APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

ACERTO DE CONTAS - Gilberto Cardoso dos Santos

Em busca de uma imagem para ilustrar este texto, encontrei a seguinte, seguida da explicação "POLÍCIA DIZ QUE FOI ACERTO DE CONTAS"

"Foi acerto de contas."
Com essa expressão, dá-se explicação para crimes praticados por jovens mal escolarizados, pouco hábeis com cálculos matemáticos, exterminadores de outros que não aprenderam a calcular bem as consequências de seus atos.
Acerto de contas? Pergunto-me. Que somas e multiplicações malucas são essas que resultam em subtração de vidas? Chama-se acerto ao que na prática é um desacerto.
Juros exorbitantes, decerto. Pagamentos imorais.
Essa ideia de "pagar" pelos erros com a própria vida é bem antiga. Tem raízes bíblicas. Se no passado foi fonte de tantos prejuízos para a humanidade, imagine hoje em que há tão grande inversão de valores e a vida vale tão pouco.
Quando se "acerta" uma conta passa-se de cobrador a devedor. E agora, como saudar o débito com a Justiça e com a família do que pagou à força, daquele que saudou a conta com o que tinha de mais precioso? Bem, contas vão sendo pagas e outras vão sendo criadas.
O "perdoai as nossa dívidas", criado para o cotidiano acerto de contas com Deus, precisa agora ser dirigido a seres humanos desumanos e autodivinizados (feitos deuses, digo, por se acharem no direito de dar cabo à vida).
Enquanto houver tais acertos, viveremos em meio a desacertos.
Tal matemática não é exata. O saldo devedor, quando debitado, sempre ficará aquém do resultado pretendido.
Tal expressão "acerto de conta", tem o dom de manter na calma a sociedade. "Foi acerto de contas? Ah, tá." A explicação é mais que suficiente. Cobradores e devedores que se entendam. Decerto havia droga na história... ah! com certeza. Briga de gangues. Era um ladrãozim. Tinha mais jeito não. Policiais em pequeno número, desvalorizados e despreparados para enfrentar a criminalidade crescente,  tentam, sem perder a compostura, dar algum consolo aos familiares chorosos. No fundo, porém, suspiram aliviados com um a menos para lhes dar trabalho.
"Eles não somam", diriam alguns. São parcelas insignificantes. Todos têm consciência de que o resultado desta conta não está certo, mas os fins justificam os meios.
Desse modo, o descaso social, a corrupção política e a falta de investimentos vão permitindo a matemática macabra, deixando que vidas sejam subtraídas. De modo algum isso incomodará a sociedade, desde que no final se descubra que se tratou apenas de mais um acerto de contas.

EVENTO NO ESPAÇO AVOANTE

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

EU VI A MORTE FRENTE A FRENTE - Por João Maria de Medeiros


Ontem eu vi a morte frente a frente, acreditem. E não pensem que foi à noite, de madrugada, na escuridão. Não, não foi. Eram cinco da tarde, de um lindo dia ensolarado. Local: quem conhece a cidade de Santa Cruz, deve saber bem onde se localiza o cemitério do centro, o Cemitério São Miguel, ali próximo ao Hospital Ana Bezerra.
Entre o cemitério e o hospital há duas vias de mão única. São vias de trânsito preferenciais. Eu vinha descendo numa delas, na do lado direito, quando dei de frente com ela. Mas não pensem leitor, que era aquela morte horrível, magricela, pintada e cantada em canto e verso com uma foice na mão à procura do moribundo. Não era.
Era uma moça linda, alta  e de cabelos longos, montada numa moto Bross 150. Feia foi sua ação: não parou antes de cruzar a via em que eu vinha. Colocando em risco minha vida, nossas vidas. Por sinal, havia até uma placa de sinal de trânsito a sua frente que dizia: PARE!
Não parou. Quando a vi, vinha ao meu encontro e aí  percebi, ali naquele instante, que eu bateria bem no meio da sua moto.  A pancada seria fatal, principalmente para mim que descia uma ladeira. Os freios não seriam suficientes para evitar o impacto.
Local perigoso aquele. Algumas vezes, quando comentávamos sobre a situação de trânsito aqui na cidade, eu sempre dizia que naquele local Deus devia está com sua mão salvadora a proteger muita gente, pois constantemente eu observava jovens fazer o que aquele moça fez: Cruzar a preferencial, desrespeitando a placa de trânsito, as normas de trânsito.
Pois isso aconteceu sábado, exatamente comigo. Deus, como eu dizia sempre estava mesmo ali e me salvou da morte que seguiu em frente à procura de outro, sem sequer olhar para mim, pois não era meu dia. 
Devo a vida, acima de tudo a Deus, a minha prudência ao dirigir e aos freios da minha moto. Se não fossem eles eu não estaria entre os vivos.
Está muito difícil dirigir aqui. 

*João Maria de Medeiros é professor, poeta e cronista.

O BIG BODE - Hélio Crisanto



Ando meio estarrecido
Com um programa imoral,
Caiu na teia global
O sucesso é garantido.
Até estupro tem tido
Mas pra justiça "isso pode"
Bacanal, sexo e pagode
Na TV do Brasileiro
Deve gostar de chiqueiro
Quem assiste o "Big Bode"

MINHAS VERDADES - Antoniel Medeiros

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Se verdades sob o sol negar-lhe-ei,
Tendo em plano vaidade mais robusta:
Se apresenta natureza mais vetusta,
... De saudades da verdade morrerei.
De verdades escondidas viverei,
Maquiadas, maquinadas com cadência
Destoantes do teor da bruta essência
Só verdades maculadas acharei.

Em verdade de verdades anormais,
Verdadeiras ilusões de vai-e-vem
Verdades verdadeiras que convêm
Convertidas em verdades imortais
Viverão os humanos animais,
Verdadeiros mentirosos da verdade,
Interessa saciar a vaidade,
Mas, apenas a verdade satisfaz.

Antoniel Medeiros

domingo, 29 de janeiro de 2012

BOAS NOVAS CULTURAIS

Débora Raquiel, gestora da CCPI e membro da APOESC, acaba de ligar para dar-me uma boa notícia: O APOESC Recitando o Sertão 2 passou na primeira fase!
Que bom, não é?

Parabéns também aos outros grupos da cidade e da região que foram contemplados!

Nas palavras de Débora Raquiel, o ano 2012 será muito bom para a cultura!

Além de nos transmitir tão boa notícia, Débora elaborou a lista dos projetos que participarão da segunda etapa:

ARTES CÊNICAS


ARTE VIVA MAMBEMBE DE TEATRO DE RUA SANTA CRUZ RN


ARTES INTEGRADAS


APOESC RECITANDO O SERTÃO 2 SANTA CRUZ RN

DE REPENTE CAPOEIRA SANTA CRUZ


LITERATURA

COMPANHIA TEATRAL ARTE VIVA PONTO DE LEITURA VIVA SANTA CRUZ RN

DIEGO DA ROCHA FERNANDES NO REMAR DO TRAIRI NATAL RN

PEDRO BARBOSA DA FONSECA MEUS PRIMEIROS CONTOS SANTA CRUZ RN

MÚSICA

ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE SANTA CRUZ CURSO DE LEITURA E ESTRUTURAÇÃO MUSICAL DIGITAL SANTA CRUZ RN



ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE SANTA CRUZ CORAL DA FELIZ IDADE SANTA CRUZ RN



ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE SANTA CRUZ 2º ASSOMUSC MOSTRA CORAIS SANTA CRUZ RN



ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE SANTA CRUZ 3º FESTIVAL MAESTRO FELINTO LÚCIO DANTAS SANTA CRUZ RN



ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE SANTA CRUZ OFICINA DE COMPOSIÇÃO E ARRANJOS PARA BANDA DE MÚSICA SANTA CRUZ RN

PATRIMÔNIO

ASSOCIAÇÃO MUSICAL DE SANTA CRUZ SOM PARA O MESTRE DE MAMULENGOS SANTA CRUZ RN

 Mais uma vez, parabéns a todos!

Palavras do maestro Camilo:

"Parabéns a todos e vamos à luta em busca da contemplação na segunda fase."

É SUA A SELEÇÃO - Hugo Tavares


Não chute a eleição
para o terceiro tempo.
Você tem um instrumento,
na palma da sua mão.
Maria, Pedro ou João
o voto é um poder. _
É você quem vai dizer:
Quem merece ser votado.
Quem vai ser o escalado.
É sua a seleção.

sábado, 28 de janeiro de 2012

ENCONTRO COM DESCENDENTES DE COSME MARQUES - Gilberto Cardoso dos Santos


Na foto: Marcos, Iraci (nora de Cosme Marques), Alena, Polyanna (nora de José Mário), Andreo, Gabriela, José Mário, Vicentinho e Railma

Na última quinta-feira, dia 26, eu e o poeta Marcos tivemos a grata satisfação de nos encontrar  com alguns ilustres descendentes do poeta Cosme Ferreira Marques. O encontro ocorreu na Praça Tequinha, à noite. Ali estavam seu filho José Mário (procurador federal), sua neta Alena (advogada), seu neto Andreo Aleksandro (juiz substituto em Santa Cruz), Polyanna (psicóloga e nora de José Mário), a bisneta Gabriela e Iraci Nobre (nora de Cosme Marques e professora aposentada). Foi um momento de descontração e de muito aprendizado  sobre a vida daquele que  tanto fez pela cultura santacruzense em tempos pretéritos.
Vicentinho, pai do poeta Diego Rocha, e sua esposa estiveram conosco e chamaram nossa atenção para importantes aspectos da história do município.
Marcos Cavalcanti trouxe da casa da professora Teresa Lúcia o livro  "CANASTRA VEIA". Folheamos aquela relíquia com o maior respeito e cuidado. Minha atenção foi despertada para o seguinte soneto:

MEUS ANOS

A mim no meu 34º aniversário

Sem festa, sem música e sem flores,
assisto o dia de meu aniversário;
ao lado de Maria, esposa dos amores,
dos filhos, minha mãe e um amigo solitário.

Ao parco almoço, teço meus louvores,
aos pratos de sabor extraordinário...
pratos excelentes, desprendiam olores...
- a galinha substitui o meu feijão diário. -

Sentia-me alegre, satisfeito e bem disposto,
pois assim demonstrava o próprio rosto
e o apetite voraz com o qual estava,

Guardarei deste dia grata lembrança,
pois ainda mandei que enchessem a pança
de um pobre faminto que passava.

6 de outubro de 1942

Eu e Marcos ficamos a refletir sobre as circunstâncias que induziram o poeta a escrever tal texto e rimos com o desfecho inusitado. O que só saberíamos pouco depois, para nossa grande surpresa, é que em circunstâncias um pouco parecidas, naquela noite, seu filho José Mário completava 66 anos.
Falamos sobre aspectos geográficos de Santa Cruz no tempo de Cosme Marques, sobre a Difusora Uirapuru onde este, diariamente, revelava seu talento para a prosa através  de  crônicas.
Além de tão revigorante mergulho no passado, foram  traçados planos para digitalização do livro  Canastra Veia e lançamento de uma segunda edição. Também pensamos em maneiras de comemorar o centenário de nascimento deste grande vate que, oficialmente, ocorrerá em 06 de outubro deste ano. Planejamos algo a ser feito na Escola Cosme Marques, onde ensino.
José Mário manifestou desejo de dar continuidade à rica entrevista publicada em http://apoesc.blogspot.com/2011/09/coluna-de-entrevistas.html e de fazer uma visita ao Museu Auta Pinheiro Bezerra.
Esperamos que encontros desta natureza, tão enriquecedores, venham a se repetir em breves dias.







sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

RESIGNAÇÃO - Marcos Cavalcanti


A minha risada
atravessa o mundo
montada na inexorabilidade
do tempo.
Eu mango, tu mangas, ele manga...
do amor que é lindo,
mas que também faz caretas.
Que a sorte vá bater a porta
de uma figura morta
e me deixe nesta vida preta
que jaz dentro de minha caneta.

DIA INTERNACIONAL EM MEMÓRIA AS VÍTIMAS DO HOLOCAUSTO



 No video abaixo, imagens feitas pelos próprios nazistas. Comovente!
Momento propício para refletir sobre a insensatez do racismo.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

IGREJA DA MATRIZ - Gilberto Cardoso dos Santos


Igreja da Matriz
reduto de crianças
oásis de esperanças
de um povo infeliz

Gigante imponente
dedão arquitetônico
mostrando-nos, lacônico,
um mundo diferente.

Destaque na paisagem
reinante em imponência
gerando reverência
num povo de passagem...

vão-se as gerações
e as gerações vindouras
no espaço que tu douras
te enchem de orações.

Jamais te faltarão
as vozes piedosas
de mulheres idosas
clamando em oração

Jamais há de faltar
o riso de garotos
ainda tenros brotos
entregues ao altar

a tua umidade
de lágrimas e batismos
fertiliza os abismos
da subjetividade.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

VERSOS PARA DESCONTRAIR - enviados por Hélio Crisanto

Um dia de manhazinha
Eu cheguei numa bodega,
Tinha um cego e uma cega
Biritando na branquinha
A cega era mariquinha
E o cego era Diogo
Eu também entrei no jogo
E o que vi ali não nego:
A cega puxando o cego
E o cego puxando fogo
(Belarmino de França)
O desmantelo no mundo
Tem me causado alvoroço
É homem falando fino
É mulher falando grosso
Tem até velha corcunda
Tirando o couro da bunda
Pra colocar no pescoço
(Hélio Crisanto)
Roubaram um pobre poeta
Além de pobre doente,
Ainda mais deficiente
Com uma perna incompleta
Roubou minha bicicleta
Com pneu, sela e catraca
Um ladrão de alma fraca
A polícia não descobre
Quem rouba um poeta pobre
Vendo Jesus, mete a faca
(Zé Amâncio)
Nem sei quantos anos tem
O meu velho avô de aço
Talvez já passe de cem
Janeiros no espinhaço
Quando vai só num passeio
Fica naquele aperreio
Se passa uma noite só
Tira um quadro da parede
E faz amor dentro da rede
Com um retrato de vovó
(Otacílo Batista)

Jovens Curtem “A Saga dos Limões” - Por Epitácio Andrade


                          Desde que foi criada na rede social facebook, há cerca de duas semanas, a página do livro “A Saga dos Limões”, do médico psiquiatra e pesquisador social Epitácio de Andrade Filho, dezenas de jovens já “curtiram” esta forma de divulgação da obra, que está com a primeira edição esgotada.

                                                               Foto: João Batista
Tiara Andrade, filha, Dona Lourdinha, mãe, com netos.

                            A página no facebook de “A Saga dos Limões” foi idealizada pela estudante de psicologia Tiara Andrade, filha do escritor, incentivada pela avó, Dona Lourdinha Holanda, e pelos primos/as que compareceram ao lançamento do livro, na livraria Siciliano, do Shopping Midway Mall, em Natal, capital do Rio Grande do Norte, no dia 29 de agosto do ano passado, coincidentemente, data do aniversário da universitária.

                                                                          Foto: Epitácio Andrade
Jovens no evento “A Noite das Sagas”


                               No evento cultural “A Noite das Sagas”, realizado no final do ano passado, na Praia de Ponta Negra, em Natal, numa parceria de Epitácio Filho com o escritor Dudé Viana, autor de “A Saga Benevides Carneiro”, Tiara Andrade contribuiu na mobilização de jovens como as irmãs Isabel e Giovana Batista, campeãs de aeróbica no Rio Grande do Norte, e Felipe Azevedo, campeão de pólo aquático. Acerca de “A Saga dos Limões”, Isabel Batista comentou: “Por ter um avô que vendia couro na Paraíba e nos contava a vivência dele com cangaceiros e todas as histórias que circundavam sua infância, foi oportuno para minha família lembrarmos através desta leitura todas as marcas e sofrimentos de pessoas de uma região na tentativa de adquirir sua dignidade”.

DEU BRANCO (OU ENTRANDO NUMA FRIA) - Gil Hollanda

um urso
polar
na neve
a rolar

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

POR ONDE SE ENCONTRA O POETA - Antônio de Pádua Borges

Meu inesquecível amigo, sempre te encontro e te vejo, nas esquinas das ruas, dos bares, nas praias, e nos festins. E por que não dizer estás também presente entre os sofridos, que mesmo assim te admiram porque você poeta, não se esquiva de se retratar através do seu gesto amigo apresentar algo interessante, externar amor, caráter, firmeza e sentirnento. Portanto, o poeta não se distancia da cultura o seu veículo principal, entre outras importantes ativid8des. Tu, poeta, és sem dúvida a coluna firme dos pensamentos realistas, quando encarando vitupérios indesejáveis, abraçando o leigo, o formado, rico e o pobre, até aqueles que talvez não te considere como realmente tu mereces. Meu dileto amigo, tua pessoa representa certamente o que satisfaz, digamos a poesia, que é encanto, beleza e ternura. É comum se observar se algo estranho se reflete no cotidiano, do mesmo naturalmente é desfeito sem mágoa e sem rancor, sendo jogado no mar do esquecimento, para que assim se desfaça as murmurações que não constroem. Nesta rotina constante te considero um reflexo de luz mesmo se palmilhares em trevas caso acontecer, não te enfades seja na paz ou na guerra, a tua presença alegra os corações dos que muito te admiram. Neste momento agradeço ao criador que me proporcionou modesto linguajar quando tenho o prazer de também me enquadrar nesta categoria. Concluindo, desejo a todos desta área, que seus ideais se multipliquem para o bem da cultura e que sempre possamos nos unir no presente e no porvir.

          capa da antologia onde se publicou este texto

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

COMUNICADO - Débora Raquiel


A Casa de Cultura Popular de Santa Cruz estará nas tardes de hoje (segunda-feira)
e amanhã(terça-feira) , prestando acessoria aos blocos que pretendem elaborar
seus projetos para concorrerem ao Edital de Carnaval do Estado.

Em Junho, foram quatro quadrilhas contempladas em nossa cidade. O prêmio
fora de com quatro mil reais. O prêmio agora é maior, e a elaboração do projeto é
bastante simplificada!

Para maiores informações procurem a Casa de Cultura.

Os projetos só serão aceitos até o dia 29 de janeiro.

Quem poderá concorrer aos recursos:

a) Escolas de Samba: Brincantes fantasiados que desfilam ao som de um samba
enredo, cantado pelo puxador e executado por uma bateria. O grupo possui
obrigatoriamente comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, abre alas e
passistas.

b) Bloco: Brincantes divididos ou não em alas, conduzidos por um porta-
estandarte e puxado por uma banda de música ou charanga.

c) Bailes Populares e Eventos Pré e/ou Carnavalescos: Bailes conduzidos por
orquestra e/ou banda musical, que fazem alusão a folia de momo, podendo ser em
ambiente fechado ou na rua, realizados no período pré-carnavalesco, ou durante os
dias do reinado de momo.

d) Tribo de índios: agremiação cujos componentes se apresentam durante o
carnaval, perfilados, com um tema e enredos próprios, dançam inspirados em
danças de guerra e/ou festivas dos indígenas, e ainda apresentam personagens
obrigatórios como o cacique e o pajé.

e) Maracatus: agremiações que tem origem na cultura afro-brasileira, que tenha
pelo menos os seguintes elementos: uma percussão, que acompanha um cortejo
real.

f) Festas carnavalescas municipais: com programação de rua, sem cobrança de
nenhuma taxa para participação popular, inclusive a não exigência de camiseta e
que não tenha apoio da municipalidade.

Pregadores - Documentário

Gostei do documentário abaixo. Foi patrocinado pela Petrobrás. Sugiro que o assistam. Sete minutos apenas.


http://www.portacurtas.com.br/pop_boasvindas.asp?cod=11353&Exib=10383 

NISE (Banzo tropical) – Félix Ramos

Félix Ramos 
A despedida causa a perda,
E a saudade que lhe afronta
Mas quando lembro de sua beleza,
Aminha paz o sossego encontra
Se eu pergunto sobre os seus medos,
É que a dor que em mim invade
Me persegue num ensejo um enredo.
Me ressalta o sabor da saudade
E se eu luto desarmado e morto,
É que não quero vencer a paixão
Nas águas puras do sabor do teu corpo,
Eu me afogo em teu rio sertão...
Trago na mão enroscado no dedo,
O nosso símbolo de eternidade
Se todo mal que lhe fiz em segredo,
Foi pra encher o meu coração de saudade
 Pois na partida de teu beijo o sufoco,
 Enche meu vaso de flores do campo
E no vazio desse sentimento morto,
Eu ouço baixo o teu suave canto,
E se eu olho teu rosto esculpido
Meu sentimento de amor aflora
Sinto arder o meu peito ferido
Que fecha os olhos e sinceramente chora.

domingo, 22 de janeiro de 2012

HORA H - Gil Hollanda


quando aprendi
a ler as horas
na calada da noite

o tempo emudeceu
(não havia mais o que ensinar)

tudo era silêncio
a esperar mudamente
a hora H.

sábado, 21 de janeiro de 2012

FILHO DE SOFIA - Antoniel Medeiros

Antoniel Medeiros
À frente um cigarro

Se agarro morro

Se não agarro morro

Se vendo é no morro.

...

Se vendo vou preso

Se preso me vendo

Pra não ver o preço,

Por ser livre prezo.



Ouvindo uma cigarra

À loucura se agarra

Se lhe aprouver a garra.

Nas garras do baseado.



Me baseio no baseado

Grande vã filosofia

Sou filho de Sofia

Vendedor do baseado.

OS GATUNOS DA LAMA (LOS RATEROS DE LA LAMA) - MARCOS CAVALCANTI



OS GATUNOS DA LAMA




Era o Rato

No Beco da Lama,

Na ratoeira dos gatos

Sem pressentir a trama.

Era o Rato

Num beco, sem fama,

Nas botinas de gatunos

Vivendo o seu drama.

Era o Rato

Nas garras dos Maragatos,

Indefeso no asfalto

Beijando a lona.

Era o Rato

Trucidado na arena

Num trágico ato

De três gatos vadios,

Covardes, SEM PENA.


LOS RATEROS DE LA LAMA




Era el Ratón

En la Callejuela dc la Lama,

En la ratonera de los gatos

Sin presentimiento de la trama.

Era el Raton

En una callejuela, sin fama,

En las botinas de los rateros

Viviendo su drama.

Era el Ratón

En las garras de los Maragatos,

Indefenso en el asfalto

Besando la Iona.

Era cl Ratón

Destruido en la arena

En un tragico acto

De tres gatos vacíos,

Cobardes, SIN PENA.



Marcos Cavalcanti

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

BAR, DOCE BAR - Hugo Tavares



(Ao Boêmio “LILA ")




Bar...

Nau de muitos caminhos.

Aqui os devaneios passeiam por entre as mesas.

Sob a fumaça dos cigarros olhares se misturam...

E os acordes das músicas dos boêmios

Ressuscitam amores adormecidos.



Mais um gole! De repente quem sabe... alguém...

Outro gole! Talvez num átimo... quem sabe...

As lágrimas são companheiras dos porres...

às vezes um coração que é nobre... rasteja.



Bar doce Bar! Os sonhos são pertences de todos.

Mas pode alguém ser feliz sozinho?

Bar doce Bar! Qual é o preço dos homens?

E o preço das mulheres também?



Ah! As mulheres são iguais a nós...

E a saudade é indispensável... cá, dentro do peito

0 que representa duas mãos... sem outras duas?

E uma boca... sem uma outra?



Um copo sem um brinde...

Por que não deixá-lo vazio?

Oh! Não! Uma lembrança é melhor do que nada.

De repente... mais um gole... quem sabe... ela...



Bar! Farol dos amantes... antes da cama.

Que existam! Que existam 0s bêbados... e a embriaguez!

Que as minhas ilusões me fortaleçam!

Que a solidão apareça... e beba comigo!

Eu preciso... urgentemente não ficar sozinho!



Bar doce Bar!

Que a bebida não me enlouqueçal

Que as mulheres sejam o meu fim.

E o teu refúgio... a minha eternidade.

- Garçoooooooonnnn mais uma!!!

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

MISCELÂNEA DE POESIA (Francisco Maciel)

Às vezes nos perguntam sobre gosto musical entre outros tantos. Meus ouvidos aprovam de tudo e de tudo um pouco. Sou leigo para diferenciar estilos musicais , simplesmente escuto , simpatizo e pronto. Nunca me prendo a um CD ou algo do gênero por completo, por isso desde quando fita magnética estava no auge, aquelas que me pertenciam tinham sempre a inscrição: músicas variadas. Isso vai de música evangélica à música clássica, saio catando (catando e não cantando). Difícil é querer a música sem saber o título, o nome, mas vai assim mesmo. Tenho vários gostos e gosto quando a criatividade de quem compõe ou canta se faz presente em sua intensidade. Esse debruçar-se sobre a criatividade de outrem vai até além do que acontece na música, já que pode estar presente também numa simples palavra, num texto, numa propaganda. Digamos propaganda de sandália. Foi aqui de casa que ouvi outro dia: Calma, calma, não precisa empurrar! Dá pra todos! Levantei-me do balanço da rede, caminhei em direção à varanda e deparei-me com um carro de vendas, cujo vendedor estava solitário na esquina, depois o escutei anunciando sobre um chinelo que segundo ele dava pra se usar até pra ir pra festa. Verdade! Pra mim já é a festa, já que espontaneamente nos convidam a sentir-se bem no nosso mundo e modo singular de vida. E por falar em convite, há pouco passou um anunciante num carro de som falando de um salão de beleza para a mulherada, com um remate irresistível: Agende a sua transformação! Abraço isso tudo e esse povo, respeitando assim o pedido de Drummond: Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas... O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. (Mãos dadas).


O que me prende são os laços dos sentimentos envolvidos, quer seja na propaganda, na música, na oratória, no poder da argumentação, da persuasão, da musicalidade, da rima, da métrica, enfim, da poesia. Este é o ponto: o encantamento da poesia. É a magia , digo, a poesia, se presente. Assisto programas evangélicos atraído muitas vezes só pelo poder da oratória de quem fala, uma vez que admiro, gosto e me considero já devidamente adestrado para neutralizar os apelos de depósito em suas contas bancárias. Isso mesmo! Assisto para decifrar por entre o carisma um quê capaz de rebanhar multidões (“Calma, não precisa empurrar!”), embora chego sempre a conclusão de que é com o poético que eles conseguem e o fazem no uso mesclado em outras coisas e assim atrai a cada um de nós.
Podemos até explicar tudo em seus compartimentos: música, propaganda, poder da palavra, mas no final dá poesia em sua essência. É igual ao que meu filho me contou quando presenciou quatro tambores para coleta seletiva do lixo e o lixeiro jogou tudo desordenadamente no mesmo caminhão, para que fosse junto e misturado. E atenção! De lixo se faz poesia, portanto não mais se joga o lixo e sim se guarda o lixo e em papel reciclado se escreve ou se desenha poemas, embora dizer isso me pareça tão redundante quanto dizer que a poesia é bela.
Ontem escutei uma versão da música o astronauta de mármore da extinta banda Nenhum de Nós e senti falta do violino, ou melhor, da poesia do violino e fiz a minha reclamação (“Desculpe estranho, eu voltei mais puro do céu”). Às vezes é um detalhe que faz a diferença. Basta, por exemplo, que a letra, a voz, a melodia ou o quer que seja me remeta para algum lugar, algum momento e pronto: virou poesia. É o caso do violino, faltou o violino. A letra acho interessante, mas é á a magia poética do violino que pra mim faz a diferença ali.
Meu filho estuda em Caicó e vive de olho numa poesia que aos poucos está sendo construída na parede de um muro. Ele tem procurado manter-me atualizado sobre o que se tem produzido por lá. Certo dia ele passou e observou escrito o que parecia conclusivo: FORA BIBI! Menção ao prefeito da cidade. De outra vez percebeu que um simpatizante do gestor municipal fizera poeticamente do F um B: BORA BIBI!, dando assim novo rumo aos fatos e logicamente à poesia. Ontem me telefonou e fez-me ciente de que aquele que iniciara, voltara lá, acrescentando um prefixo e um verbo imperativo, retomando assim a mensagem e intenção inicial: VÁ EMBORA BIBI! Meu filho-poeta não manipula este lápis-pincel, mas já  pode antever um incisivo NÃO: NÃO VÁ EMBORA BIBI, ou o que os antagônicos podem acrescentar depois num sentido contrário, com um possível e simples sinal de exclamação: NÃO! VÁ EMBORA BIBI! Aguardemos, pois! E assim, não sei do prefeito, mas a poesia está indo bem.
Acho que já dá até pra decidir sobre o que está explicado aqui: não pretendo mais ouvir sobre quem quer que seja dizendo não gostar de poesia. Fica o aviso! Pois, por último, não quero voltar aqui para escrever algo além do que... Ah! Se eu te pego!
Pronto, Humberto, Rayane e Antoniel: o texto está pronto.



Prof. Maciel-Japi/RN.

CARRO DE BOI - Coroné Cafuçú

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Na fazenda de vovô,


Não faltava um mandingueiro,

Nem um cão que ali morou,

Que acompanhava o vaqueiro,

Cerca, Caniço e cancela,

Em cada torno uma sela,

De lado o quarto da tenda,

As cangaias do comboi,

Na frente um carro de boi,

Valorizando a fazenda.



Era feito de aroeira,

Fora de marca e de moda,

De canzil, reidão e corda,

E de pinhão uma cantadeira,

Três juntas de bois puxavam,

dois carreiro acompanhavam

Com a vara de ferrão.

Sempre de choto a galope

Descendo e subindo tope,

Nas quebradas do sertão.



Feito de madeiras forte,

De talha cumprida e larga,

Era o transporte de carga,

Do povo também transporte.

No Sábado cedo do dia,

Reunia a freguesia,

Da velha comunidade,

E seguiam encima do bruto

iam comprar o produto

Ao pessoal da cidade.



Parece que tô ouvindo,

Do carreiro o velho grito

E do carro o canto bonito,

As suas rodas rangindo.

Ele descendo e subindo

Da gruta pro chapadão.

Se atolando nas brenhas,

Levando morões e lenhas

Pra fazenda do patrão.



Lá na estrada de barro,

Cortando o meio do carrasco,

Inda tem dos bois o casco

E marca das rodas do carro.

Debaixo de um pé de manga,

Tem canzil, reidão, e canga,

E um vara de ferrão,

Soltas pelo abandono,

Depois da morte do dono

Sem a menor descrição.



Meu velho carro de boi,

Que me levava a novena,

Transformou-se em peças e cena

De um filme que já se foi.

Os bois a tempo morreram,

As terras os donos venderam

E foram morar na cidade.

Eu sou o velho carreiro,

Que hoje estou prisioneiro

Nas muralhas da saudade.



Autor: Coroné Cafucú,

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

ENTREVISTA COM HUGO TAVARES DUTRA


Hugo Tavares é um conhecido poeta de nossa terra, um homem de múltiplos talentos que tem dedicado a vida à luta por um país melhor.

Com muito esforço e persistência, realizou o sonho de trazer uma emissora para Santa Cruz, a FM SANTA RITA.

Talentoso poeta, bom compositor e instrumentista, tem lutado com afinco pela preservação da Arte Popular Nordestina. Hugo formou-se pela UFRN, Campus de Santa Cruz, e é funcionário do IBGE.
Tudo que ele faz tem a marca da militância política, razão pela qual o trouxemos a essa sabatina.
Gilberto: - Hugo, comece falando-nos sobre suas origens, formação acadêmica e trajetória de vida.
HUGO: A minha origem é muito modesta. Sou filho de vaqueiro e doméstica.

Nasci em Brejo do Cruz-PB. A minha infância foi pontuada em Catolé do Rocha-PB, onde estudei em escolas públicas e 1 ano em uma escola particular(Colégio Técnico D. Vital). Aos 16 anos fui morar em João Pessoa, para continuar os estudos e um ano depois fui morar em Natal-RN.

Desde muito cedo que luto e muito. Fui mecânico de oficina, vendi bombons e revistas em portas de cinema, com aqueles caixões pendurados no pescoço.

Ajudava aos feirantes em dias de sábado, nas mesas vendendo e enrolando miudezas da feira...etc. Fazia molduras de quadros e espelhos, cortava vidros (vidraceiro), fui guia de cego (lavava um cego de Mossoró, seu CHICO, para os pontos dos ônibus), fui vendedor de seguros, cobrador de óticas, vendi implementos agrícolas e máquinas de escrever e calcular... E ainda fui "coroinha", adotado por Madre Margarida (In Memoriam ). E trabalho há 29 anos no IBGE _Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, até hoje.

INFÃNCIA: Foi uma infância cheia de contratempos. Muito cedo fui acometido de uma doença em uma das pernas e passei quase dois anos acamado. Viajando de Catolé do Rocha-PB a Recife-PE, onde fazia tratamento.

ESPORTE: Sempre adorei esporte. Fui goleiro de futebol de salão (hoje futsal) por muitos anos. Um dia quebrei um dos braços e tive que "abandonar" o gol.

A MÚSICA: Fui iniciado ao violão por dois grandes amigos de infância - Iran Campos e Sebastião Emanuel de Campos (filhos de Tião do Foto e de D. Marli). Agradeço ainda a eles por terem me iniciados na música. Aprendi os primeiros acordes com eles dois. Não tinha violão e me socava na casa deles o dia todo. Quando eles davam uma brechinha eu já pegava um dos violões e ficava lá pelo meio. Tocávamos numa bandinha de crianças chamada de "Os Paqueras", e por ai fui...

Desde a década de 70 que em Catolé do Rocha-PB promovem festivais de música. Foi de lá que eu parti... Eu e o Chico César. Foi nos festivais que iniciamos a nossa vida musical...
Gilberto: Quem é você, no seu próprio conceito?
HUGO: Quem eu sou? Fácil essa...

Um cidadão determinado e consciente. Fiz uma opção pelos mais fracos e humildes. Luto pelos oprimidos diuturnamente, independente do governante de plantão. Sou devoto da legião dos que são contra as injustiças sociais. Qualquer tipo de discriminação pra mim é um atentado contra a soberania do ser humano. Não creio em justiça social, sem a democratização do trabalho, acesso as escolas, saúde e hospitais para todos...

Há muita carência e sede de justiça.

Não concebo a máxima conformista: "A justiça tarda mais não falha". Por trás dessa falácia escondem-se os pilares e a sentença dada aos que se rebelam contra qualquer estado opressor e predador do povo. Estado moldado para perpetuar a dominação da globalização, daqueles que escravizam o resto do mundo com o sacrifício da classe trabalhadora.

Sou devoto dos que dividem um pouco com os carentes. Carentes em todas as direções. Não creio nos cidadãos pacatos e donos dos seus lares. Eles encerram em si o egoísmo pessoal, mascarando e se escondendo em um padrão de comportamento que não incomoda ninguém. (...) É um homem exemplar. De casa para o trabalho (...).

Não acredito naquelas pessoas que dizem: "Detesto política". São os piores tipos de cidadãos. Contribuem para que os dominadores se perpetuem no poder. Não dão nenhuma contribuição para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Não acredito nos religiosos que não praticam nenhuma ação que possa dignificar a vida do próximo. Não acredito em suas orações, "sem o sal da palavra". O exemplo. A prática. O fazer dos que dizem e pregam. Ainda não conheço, e até agora ninguém em apresentou um retrato e/ou uma imagem de Cristo de braços cruzados.

Não creio naqueles que quando praticam uma boa ação, saem apregoando mundo afora, a ação que praticou em torno de algo e/ou de alguém.

Não creio nos que "dizem" que dão com uma mão "sem que a outra veja". Não creio nos que dizem que amam, mas não dividem nada. Não dividem com os seus vizinhos e nem com o seu país.

Gilberto: Você acha que a arte deve ser sempre uma arte-denúncia?
HUGO: A Arte é uma rosa e uma arma

Sempre busquei um conceito para a palavra arte, mas confesso que nunca encontrei. A arte é uma rosa e uma arma. Depende de ponto de vista você se utilize ou utiliza a arte para dizer alguma coisa. O Artista deve ser livre. Portanto essa premissa nem sempre é verdadeira, porque ao longo do tempo muitos artistas foram reprimidos pelo estado e muitos pagaram com a sua própria vida, pela arte. Parto do entendimento que o artista vive em um mundo e que esse mundo é espelho para a própria arte. A natureza é uma forma de arte, mas divina. Arte da natureza humana reflete ou deveria refletir o mundo. O meio em que ele vive e a forma como ele vive. A arte pela arte, por si só não se justifica. A arte só será plena se houver em suas expressões nuances de atitudes que embalem o soerguimento da natureza divina e humana. Como posso me utilizar da arte para soerguer a sociedade humana? Respeitando primeiramente a arte da natureza divina. E aí... Existe a consciência de que o artista é livre, mas deve ter um compromisso com a sua arte e com a humanidade.

Ninguém é artista sozinho, e sempre há quem contemple a sua expressão artística. Por isso ela deve expressar algo, mesmo que quem a contemple não a compreenda.

Santos Dumont morreu com a frustação de que o avião foi usado para matar pessoas. O avião é uma obra de arte.

A história é testemunha de que a arte embalou impérios e viu impérios serem aniquilados. Portanto a arte é uma rosa e uma arma. E esse poder, determina o olhar do artista, a face, a compreensão e o entendimento de mundo. E a parti daí, o seu compromisso com a construção de um mundo melhor.

A arte deve existir para libertar, e o artista, deve ser o seu articulador em todos os sentidos. O mundo passa necessariamente pela arte. E a arte é uma rosa e uma arma. Como utilizá-las para se construir um mundo mais justo!? Tenho dito...

Finalmente, entendo que a arte não deve ser usada somente para denuncia. Não! A arte deve ser usada para embalar a vida. Orgulhar os olhos e encher o peito do artista e o de quem comtempla a sua de arte. Quando a arte é vazia. Somente pela arte, o artista tem vida efêmera e a sua arte também. A arte deve ser sim, instrumento do soerguimento da alma, da vida do ser humano nas suas infinitas expressões.
Gilberto: Sua visão política, conforme consta no perfil, é a de um libertário. Por que você não se posicionou como um de esquerda? Que significa pra você ser um libertário?
HUGO: A liberdade deve estar acima de tudo

A liberdade se sobrepõe a partidos políticos, governos, doutrinas,... Etc. A esquerda, a direita, o meio e os outros são pontuações retomadas. Hoje estão dessa forma, amanhã se colocam de outra forma e assim... Os partidos políticos estão falidos no Brasil. A classe política tenta se sustentar em um tentáculo que se arrasta por um fio, mas eles não entendem ou fazem que não entendem. As suas ideologias sucumbiram. Já não existe discurso que envolva quaisquer pessoas sãs em frente a um palanque político. Aliás, os palanques são formas arcaicas e superadas deles vomitarem as suas mentiras. A democracia deles não suporta um debate de ideias. Eles já não as mais têm. Reproduzem falácias amareladas e roucas pelo tempo de uso e não refletem o dia-a-dia. O desafio de viver e da vida humana. Os políticos não são artistas. Eles não têm o direito de não serem incompreendidos, porque a verdade e a liberdade caminham próximas e de mãos dadas. E eles não suportam a verdade. Essa palavra não faz parte do vocabulário deles. Os políticos jamais entenderão o povo porque eles não libertam o povo e nem querem que ninguém os liberte. Os políticos preferem o povo submisso, ignorante, faminto e doente, para pode escravizá-lo mais facilmente. O ser humano consciente e pleno da sua cidadania é um libertário. Ele está acima dos partidos políticos, das suas ideologias, dos seus estatutos mentirosos e arrogantes. O ser libertário está acima de qualquer coisa ao lado das minorias, sempre. Independente de qualquer tempo, cor ou governo. Ele está ali sempre, em todas as horas, dando o seu testemunho e hipotecando as suas energias e atitudes. Ele sempre está presente com a sua palavra e o seu empenho para que as coisas mudem, para melhor e que a selvageria da ganância seja amenizada, em nome dos que passam sede, fome, frio e que buscam uma luz para a superação das suas necessidades primárias.

Veja mais dessa entrevista em  http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs?cmm=3297113&tid=2538498598058547990

JOÃO REDONDO (Trecho do cordel MAMULENGO) - Sirlia Sousa de Lima


A ORIGEM DO JOÃO REDONDO
É BEM TRADICIONAL
ORIGINOU-SE DOS ESCRAVOS
EM SUA LIDA TRIVIAL
JOÃO REDONDO ERA O PATRÃO
QUE OS TRATAVA MUITO MAL

UM ESCRAVO RESOLVEU
COM O SOFRIMENTO BRINCAR
IMITOU OS PATRÕES
COM BONECOS A ENCENAR
REPRESENTANDO AS TORTURAS
QUE ELES TINHAM QUE PASSAR

JOÃO REDONDO, O PATRÃO
VIU AQUELA PROJEÇÃO
REFLETIU NA CONSCIÊNCIA
DO ARDILOSO PATRÃO
QUE FICOU COMOVIDO
COM A DRAMATIZAÇÃO

JOÃO REDONDO AINDA VIVE
NO NORDESTE BRASILEIRO
É POUCO VALORIZADO
POR QUEM DETÉM O DINHEIRO
NÃO DIVULGA A CULTURA
DO TEATRO PIONEIRO

MUITOS BONEQUEIROS
SOFREM SEM ATENÇÃO
AO VEREM SUA ARTE
MORRENDO DE INANIÇÃO
UM POUCO DE INCENTIVO
MUDARIA A SITUAÇÃO

O BONEQUEIRO ESTÁ SÓ
EM NATAL OU EM REALENGO
NINGUÉM PODE VIVER
DA ARTE DO MAMULENGO
NINGUÉM QUER APOIAR
SÓ SE FOSSE AO FLAMENGO

O DESTINO DOS MAMULENGOS
PARECE SER BEM CRUEL
O NOSSO MAIOR BONEQUEIRO
FOI O CHICO DANIEL
QUE MORREU DE TRISTEZA
COM POBREZA A GRANEL

TIRITEIRO OU INTÉRPRETE
É O MAMULENGUEIRO
QUE DÁ VIDA AO BONECO
SEJA SISUDO OU FACEIRO
TEM BONECO EXIBIDO
TEM BONECO ARENGUEIRO

VOCÊ CONHECE O RAUL?
EU VOU LHE APRESENTAR
UM GRANDE MAMULENGUEIRO
CÁ DA TERRA POTIGUAR
NEM MESMO A UNIVERSIDADE
SEU VALOR LHE SOUBE DAR

POR ISSO MEU AMIGO
VENHO AQUI INTERCEDER
VALORIZE A CULTURA
NÃO A DEIXE MORRER
OU PERDEREMOS OS SENTIDOS
E A ALEGRIA DE VIVER