade disseminados por Vossa Excelência?

ÁLCOOL: Que é isso, rapaz? Nunca matei ninguém! Você, sim, vive matando gente. Faz-se de santo, mas é um dos piores assassinos com quem já cruzei. Outro dia, li num jornal coisas sobre você que me deixaram horrorizado. Apesar de se apresentar assim, sempre bem vestido, e de investir pesado em companhas publicitárias com o intuito de escamotear a verdade sobre si, carrega consigo mais de 4.700 substâncias tóxicas, sendo 43 delas cancerígenas. E aí, o que me diz sobre isso?

FUMO: Alto lá, camarada! Nunca obriguei ninguém a me consumir. Por onde passo, digo quem eu sou. Vai me dizer que nunca viu minhas advertências?! Agora você é covarde! Frequenta as melhores festas. Veste-se de belas garrafas multicoloridas, se perfuma todo, adota belos e diferentes nomes em cada país por onde passa. Na França, chama-se vinho; na Alemanha, cerveja; na Escócia, Whisky; na Rússia, Vodca; no México, Tequila; no Brasil, cachaça etc. Se não tem nada a esconder, por que muda tanto de nome? Eu te conheço, rapaz!

ÁLCOOL: Nunca enganei a ninguém, amigo! Eu sou a vítima. As pessoas abusam de mim e depois reclamam: “a culpa é álcool!”. Que nada. Se me respeitassem... Mas..., covarde é você! Usa a nicotina para dar um pouco prazer e em troca rouba a liberdade das pessoas, tornando-as dependentes. Só depois de algum tempo é que mostra suas verdadeiras intenções.

FUMO: Veja só quem fala! Você excita as pessoas, dando-lhes uma sensação de bem-estar, de euforia, de felicidade..., mas nem precisa esperar muito e já as humilha, fazendo-as perder a decência e a compostura. E o que é mais ignóbil: elas ainda se sentem o máximo sendo humilhadas! Parece se divertir com isso, não?!

ÁLCOOL: Tudo bem, admito que dou boas gargalhadas em troca do que ofereço. Todavia, no dia seguinte não perturbo mais ninguém. Você, ao contrário, é mais discreto, porém mortal. Mata aos poucos, lentamente, como se estivesse tragando as pobres vítimas.

FUMO: Perto do que você faz isso se chama bondade. Ao menos garanto alguns anos de vida aos meus seguidores. Nunca embriaguei jovens para em seguida mata-los no trânsito; nunca tirei a razão de pobres trabalhadores, tornando-os homicidas sem saberem o motivo; nunca fiz pessoas saudáveis se tornarem dependentes e improdutivas; nunca transformei homem em mendigo..., respeito a dignidade das pessoas.

ÁLCOOL: Mas subtrair a liberdade das pessoas não é tirar-lhes antes a dignidade? Ademais, oshospitais estão cheios de doentes que lhe culpam por isso. Você é o responsável por 30% das mortes por câncer, 90% nos casos de câncer de pulmão. Isso diz tudo sobre você.

Os dois ficaram em longo e profundo silêncio, talvez envergonhados...

Autor: Marcelo Pinheiro

COM QUE MORAL? - Marcelo Pinheiro


COM QUE MORAL?



Outro dia comecei, por curiosidade, a anotar e enumerar os grandes absurdos que ocorrem em algumas instituições públicas do Brasil. Só consegui catalogar um. Não que não existissem mais, mas porque logo percebi quão desgastante e infrutífero seria derramar o suor do meu rosto. Ademais, não teria tempo, nem espaço para guardar tanta informação, pois o HD do meu notebook só armazena até 160G.


O primeiro grande absurdo - capaz de me desestimular logo de cara a continuar enumerando - foi o seguinte: quem julga os políticos corruptos, em 2ª e 3ª instâncias, são os juízes nomeados por eles próprios.


Funciona assim: a governadora R. nomeia Fulano como desembargador do TJ, o qual poderá integrar também o TRE. Se o prefeito que ajudou a eleger a governadora R. fizer qualquer besteira, será julgado pelo desembargador Fulano.


Que isenção moral teria um ministro indicado por Lula ou Dilma ao STJ para julgar um governador do PT?


Com que moral, ou qualquer outra coisa, o desembargador Fulano julgaria o prefeito/apadrinhado da governadora que o nomeou?


Ora, se tem um sentimento que essa gente não despreza é a gratidão!


LAMENTO E VINGANÇA DA NATUREZA - Marcelo


LAMENTO E VINGANÇA DA NATUREZA.

Estou hoje com aproximadamente 4,5 bilhões de anos e sei que de acordo com os parâmetros da astronomia sou uma jovem de meia idade, mas confesso: nos últimos anos estou me sentindo extremamente fatigada. É como se os meus dias estivessem chegando ao fim.

Vou contar as razões do meu presságio e do meu desgosto.

Não é tão fácil fazer o que eu fiz. Trabalhei duro por milhões de anos esculpindo este planeta e fiz dele o melhor que pude. É certo que as condições ao meu redor me foram favoráveis: pressão de um ATM, temperatura média em torno de 15°C, gravidade de aproximadamente 9,8 m/s² etc. Aproveitei bem essas condições e criei os mares e oceanos; separei os continentes; plantei magníficas florestas, com plantas de todos os tamanhos e formas; ornamentei muitas delas com flores e noutras pus saborosos frutos. Criei animais, grandes e pequenos; milhares e milhares de espécies.

Mas o meu impulso criativo chamado evolução me traiu. É que gosto de ver as coisas evoluindo, contrariando a tendência universal da matéria bruta inanimada. Adoro ver as moléculas se organizando, formando vida e de ver a vida se transmutando. Quando fiz tudo isso aqui, permiti que a evolução invadisse e preenchesse toda a vida na terra. Isso foi bom, mas gerou um efeito colateral que me ameaça: o homem.

Precisei de milhões de anos para deixar as coisas organizadas e agora o homem resolveu acabar com tudo: devastou as florestas; poluiu os ares, a terra e os mares; levou milhares de espécies à extinção; rasgou a preciosa camada de ozônio que me protege..., enfim, ele se apossou de mim como se fosse sua.

...é profundamente revoltante.

Mas vou me vingar! Com os ares poluídos com que me presentearam, criarei o efeito estufa e derreterei as geleiras dos polos. Lançarei sobre as cabeças de seus filhos terríveis chuvas ácidas; soprarei furacões e varrerei as cidades com maremotos. Pelo buraco que abriram na camada de ozônio, enviarei cancerígenos raios ultravioletas sobre suas peles. Pelas florestas devastadas, criarei desertos inóspitos. Com os inseticidas e herbicidas envenenarei as plantações, os rios e os mares. A semente já não produzirá mais seu fruto. Na velocidade com que me agredirem, criarei vírus imortais para os dizimarem. Da volúpia inconsequente dos seus atos, criarei sua própria ruína.

Autor: Marcelo Pinheiro


FILOSOFIA DA JUSTIÇA. - Marcelo



FILOSOFIA DA JUSTIÇA.

Aquela era mais uma manhã de sol, cujos primeiros raios dissipavam mansamente a bruma matinal. A abelha bateu suas asas e seguiu seu misterioso instinto em busca do saboroso néctar. As flores, sensíveis por natureza, começavam a se abrir aos leves toques da luz solar.

Seria apenas mais um voo se não fosse aquela teia intransponível. A aranha trabalhara astutamente durante a noite e ao amanhecer a armadilha estava pronta.

A abelha ainda tentava se desvencilhar inutilmente, quando percebeu aquele bicho horrendo a se aproximar. De perto, achou a aranha ainda mais feia: oito patas enormes, oito olhos...

À abelha só restava uma tentativa de saída: o argumento.

“Senhora aranha, por que faz isto comigo? Deveria fazer como eu e se alimentar do néctar das flores; ou como o gafanhoto, de folhas frescas.”

A aranha, que nunca havia parado para pensar porque precisava matar outros bichos para viver, respondeu tentando simplificar a discussão: “Eu não gosto de flores, nem de folhas.”

“Dona aranha, mas isso é injusto. Você tem oito patas longas e fortes, sabe construir uma teia resistente e pegajosa e ainda carrega consigo um veneno mortal. Eu, ao contrário, sou pequena e indefesa diante de suas habilidades e dotes descomunais.”

A aranha parou, pensou, pensou, pensou e se defendeu:

“Acho que você tem razão. É muito injusto eu precisar te matar para garantir minha vida. Outro dia matei e comi um pobre grilo que andava por aqui cantando e alegrando a floresta. Senti-me mal, confesso, ele não fizera nada contra mim.”

Com um pouco de esperança, a abelha arrematou:

“Pois bem, tampouco eu te fiz mal algum.”

Já quase sem argumento, mas com o estômago vazio, a aranha desabafou:

“Eu não escolhi precisar da sua vida para viver, já nasci assim. Até tenho piedade de você, mas não tenho escolha, vou precisar te matar para garantir a minha sobrevivência. Ademais, já vi pobres aranhas serem devoradas por pássaros insensíveis. A injustiça parece ser a lei da vida.”

“Antes de te matar, porém, quero te fazer uma pergunta: quem te enganou dizendo que a vida é justa?”

Sem esperar a resposta, a aranha injetou seu veneno mortal na abelha. Sua vida estava, por um momento, garantida.


Marcelo Pinheiro


À BELA FRANÇA. - Marcelo Pinheiro




À BELA FRANÇA.


Hoje quis eu comigo

A França homenagear

Saudando velhos amigos

Que fiz quando andei por lá


Desde o período neolítico

O homem que ali morou

Criou seu passado mítico

Quando nas cavernas pintou.


Os celtas e os gauleses

Que por ali chegaram

Tornaram-se camponeses

Na França se fixaram.


Trouxeram a metalurgia

E na terra por bois arada

Plantaram trigo, cevada e vinha

A culinária francesa era ali iniciada.


Ali viveram os merovíngios

Muitos anos se passaram

Vindo depois os carolíngios

Aquelas terras governaram.


Terra de muita história

Lutas e revoluções

Enriquece sua memória

Influenciando gerações.


A revolução francesa

Lutou por igualdade

Ainda hoje mantém acesa

A chama da liberdade.


Cidades belas, museus, arte,

Castelos, palácios, catedrais...,

Exalando cultura por toda parte,

A França tem muito mais.


Encantando quem passa por ela

À fantasia conduz

Entre todas, a mais bela

Paris, a cidade luz.


Para rever os amigos

Espero um dia lá voltar

E aos encantos antigos

Da França me entregar.


Marcelo Pinheiro.

A FOME E A HIPOCRISIA. - Marcelo












A FOME E A HIPOCRISIA.

Abasi nasceu numa aldeia da Etiópia, no nordeste da África. Antes de aprender o nome da sua mãe, já soletrava a palavra FOME. Seus pais morreram de velhice antes dos trinta. Seus outros três irmãos não chegaram a caminhar com as próprias pernas, suas poucas carnes foram tragadas pelo próprio organismo em desespero.

Ao caminhar pela aldeia, ele costuma ser seguido por abutres famintos, que pareciam conhecer as probabilidades do seu destino.

Aquele era mais um dia sem trabalho, sem comida, sem esperança... O sol do meio-dia castigava sem piedade as áridas savanas africanas. Em sua casinha de palha, num dos devaneios causados pela desnutrição crônica, Abasi teve a visão de uma senhora esquelética, coberta por um manto negro, montada num enorme cavalo preto. Ao seu lado, seguia um cavalo amarelo e aquela que nele se montava escondia o rosto sob um manto cor de enxofre. Ambas vinham em sua direção, como lobos ao se aproximarem da presa. Sem forças para fugir, Abasi apenas lhes perguntou:

- Quem são vocês, de onde vêm, para onde vão?

De forma arrogante, a visão do cavalo preto respondeu-lhe com uma voz rouca e fria:

- Eu sou a FOME e esta é a MORTE. Vimos da Ásia, acabamos de fazer um grande trabalho na Mongólia, em Bangladeche e no Camboja, estamos passando aqui na Etiópia e depois seguiremos nossa velha trilha pela Somália, Tanzânia, Quênia, etc.

Tremendo de medo e quase sem voz, Abasi retrucou:

- Então são a FOME e a MORTE?! Já ouvi falar muito de vocês por aqui. Quase sempre que morre alguém por essas bandas, dizem: “morreu de fome”. Outro dia escutei alguém falando que 1 CRIANÇA MORRE A CADA 7 SEGUNDOS DE FOME NO MUNDO”. Como vocês conseguem ser tão eficientes e ignoradas ao mesmo tempo?

- A explicação é simples: o homem é egoísta e hipócrita. Os Estados Unidos já gastaram 1 TRILHÃO e 400 BILHÕES DE DÓLARES na “guerra contra o terror”. Eu sou muito pior que a Al-Qaeda: antes do café da manhã de todos os dias eu faço mais vítimas que o terrorismo fez em 9 anos. As nações ricas não se incomodam comigo, tampouco eu as incomodo, sou discreta, faço meu trabalho sorrateiramente. Pense bem, em todo o mundo há pouco mais de 800 milhões de pessoas desnutridas. Com a quantia de 1,4 TRILHÃO, gasta contra “o terror”, os EUA, sozinho, teriam acabado comigo.

- Mas por que você escolheu a África?

- Não escolho, apenas sou oportunista. Tudo aqui me é favorável: monoculturas, desmatamentos, conflitos tribais, neo-colonialismo, dívida-externa, desigualdades-sociais, descaso internacional..., isso aqui é terra de ninguém, ou melhor, essa é a nossa terra.

Enquanto a FOME entretia Abasi, fazendo-o entender as verdadeiras razões de continuar viva, dissimuladamente a MORTE se encarregou de tirar-lhe o fôlego da vida. Ele estava sabendo demais.


Marcelo Pinheiro

O LENHADOR, O GATO E O TÉDIO - Marcelo Pinheiro

Severino era um velho lenhador que costumava ir à floresta todos os dias,
antes do raiar do sol. Trabalhava duro para sustentar sua família de cinco
filhos pequenos e Sossego, um gato que passava o dia deitado e comendo
carne fresca.

Já era tardinha quando Severino chegou de volta a casa onde morava
depois de mais um dia extenuante de trabalho. Olhando para o gato que
dormia preguiçosamente debaixo de um tamborete lhe veio à vontade
desabafar:

- Vida boa..., são cinco e meia da tarde e você aí, dormindo com a barriga
cheia de carne. Não precisa cortar lenha para sustentar os filhos. Isso é
que é vida.

O gato abriu os olhos ainda com preguiça e falou:

- Que nada! O ócio tem seu alto preço. Ele nos torna íntimos do tédio,
disso eu posso te falar com propriedade, e não há nada pior do que pensar
que a vida não tem sentido algum. Seu trabalho ao menos lhe dá a ilusão
de que, apesar de fatigante, é compensador. A madeira que você derruba
vai virar casas, móveis, instrumentos musicais... E eu, para que existo?

Sem dizer uma palavra, o lenhador saiu já esperando o dia amanhecer
para ir novamente trabalhar. Não queria ter tempo para sentir que sua
vida não tinha sentido algum.

Marcelo Pinheiro.