APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Museu Rural + Casa da Cultura (por Débora Raquiel)






Casa de Cultura Palácio do Inharé firma parceria com o Museu
Rural Auta Pinheiro Bezerra



Sexta-Feira, dia 16 de Setembro, as Agentes Culturais Débora Raquiel e Carla
Maia estiveram no Núcleo Museológico particular da Professora Cleudia Bezerra
Pacheco, a fim de discutirem atividades que integrem as duas entidades e
contribuam para o fortalecimento de nossa cultura.

No encontro sentiu-se a necessidade de um fazer museológico que não priorize o
objeto, mas o homem em um novo modelo de sociedade, onde efetivamente seja
possível a prática da cidadania, uma vez que a instituição museu não tem como fim
último, apenas o armazenamento e a conservação, mas, sobretudo, o entendimento
e o uso do acervo preservado pela sociedade, para que através da memória
preservada, seja entendida e modificada a realidade do presente.

Foram traçadas atividades integradas entre o Museu e a Casa de Cultura, assim
como as primeiras ações para a campanha de sensibilização nas escolas para as
novas doações que comporão o novo acervo.

A meta agora, segundo Cleudia Bezerra Pacheco, é a construção do Museu da
Cidade, inspirada no modelo dos acervos de Buenos Aires, Alemanha, Espanha e
França onde esteve em visitação.

A idéia não é somente a de preservar a memória das tantas famílias Santacruzenses
que merecem lugar de destaque em nossa história, mas, a de fortalecer os laços e o
sentimento de pertencimento ao que é nosso.

A Campanha para doação de peças já começou e também conta com o apoio da
APOESC, ASPE e da ASSOCIAÇÃO AMIGOS DA CASA DE CULTURA.

Deixe sua doação na Casa de Cultura Popular Palácio do Inharé e contribua com o
fortalecimento de nossa Cultura!



p.s:
DIA 11 DE OUTUBRO, VÉSPERA DO DIA DAS CRIANÇAS, HAVERÁ UM LUAU NO MUSEU. SE VOCÊ É POETA, CANTOR OU AMANTE DA CULTURA, COMPAREÇA!
SAIRÁ UM ÔNIBUS À NOITINHA, DA CASA DA CULTURA. O EVENTO CONTARÁ COM A PARTICIPAÇÃO DA APOESC E DE OUTROS ARTISTAS LOCAIS.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

RASTRO DE VIDA - Nailson Costa


 
Simples como a tua mente
Caminhaste pela vida simplesmente.
Deixaste incompletamente teu rastro de água.

Água rigorosa,
Água urgente/mente.
Teu rastro de água rigorosamente.

Mas... que água injusta,
Que suja, que mente,
Que apaga um rastro assim injustamente!

Muito nos resta, porém, de ti
Em nossa mente, além da saudade eterna:
A bondade do teu rastro, de tua vida eternamente.

(Nailson Costa, 21.02. 1998. Homenagem a Suedson)


terça-feira, 27 de setembro de 2011

ENTREVISTA COM BIÓGRAFO DE ROBERTO CARLOS

     

Paulo César de Araújo, fã de Roberto Carlos há décadas, pesquisou durante 15 anos sobre sua vida e escreveu um livro realmente cheio de detalhes, como sugere o título. Roberto Carlos não gostou do feito, moveu uma ação contra o autor  e proibiu que os 11 mil exemplares fossem vendidos. Que motivos teria o rei para fazer isso? Saiba mais detalhes dessa interessante história ainda inconclusa através desta entrevista.


1- GILBERTO:      Começo essa entrevista, Paulo, perguntando-lhe sobre sua origem, formação, trabalho, defeitos, virtudes e interesses.

PAULO CÉSAR: Sou baiano de Vitória da Conquista, mas moro há mais de vinte anos em Niterói. Eu me formei em história na Universidade Federal Fluminense e em jornalismo na PUC-Rio. Sou estudioso da história da música popular brasileira, mas me interesso também por outras histórias, especialmente as do futebol e do cinema. Sobre qualidades e defeitos, prefiro ouvir a opinião dos outros.

2-  GILBERTO:    Quais suas reais intenções ao escrever um livro sobre a vida de Roberto Carlos?

PAULO CÉSAR:  “Roberto Carlos em detalhes” é resultado de 15 anos de pesquisa e nasceu a partir de duas principais motivações: uma afetiva e outra intelectual. Eu cresci ouvindo canções de Roberto Carlos. Ele foi o meu primeiro ídolo na infância. Mais tarde, quando me interessei pelo estudo da história do Brasil e, particularmente, pelo estudo da história da MPB, constatei uma grande lacuna na historiografia: não havia nenhuma obra que analisasse em profundidade o fenômeno Roberto Carlos: de onde ele veio, por quem foi influenciado, a quem influenciou, como construiu sua carreira, qual a sua repercussão, por que ele é chamado rei? O livro nasceu a partir dessas motivações. E fui à luta, realizando um trabalho de pesquisa histórica, entrevistando músicos, radialistas, produtores, vasculhando jornais, revistas, discos e outros documentos. Mais que uma biografia, escrevi uma história da moderna música brasileira, tendo Roberto Carlos como fio condutor. Além de passagens da vida pessoal do artista, analisei a era do rádio, a bossa nova, o tropicalismo, a jovem guarda, os festivais da canção, a ditadura militar...

3-   GILBERTO:   Qual sua reação ao saber que seu livro fora rejeitado pelo biografado? Exatamente por qual motivo ele, ou pessoas ligadas a ele, tiveram tal atitude? Acha que ele foi influenciado nessa decisão?

PAULO CÉSAR: A reação dele me deixou muito mal, triste, especialmente porque ele nem leu o livro – conforme afirmou o seu advogado Marco Antônio Campos. É como se alguém condenasse um disco de Roberto Carlos e depois dissesse que não ouviu o disco. Sobre a insatisfação do cantor, transcrevo abaixo declaração dele próprio, quando se manifestou publicamente pela primeira vez contra a biografia, durante uma entrevista coletiva: “Para mim é muito estranho que alguém lance mão desse patrimônio que é a minha história. A minha história é um patrimônio meu! Eu acho que eu tenho que escrever esse livro e contar, quando eu quiser, essa história porque ninguém vai contar a minha história melhor que eu e de forma verdadeira. Então eu acho que é um absurdo quando alguém lança mão do meu patrimônio em seu benefício, principalmente num produto para tirar proveito comercial. Porque, sem dúvida alguma, o livro é um produto comercial. Então eu não concordo com isso, estou realmente muito aborrecido com isso e muito triste com isso. Meus advogados estão estudando o caso e com certeza a gente vai cuidar disso dentro da forma da lei”. 

4-  GILBERTO:    Parece-lhe justo que alguém de vida pública tão aberta quanto Roberto Carlos tenha o apoio da lei para impedir que se escreva algo a seu respeito, algo que, necessariamente, não denigre a sua imagem?

PAULO CÉSAR: O problema não é tanto da lei. A rigor, se as leis fossem devidamente interpretadas pelos magistrados, ou seja, com ponderação, bom senso, um livro como este não seria jamais proibido. Concordo sim que o grau de proteção conferido à imagem e intimidade de pessoas que pautam suas vidas pelo anonimato não pode ser o mesmo que os das celebridades, pois estas voluntariamente se submetem à exposição pública. Faz parte do trabalho de artistas, esportistas e políticos a ampla exposição de suas imagens e, quanto mais expostos, mais sucesso obtém. É absurdo uma figura pública querer que só seja publicado a seu respeito o que ele deseja, pois o bônus de ser famoso traz o ônus de suportar que se exponham fatos que ele não gostaria de mostrar. É o preço da fama. Quem não concordar com esse preço que fique longe dos holofotes, não queira ser famoso, admirado, adorado pelo público.

5- GILBERTO:   Você se disporia a modificar sua obra para conformá-la com os gostos do biografado, já que se trata de um trabalho feito por um apologista?


PAULO CÉSAR: Durante a audiência no fórum criminal fiquei frente a frente com Roberto Carlos e tentei uma solução alternativa. Afinal, aquela era uma audiência de conciliação. Propus então fazer uma revisão do livro, tirando alguns trechos que ele reclamava no processo. Eu sabia que isto representava menos de 1% do conteúdo da obra. Propus também ceder os direitos autorais, não queria receber mais nenhum um centavo pelo livro, mas que a obra continuasse circulando livremente. Porém, Roberto Carlos não aceitou. Ele quis proibir todos os capítulos, todas as páginas, todas as frases, tudo.


6-  GILBERTO:     Lamenta você pelo tempo que gastou escrevendo a biografia de Roberto? Que prejuízos você teve? A editora já havia feito a impressão? Se sim, o que foi feito com os volumes?  Qual foi, exatamente, a decisão da justiça?

PAULO CÉSAR: Não lamento nada do que fiz, pois fiz o que era necessário: uma biografia do grande ídolo Roberto Carlos. Mas também não me sinto derrotado. A biografia foi escrita, publicada, reconhecida pela crítica e pelos fãs, se tornou um best-seller. Claro que lamento o que aconteceu. Lamento por mim e pelo próprio Roberto Carlos. Ele não precisava ter este capítulo na sua história de vida. A justiça determinou a proibição do livro e que a editora também entregasse ao cantor os exemplares que tinha em estoque. Um caminhão de Roberto Carlos foi então à editora e apreendeu 11 mil exemplares do livro, que foram levados para um depósito em Santo André. Não sei o que ele fez com tantas cópias. É um volume imenso de livros, são caixas e mais caixas. Os livros continuam lá?  Foram destruídos?Até agora não fui informado de nada, pois não se falou mais disso.  


7-   GILBERTO:   Nesse aspecto, que mudanças você proporia à legislação brasileira para evitar que fatos dessa natureza venham a se repetir?

PAULO CÉSAR: Tramita no Congresso Nacional um projeto de lei de autoria do ex-ministro Antônio Palocci. É a chamada Lei das Biografias (Projeto de Lei 3378/08), que torna livre a divulgação de fatos e imagens de pessoas famosas ou de notoriedade pública. Este projeto foireapresentado recentemente pela deputada Manuela D'Ávila (PC do B-RS) e deve ser aprovado até o próximo ano. Considero este projeto digno do apoio de todas as pessoas que amam a leitura e não toleram mais ver livros proibidos e apreendidos no nosso país. Porque se valer para os outros o que valeu para Roberto Carlos, ninguém mais poderá contar a história do Brasil sem a expressa autorização de cada personagem.


8-   GILBERTO:   Você prossegue sendo fã e ouvinte das músicas de Roberto?

PAULO CÉSAR: Veja bem: sou historiador, pesquisador  da música brasileira, e Roberto Carlos é um dos meus objetos de estudo. Não posso brigar nem ter mágoa do meu objeto de estudo. Ele é quem brigou comigo, quem me processou  – e isto é problema dele. Não acho que a música "Detalhes" ficou feia porque Roberto Carlos me levou à Justiça.  Lamento o que aconteceu, mas continuo ouvindo, pesquisando, analisando a obra de Roberto Carlos. Eu sou biógrafo dele, quer ele queira ou não. O meu arquivo RC continua funcionando  e quando meu livro for relançado, chegará com informações atualizadas. Roberto Carlos não sabe, mas eu também sou terrível.


9-  GILBERTO:     Atribui você a rejeição de seu livro a mais uma das excentricidades do rei, a algum distúrbio psicológico?




PAULO CÉSAR: Mais do que motivado por excentricidades, acho que este episódio reflete limitações e contradições do ser humano Roberto Carlos – e nós todos temos limitações e contradições. Por exemplo: no caso de Roberto Carlos o fato dele não ter o hábito de ler. Lamentavelmente, como grande parte da população brasileira, ele não adquiriu o hábito de leitura, nem de jornais. Roberto Carlos vê o mundo pela televisão, assistindo novelas, Big Brother, Fantástico... Enfim, nesse sentido ele é um típico cidadão brasileiro. Não tendo esse hábito, ele acredita que é possível existir apenas uma biografia sobre cada personagem da história, que seria a biografia autorizada pelo próprio personagem. Ele acredita que deve existir somente uma biografia sobre Lula, somente uma biografia sobre D. Pedro I ou D. Pedro II, somente uma sobre Roberto Carlos. Só uma pessoa sem intimidade com livros para acreditar nisso. Mas como eu disse, são limitações do ser humano Roberto Carlos. E contradições também, pois no clássico “Todos estão surdos” ele disse: “Não importam os motivos da guerra, a paz é mais importante que eles’. Pois Roberto Carlos não quis paz nem acordo comigo: ele quis a guerra.

10- GILBERTO:  Que outras obras já escreveu e quais pretende escrever ainda?

PAULO CÉSAR: Sou também autor do livro “Eu não sou cachorro não – música popular cafona e ditadura militar”, publicado em 2002 pela Editora Record. É um estudo sobre a chamada música brega. Ali revelo que cantores populares como Waldick Soriano e Odair José também foram censurados pela ditadura militar. Pretendo escrever outros livros sobre o tema, porque sou historiador, pesquisador, me dedico a isto. Portanto, vou fazer outras biografias ou ensaios biográficos semelhantes aos que já fiz. E espero que os outros historiadores, biógrafos e pesquisadores também não desanimem por causa de percalços jurídicos. A história do Brasil não pode ser refém do atraso. As trevas não devem prevalecer sobre a luz.

11- GILBERTO:  Desde que o fato ocorreu, qual tem sido a reação de fãs de Roberto que o conhecem? Em que mudou sua vida depois disso?

PAULO CÉSAR: Todos os fãs que conheço estão solidários à minha luta contra esta proibição e criticam a atitude de Roberto Carlos. Mas sei que existem fãs que apóiam a decisão de cantor, especialmente aquelas pessoas que não leram a biografia e nem tem o hábito de leitura. Pensam como Roberto Carlos: biografia só a autorizada. Não sabem que há mais de 300 livros sobre Bob Dylan, mais de mil livros sobre Elvis Presley e muito mais sobre Beatles. E nenhum desses livros foi proibido por não ser autorizado.
  
12- GILBERTO: Move você, atualmente, alguma ação contra Roberto, ou entregou-se à conformidade?

PAULO CÉSAR: Não há conformidade nenhuma. Minha advogada continua brigando na Justiça para trazer meu livro de volta. E isto ficará mais fácil quando for aprovada a Lei das Biografias. Sei que esta lei não terá efeito retroativo, mas vamos tentar adequar o caso do meu livro à nova realidade jurídica do Brasil. Nesse sentido, estamos em duas frentes: na Justiça e torcendo para o Congresso aprovar a Lei das Biografias. Por tudo isso, estou certo de que mais cedo ou mais tarde a biografia de Roberto Carlos voltará a circular livremente.

13- GILBERTO:  Finalize, dirigindo-se aos leitores do blog e cite alguma música, poema e/ou pensamento que mexe com suas emoções.

PAULO CÉSAR: Envio um grande abraço aos leitores deste blog e gostaria de citar um dos versos de que mais gosto do repertório de Roberto Carlos, o da canção “O progresso”, gravada no álbum de 1976: “Eu queria poder transformar tanta coisa impossível / Eu queria dizer tanta coisa que pudesse fazer eu ficar bem comigo / Eu queria poder abraçar meu maior inimigo”.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

DUPLO VELÓRIO - Marcos Cavalcanti

DUDÉ VIANA ARTICULA PARCERIAS CULTURAIS




 No último final de semana, dias 24 e 25 de setembro, o Cantor e
Compositor Potiguar Dudé Viana, depois de participar de atividade sócio-terápica no
Hospital Dr. João Machado, em Natal/RN, na companhia do Médico Psiquiatra Epitácio
de Andrade Filho, estabeleceu importantes articulações culturais com o instrumentista
Cláudio Saraiva, com o Grupo Musical Meirinhos do Forró e com o Poeta Gilberto
Cardoso dos Santos.

Foto 1: Dudé com Dr. Epitácio no Hospital João Machado

Em Nova Parnamirim, grande bairro da grande Natal, Dudé Viana
estabeleceu parceria com o instrumentista e Cantor Cláudio Saraiva, proprietário
do “Recanto Patuense”, para viabilizar a venda de livros e CDs naquele ambiente
cultural, além de projetar para o próximo dia primeiro de outubro uma “Canja”
musical.

Foto 2: Cláudio Saraiva e Dudé Viana.

A agradabilíssima tarde do sábado do dia 24 de setembro foi
promovida pela recepção que o grupo “Meirinhos do Forró”, formado por Clauberto,
Cláudio e Ana Cláudia, ofereceu a Dudé Viana, em sua residência em Parnamirim,
na grande Natal. Seu Carlos Freire e Dona Maria José, pais dos Meirinhos, velhos
conhecidos de Dudé, não custaram a topar a realização de uma grande realização
cultural no dia 13 de outubro, na cidade de Bom Jesus/RN, terra natal dos Meirinhos,
onde será realizado um grande evento alusivo às comemorações do dia da criança.

Foto 3: Dudé Viana com Meirinhos do Forró.

Uma formulação intelectual muito importante, para a cultura popular
do Rio Grande do Norte, resultou do encontro do Cantor e Compositor José Viana
Ramalho, “Dudé Viana”, com o Professor e Cordelista Gilberto Cardoso dos Santos, na
cidade de Santa Cruz, na região Trairi do Rio Grande do norte. Do encontro cultural
de Santa Cruz, resultou o projeto para realização do Show Musical – Lançamento de
Livro de Dudé Viana, “um tributo a Fabião das Queimadas”, que será encampado pela
APOESC (Associação de Poetas e Escritores de Santa Cruz) e pela Casa de Cultura de
Santa Cruz, dirigida pela Poetisa Débora Raquiel, com previsão de realização para o dia
14 de outubro.

Foto 4: Dudé Viana com Gilberto Cardoso.

Intermediando as ações culturais que estão sendo desenhadas, o
Médico Psiquiatra e Pesquisador Social Epitácio de Andrade Filho deverá fazer a
apresentação de Dudé Viana, nos eventos de Nova Parnamirim, Bom Jesus e Santa
Cruz, planejados para a primeira quinzena de outubro.

CREPÚSCULO (Chagas Lourenço)

 
A lua
como uma hipérbole
voltada para o infinito
no crepúsculo,
derramava sua luz
na caatinga.
O nordestino
enxada nas costas
corpo doído
esperança n'alma
volta ao lar.
O céu nublado
faz sinal de chuva,
engana !
A lavoura enfolhada
dá sinal de safra,
mente!
O sertanejo
com fome
espera
quase desespera
mas, continua esperando.
Com dez filhos
e a mulher
o amor
é ato contínuo.
Ato que é fato
obrigatório
instintivo
quase até,
animalesco.
No crepúsculo
uma dádiva de Deus
a lua em hipérbole,
cor de brasa,
dar de graça
o luar.

domingo, 25 de setembro de 2011

TRIBUTO A RAUL



O que é o Tributo Geração da Luz?

É um evento beneficente realizado pela Associação Cultural Kavernista. Atualmente em sua 7ª edição, o geração da luz, título inspirado em uma música do Raul Seixas e ao qual rende homenagens, vem quebrando preconceitos, mudando paradigmas e se consolidando como tradicional evento cultural da cidade de Santa Cruz/RN.

Local: Clube Juvenal Pé-de-Copa.
Data: 01 de Outubro de 2011.
Previsão de início: 12:00h.
Entrada: 1 kg de alimento

PORVIR - Lindonete Câmara




Deitada sob esse fenômeno óptico

Inebriada nesse intenso brilho

Viajo magneticamente nas cores

No mais profundo sacolejo íntimo


Nas latitudes desse encanto me envolvo

Numa espécie de medo me encontro

Nessa cortina estendida no invertido cone

Em sentido horizontal de amor e desconforto



Talvéz és o meu efeito luminoso

Ou quem sabe o escuro porvir

Como sons da aurora sobre mim


Tu és minha certeza e essa dúvida

Propagação do tempo meio inseguro

Improvável nessa via láctea súbita.

sábado, 24 de setembro de 2011

COMENTÁRIO SOBRE POSTAGEM DE NAILSON - Francisca Joseni

 

Concordo com as palavras de Nailson [ver http://apoesc.blogspot.com/2011/09/raimundo-padre-nosso-de-cada-dia.html], pois necessário se faz que os verdadeiros heróis e heroinas da luta pelas adutoras sejam respeitados e lembrados: Monsenhor Expedito, Monsenhor Raimundo e os homens e mulheres deste vasto seco mundo que tanto lutaram pelo direito à água, à vida, à cidadania. Quando fiz a Especialização "Identidade Regional: A Questão Nordeste" a minha pesquisa foi sobre a "luta pelas adutoras" cujo trabalho apresentado teve como título "Atores sociais e políticos presentes no movimento água para todos na cidade de Santa Cruz - RN". No ano de 2004 juntamente com alguns amigos e professores de Santa Cruz lançamos o livro: "(Des)alinho: Ensaios de História Cultural e Social" e nele consta um recorte desta pesquisa. Dentro tantos testemunhos que encontramos ao longo da referida pesquisa ressalto este do engenheiro Rômulo Macedo responsável pela execução do programa adutor reconhecendo a importância da participação popular e que foi publicado numa entrevista concedida ao Jornal Tribuna do Norte em 06.07.97: "Nunca uma obra do Estado foi tão discutida e tão democraticamente debatida como esta Adutora Agreste/Trairi/Potengi... Esta adutora que foi inicialmente concebida no governo José Agripino (nós reformulamos e ampliamos os projetos e complementamos os estudos) não é uma obra só do Governo Garibaldi Filho, ela também é da Igreja que vem na luta há muito tempo, comandada pelo Monsenhor Expedito, é uma obra da bancada federal, que vai garantir recursos no Orçamento de 98, é da Assembléia Legislativa, que aprovou integralmente os procedimentos, e de várias associações organizadas do Estado, que fizeram questão de ir à imprensa dizer que aprovavam a obra. Tendo impressão que é uma obra de todo o povo do RN. Durante todo o processo de debates, eu estimo que não mais do que 20 pessoas se pronunciaram contra a adutora. Não mais do que 20 se declaram contrários a essa obra..." Baseada ainda nas pesquisas que foram realizadas ressalto ainda a participação dos estudantes através da União Secundarista dos Estudantes de Santa Cruz - USE;o Sindicato dos Trabalhadores em educação - Sinte-RN;o sindicato dos Bancários do RN;Wilson Bezerra Cavalcante - comerciante e líder do Bairro do Paraiso; Componentes da Companhia Teatral Arte Viva; e o povo. Nesta luta as participações especiais: Monsenhor Expedito - O Profeta das águas e Monsenhor Raimundo, além de uma grande participação de Hugo Tavares que sempre se fez presente nas ações e atividades realizadas pelo "Movimento água para todos". Monsenhor Raimundo,na época, com 32 anos de exercício sacerdotal na Paróquia de Santa Rita de Cássia empenhou-se com o Movimento "ADUTORA SIM, VOTO SIM; ADUTORA NÃO, VOTO NÃO" cujo objetivo era pregar o voto nulo nas eleições de 03.10.1998 - Governador, Senador, Deputado Estadual e Federal - se até 02.10.1998 o Sistema Adutor Agreste - Trairi - Potengi não fosse inaugurado em Santa Cruz - RN. Esta campanha foi desenvolvida da seguinte forma: por ocasião das missa em que atuava como Presidente da Celebração, Monsenhor Raimundo abria um espaço para informar em que situação se encontrava o projeto e alertava para o fato de que se o seu objetivo final não fosse atingido, deveriam todos optar pelo voto nulo. Outras estratégias utilizadas nessa campanha foram: o espaço da Rádio AM Santa Cruz quando das realizações de missas transmitidas e aposição na torre da Matriz de Santa Rita de Cássia de uma grande faixa branca com as letras azuis, enfatizando o tema do movimento. Essa faixa só foi retirada quando ocorreu a inauguração da Adutora. E muito se lutou - uns contra, outros a favor - mas o povo venceu e, no dia 30 de setembro de 1998, na presença de uma grande multidão, de auotridades políticas e eclesiais, a Adutora Monsenhor Expedito foi inaugurada. Portanto, o motivo deste tão grande comentário é para fortalecer o escrito por Professor Nailson: 1) pela luta da implantação do Projeto Adutor em Santa Cruz e por muitos outros fatos esta poesia à Monsenhor Raimundo é uma justa homenagem jamais será de cunho encumiástico. 2) O POVO, a participação popular ao longo de todo o processo da implantação das adutoras no RN foi fundamental para que ele se concretizasse, se este projeto tem um pai, reafirmo que esta paternidade é do POVO. 


FRANCISCA JOSENI DOS SANTOS - PROFESSORA - Especialista em Identidade Regional - A Questão Nordeste; Especialista em Psicopedagogia; Especializanda em Gestão Escolar; e POVO.

APRESENTAÇÃO E CRÔNICA DE ROGÉRIO ALMEIDA _ Gilberto Cardoso


Rogério Almeida, que aparece nesta foto, é um potiguar que reside na Alemanha. Apesar do muito tempo em que vive fora do Brasil - depois de viajar por diversos lugares do mundo -  jamais se desprende de suas raízes em Santa Cruz e em Natal. Pelo contrário, a cada dia parece crescer seu amor por nossa gente, pelos amigos e familiares que aqui permanecem. A cultura nordestina  tem sido  propagada por ele em todos os lugares onde passa.
Pretendemos criar um espaço neste blog em que ele nos falará de suas vivências interculturais e reflexões através de textos de sua autoria e de outros que traduzirá do alemão  para o nosso deleite. O texto abaixo é de sua autoria:





O patético da guerra e a tirania da beleza

A sala ainda está praticamente vazia poucos minutos antes da aula de tradução. Cadernos, livros
e canetas começam a saltar das bolsas, aqui e acolá arrasta-se uma cadeira. Não demora e a única
distração para a espera no ambiente adormecido é olhar a chuva fina e interminável que embaça as
janelas, a menos que se prefira as tabelas de tempos verbais.

Definitivamente, fico com a chuva.

Já passa da hora e o corredor continua mudo, o que nos dá a certeza de pelo menos mais alguns
minutos de atraso, pois em dias de pontualidade os tamancos da professora costumam denunciar
sua chegada desde o térreo.

Confesso minha satisfação e até a simpatia crescente pela chuva, que agora é forte e me transporta
para paisagens distantes. Só mais alguns minutos disto e a velha argentina terá minha eterna
gratidão. Inocente de mim, porque pedir paz é sempre pedir demais. A conversa sussurrada que
irrompe num canto da sala seria motivo suficiente para uma praga bem rogada. Mas desta vez passa.
Afinal, ela me fez rir.

A mocinha de franja dourada e pronúncia nada delicada volta-se para o sujeito ao lado e dispara em
total desobediência às regras da boa comunicação, num verdadeiro assalto verbal que o apanha com
as calças na mão.

- Você é aqui da cidade?
- Eu? Bem... sim, e você?
- Russa.

O silêncio volta ainda mais constrangedor. Aqueles olhos imensos permanecem soberanamente
imóveis, indiferentes à tortura do miserável que, impotente diante da tarefa nada simples de
entreter uma mulher quando ela assim o exige, agarra-se à primeira tábua que lhe passa à frente no
naufrágio das idéias e me sai com a asneira que só aquela esmagadora falta de ar justifica.

- Russa? Minha avó contava que na guerra gritavam pelas vilas "os russos estão vindo! os russos
estão vindo"!
- Engraçado, a minha contava a mesma coisa, só que o grito era "os alemães estão vindo"!

A russinha ri com todos os dentes no momento em que a porta se abre. Desconfio que a agonia de
meu colega não seria maior se estivesse no cerco de Stalingrado.

Como pesam aqueles olhos, meu Deus...

- Página 45!

Fim da guerra.

As ditaduras venceram.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

RAIMUNDO, PADRE NOSSO DE CADA DIA - Nailson Costa

                
RAIMUNDO, PADRE NOSSO DE CADA DIA

Nunca se pode esquecer da grande colaboração que o então pároco da cidade, o Monsenhor Raimundo Gomes Barbosa, deu à luta pela adutora. A grande faixa que o religioso corajosamente colocara na fachada da matriz com os dizeres “Adutora sim, voto sim; adutora não, voto não!” fora decisiva para a implantação deste bem para o povo do Trairi.
            Por causa desta ação, o pároco foi homenageado pelo professor Nailson Costa com a poesia Raimundo, padre nosso de cada dia, publicada na antologia Monsenhor Raimundo, presente de Deus, a qual teve como compiladora a poetisa Aldenora Ribeiro, em que o poeta faz um trabalho de intertextualidade com uma das estrofes da poesia Poema de sete faces, de Carlos Drummond de Andrade. Todavia, ao contrário de Drummond que, em seu eu-lírico sente-se impotente diante da realidade, Nailson Costa louva a grande conquista, e o faz sem a rigidez parnasiana da forma, usando a brincadeira dos trocadilhos e a alegria livre do ritmo e da rima para dizer o quão poderoso é o povo quando luta bravamente pela construção de sua identidade.

                                   “Mundo mundo vasto mundo
                                        Se eu me chamasse Raimundo
                                   Seria uma rima, não seria uma solução
                                   (...)Mais vasto é meu coração.”
           
                                   “Mundo mundo vasto mundo.”
                                   O Raimundo que quero que veja
                                   É Raimundo da Santa Igreja
                                   Um mundo de oração.
                                   Ave Raimundo cheio de graça
                                   O Senhor está conosco em sua clara homilia
                                   Mas o poeta Drummond em sua rica poesia
                                   Não rimou o Raimundo dum profundo saber.

                                   Mundo, tão vasto mundo,
                                   Raimundo amigo, sacerdote, monsenhor
                                   Pontual, confessor, sincero, professor
                                   Vasto mundo, mais que rima pode ser.
                                  
                                   Raimundo do mundo de Rita Santa
                                   Cruz de nosso dia a dia
                                   Raimundo, Jesus e Maria
                                   Quão poético descrever!

                                   Santo bordão de Raimundo de luta!
                                   Bendita a adutora presente!
                                   Voto sim na água benta da gente
                                   Milagroso Raimundo também!

                                   “Mundo mundo vasto mundo”
                                   O mundo no verso ou na prosa
                                    De Raimundo Gomes Barbosa
                                   Carlos agora um relato tem.

                                   Raimundo, Raimundo, vasto Raimundo,
                                   O mundo de Carlos foi perdoado
                                   E por Raimundo abençoado
                                   Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. AMÉM.

            Por três bons motivos essa poesia não deve ser entendida como sendo de cunho encumiástico, ou seja, de bajulação a um nome que exerceu uma certa liderança na cidade: 1. O autor não é religioso e não tem nenhuma afinidade com o homenageado; 2.Necessário se faz que estejamos sempre a dizer que foi o povo em comunhão com a igreja católica os soldados vitoriosos dessa grande batalha, para que não surjam mais tarde politiqueiros dizendo-se pai da criança; 3.Quem tem como passatempo preferido a produção de textos literários ou científicos vive incessantemente à procura de temas para exercitar sua paixão. Aliás, os temas preferidos de Nailson Costa são os de cunho social.