APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

FÉRIAS OLEOSAS - Gilberto Cardoso dos Santos



Nestas férias, resolvi pesquisar sobre saúde. Vocês sabem como é: quarenta e sete anos, é bom começar a prevenir. Descobri, para nossa surpresa e desconfiança, que o ovo pode ser comido à vontade. O que o torna prejudicial é a fritura. Todavia, se frito em óleo de coco não causa mal nenhum. O óleo de coco, que protagonizará esta crônica, é uma verdadeira panaceia. Riquíssimo em ácido láurico, fortalece o sistema de defesa do organismo. Mesmo depois de usado numa fritura, pode ser reutilizado. Qualquer outro óleo que se utilize em frituras é prejudicial. Esqueçam óleo de canola, girassol ou algodão. Azeite de oliva é bom, mas só cru.

Saí em busca de um vendedor de óleo de coco e quase não pude achar. O único que encontrei depois de muita procura me disse que fazia sempre, mas não dava pra quem queria; no momento tinha apenas uns dois dedos. "Quer?" "Quero!" E comprei por 5 reais. Mas aquilo não dava pra nada, pois minha mulher se empolgara com a coisa e queria tomar umas duas colheres por dia, conforme ouvira um especialista aconselhar, para prevenir enfermidades diversas e para ficar magérrima como Giselle Bünchen. Ela lembrou-me da avó que utilizava o óleo para amolecer feridas, para estirar os cabelos... mas advertia: não pode ser bebido! Então decidi: eu mesmo extrairia o óleo. Primeiro fui ao Google, que é o mais entendido no tema atualmente. Lá encontrei a receita. "Muito simples", pensei, e fui à rua atrás de cocos.

Comprei dois grandes, cheios d’água. A receita dizia que com quanto mais água melhor. Não deveriam ser muito secos. Quando falei do propósito, o vendedor me disse que óleo de coco é um santo remédio, mas que não é todo mundo que consegue fazer. Tem que ter a cabeça boa, disse ele, e sua afirmação foi confirmada por uma senhora que se achava ao lado. Disse que se a pessoa não tiver a cabeça boa, usa um bocado de coco e no final não dá nada. “É uma ciência”, arrematou o vendedor. Fiquei sem saber o que eles queriam dizer com cabeça boa e saí dizendo a mim mesmo: “Se cabeça boa for o que estou pensando, vou me tornar o maior produtor de óleo de coco da região!”

Fui à procura do rapa coco. Havia de dois tipos: um com cabo de madeira, normal, e outro de alumínio em formato de peixe. Ainda podia optar entre rapa coco com ou sem furo para passagem da raspa. Optei pelo de alumínio por parecer-me mais resistente. Pensei nos muitos cocos que a partir daquele teria que raspar para obter o precioso óleo. Pechinchei com o vendedor e enquanto pedia o abatimento chegou um senhor, também mangaieiro; este me contou a história de alguém desenganado pelos médicos, que tomara óleo de coco e ficara totalmente curado. Ainda hoje tá vivo! “Abaixo de Deus, meu filho, não há remédio melhor! Pra problemas nas partes, na prosta, é tiro e queda!”. Um senhor ao lado, ao ouvir a menção a Deus, tirou o chapéu e confirmou o dito.

Quando estava pagando o rapa coco, chegou a mulher do vendedor. Fui informado por este que a mulher dele também produzia óleo de coco, mas que o óleo dela era muito caro. Acrescentou: Essa mulher não tem a cabeça boa, professor. Pra fazer um litro de óleo ela gasta uns cem cocos! A mulher não gostou do que ouviu e replicou: “É não, abestalhado. É que o óleo é pouco mesmo. Vai fazer pra tu ver!” O pior veio depois quando o mangaieiro disse por quanto havia vendido o rapa coco. A mulher disse que ele é que não tinha a cabeça boa e ficava falando dela. Daquele jeito eles iriam à falência. Onde já se viu, o rapa coco tinha sido comprado por um preço alto e ele estava me entregando quase de graça. Ele retrucou que aqueles rapa cocos estavam boiando fazia tempo. Era melhor vender que deixar encostado. Ela disse: Foi mesmo que dar o rapa coco a ele. “Pronto!”, disse o vendedor. "Faz de conta que eu dei de presente a ele nesse começo de ano." Para desfazer o clima e dando uma de quem não tinha nada a ver com o “peixe” – resistindo firmemente ao impulso de devolver o rapa coco ou à ideia de pagar alguma diferença - perguntei o valor do óleo e ela me ofereceu uma garrafinha de nada – um protótipo - por vinte reais. Saí em silêncio enquanto o vendedor dizia: “Eu não disse que o óleo dela era caro, professor?”

Na verdade eu estava muito feliz ante a possibilidade de extrair meu próprio óleo, em condições higiênicas desejáveis e a baixo custo. Ah, faltou um detalhe: antes tive que comprar um liquidificador – elemento imprescindível conforme vi na receita. O nosso não prestava mais pra nada. Chegando em casa, dei início à grandiosa tarefa de produzir o miraculoso líquido que, junto a outros cuidados que estou tendo, me permitirá ultrapassar a casa dos cem completamente saudável, com o vigor de um adolescente. Parti o primeiro coco, enorme, mas estava podre, tive que descartá-lo. Fui para o segundo e deu certo. Com o peixe de alumínio nas mãos, pus-me a raspar a deliciosa polpa branca quando, de repente, graças à minha inabilidade, ao invés de raspar o coco raspei o pulso direito (sou canhoto). Os dentes metálicos do peixe deixaram quatro rastros vermelhos e lá se foi a higiene pretendida pois parte da polpa ficou ensanguentada. "E agora?", pensei. Fui ao frasquinho onde estavam os dois dedos de óleo adquiridos a duras penas e apliquei algumas gotas no pulso, pois aprendera que pra ferimentos não há melhor. Depois de isolar a parte sulcada, retomei a árdua tarefa, ciente de seu alto grau de periculosidade. Ainda bem que eu tinha um coco de reserva, comprado na semana anterior (um só me parecia insuficiente). Parti este terceiro apreensivo, mas vi que ele já estava largando o óleo naturalmente. Pareceu-me no ponto.

No liquidificador coloquei a rapa com a água recolhida dos próprios cocos e esbagacei tudo. Escorri o leite numa peneira, coloquei o bagaço num pano e espremi até fazer caretas. Era o leite pingando e o suor caindo. Agora, vinha a parte pior: ter que esperar quarenta e oito horas, conforme prescrevia a receita, para que, incubados num lugar completamente escuro, os componentes do coco se separassem naturalmente. Passei o sábado e o domingo na maior ansiedade. Eu queria fazer aquilo sozinho. Não permitiria que alguém metesse a mão em meu precioso óleo pelo qual até sangue verti. No domingo à tardinha fui à vasilha, guardada “debaixo de sete chaves” na despensa. Despi-a com delicadeza, como um recém-casado despindo a esposa. E o que vi na vasilha de vidro? Duas camadas. Uma enorme, líquida, tendo por cima uma baba branca, fininha, que me pareceu ser algum bagaço de coco que escapara pelas malhas do tecido. Tirei aquela baba. Minha esposa, sabedora dos múltiplos usos do coco, pediu para tentar fazer algo com ela. Quem sabe, se levada ao fogo não daria uma farofa?

Na vasilha ficou uma quantidade enorme de líquido. Pensei comigo: Agora vem a penúltima parte da receita. Vou colocar o líquido numa garrafa plástica e deixar passar um tempo. Depois de mais 3 ou 4 horas o óleo se separará da água e eu terei o precioso remédio para muitos dias. A última etapa seria colocar a garrafa plástica com os líquidos separados no congelador para que se solidificassem. Por fim, deveria cortar o recipiente rente à faixa do óleo e ufa: em temperatura ambiente deixaria que o óleo extraído a duras penas voltasse à sua forma natural. Nessa bendita noite, tão cheia de expectativas, minha sogra (mulher que conhece coco como a palma da mão. Quenga, por exemplo, ela diz conhecer à distância) veio jantar conosco e provou da deliciosa farofa preparada por sua filha. Eu também comi e achei-a um manjar dos deuses. Pena que era tão pouca! Quando a amada sogra – única da espécie que me faz ter ofiofilia - foi à geladeira e viu a garrafa no congelador, perguntou o que era. Minha esposa explicou o processo todo, a história da baba que eu tinha descartado... “Vote!”Exclamou a Micrurus corallinus, “e ele vai fazer o óleo com quê?” Em seguida explicou que o óleo se achava justamente na baba que eu havia pretendido jogar fora.
Bem, o que restou disso tudo? Muitas risadas naquela noite, que atrapalharam nosso sono; quatro riscos no pulso, parecidos com marcas deixadas por unhas de gato; uma garrafa Peti com uma substância que minha esposa vai tentar transformar em farofa ou vinagre de coco e um desejo enorme de saber onde posso comprar o óleo virgem, barato, produzido sem cozimento.




segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Fórum Potiguar de Cultura é amanhã - Débora Raquiel

http://www.youtube.com/embed/kXCfg_cs2vQ


Natal - Representantes de 16 segmentos ligados às manifestações culturais estarão
reunidos em Natal na próxima terça-feira (28), durante o II Fórum Potiguar de Cultura.
O objetivo é reunir a classe artística e estabelecer diretrizes para a cultura no Rio
Grande do Norte. Durante o evento, que será realizado no auditório do Instituto Federal
de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte, ocorrerá o lançamento
da Cartilha das Diretrizes. O documento foi baseado nos encaminhamentos da edição
anterior e foi editado pelo Sebrae no Rio Grande do Norte.
Um dos temas que serão discutidos no Fórum será a economia criativa, termo criado
para nomear modelos de negócio ou gestão em atividades, produtos ou serviços
desenvolvidos a partir do conhecimento, criatividade ou capital intelectual e que visam
a geração de trabalho e renda. Grande parte dessas atividades vem do setor de cultura,
moda, design, música e artesanato. Outra parte, do setor de tecnologia e inovação como
o desenvolvimento de softwares, jogos eletrônicos e aparelhos de celular.
“O Fórum é uma forma de reivindicar para a classe artística representatividade e voz,
pensando no que é melhor para o meio cultural do Estado. Infelizmente, a produção
intelectual ainda é muito restritiva em termos de recursos”, explica a gestora do projeto
Sebrae 2014 de Produção Associada à Cultura, Cátia Muniz.
Outro assunto pautado pelo Fórum é a recente aprovação da lei que criou o Fundo
Estadual de Cultura, no final de 2011. Devem participar das discussões representantes
de 42 municípios do Rio Grande do Norte com representatividade no meio cultural
dessas cidades. O encontro funciona para discussão de temas imprescindíveis para
a construção do Plano Estadual de Cultura, especialmente no quesito paridade e
participação da sociedade civil organizada na construção desse plano.

HIGIENE BUCAL - Gil Hollanda


Com palito
e fio-dental

não há rimas
entre os dentes

versos brancos

Espaço Cultural “Bocal Bar” – Um Point do Sertão em Natal - Epitácio Andrade

Localizado na Rua Sucupira, número 320, em Nova Parnamirim, na grande Natal, o espaço cultural “Bocal Bar” do músico Cláudio Saraiva é um lugar de diversão e lazer para ativistas culturais e congrega grande parte da comunidade patuense residente ou visitante em Natal, capital do Rio Grande do Norte.
Foto: Epitácio Andrade
“Bocal Bar” na Rua Sucupira em Nova Parnamirim


Grande parte da formulação do livro “A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante”, do médico e pesquisador social Epitácio de Andrade Filho aconteceu nas dependências deste espaço cultural. Ainda no formato de “boneca”, o livro foi apresentado ao economiário e fomentador cultural Francimar Godeiro, “Atimar”, no espaço “Bocal Bar”.

Foto: Luiz Eduardo
Autor de A Saga dos Limões apresentando a “boneca” a Atimar
Funcionando de 4ª-feira a domingo, a partir das 10 horas, o espaço cultural “Bocal Bar” serve diversas bebidas e variados tira-gostos, além de apresentar sempre uma programação cultural, incluindo a intervenção musical do proprietário Cláudio Saraiva, que recentemente, recebeu para um bate papo o cantor e escritor caraubense Dudé Viana.

Foto: Epitácio Andrade

Proprietário Cláudio Saraiva recebendo o escritor Dudé Viana
Para o funcionamento do “Bocal Bar”, Cláudio Saraiva recebe o apoio de amigos e familiares, que comparecem assiduamente as atividades desenvolvidas no espaço cultural.


Foto: Epitácio Andrade
Fachada principal do “Bocal Bar”
Um freqüentador do Espaço Cultural “Bocal Bar” é o advogado e auditor fiscal pauferrense Fernando Diógenes Júnior. “Sempre deixo meu carro num lava-jato da Avenida Airton Sena, caminho um pouco até o Bocal Bar, para participar das atividades do espaço cultural, além de curtir toda a simpatia do proprietário Cláudio Saraiva”, comentou Diógenes Júnior sobre as vantagens de freqüentar o point do sertão na grande Natal.
Foto: Epitácio Andrade
Advogado Fernando Diógenes Júnior
Para o desenvolvimento das atividades culturais, são distribuídas mesas e cadeiras na área sombreada por árvores, de forma que os freqüentadores permanecem confortáveis e participantes.

Foto: Epitácio Andrade
Área sombreada do Bocal Bar


 
Nestes próximos dias, o Espaço Cultural “Bocal Bar” estará programando diversas atividades culturais, como shows musicais, exposições artísticas e rodas de conversas culturais.


 

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Eu e meu violão - Nailson Costa


Tenho uma mão nervosa
Que ejacula letras em vão
Tenho sorve...tes de espinhos
Guardados num violão
Tenho surdez e gagueira
Com cacimba de torneira
Nas linhas de minha mão.

Tenho um violão calado
Num cantinho de minh’arte
Tenho nozes em bolhas
Com tiros de bacamarte
Tenho uma trincheira ferida
E uma revolta querida
Cravadas num estandarte. 

Tenho um violão nervoso 
Na solidão de seu espaço
Tenho um molho de brasas
Com virtudes do cangaço
Tenho gagueira e surdez
E uma grande insensatez
Nos acordes que eu faço.
 
Tenho um violão tristonho
Calado com letras cálidas
Tenho um bolo de fumaça
Em minhas vontades pálidas
Tenho luz, controle e censor
E a precisão dum professor
um violão de canções válidas.

TUDO O QUE O TEMPO ME TOMOU – Ademar Macedo


Remexendo os cascalhos da lembrança
pra saber o que eu tinha na verdade,
vi que resta bem menos da metade
do que eu tinha no tempo de criança;
até mesmo um restinho de esperança
meu ingrato destino carregou;
a minha perna esquerda gangrenou
transformando um atleta em aleijado,
quando volto um minuto no passado
vejo tudo o que o tempo me tomou...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A MINHA FILHA MARIA DO ROSÁRIO – Cosme Ferreira Marques





(No seu terceiro aniversário)


Três anos de existência você galgando

Na escada ascendente desta vida;

Linda flor, no jardim desabrochando

Minha rosa entre as demais querida.



E hoje, teu natal comemorando

O teu lar, a tua pobre guarida,

Sente-se feliz, seu anjo adorando,

Rainha da festa, tão bela, tão garrida.



Queiras, pois, minha filha, aceitar

Este verso, como a melhor lembrança

De um dia de tua vida de criança.



E o meu presente, é o que passo a te ofertar,

Guarda-o no coração, o teu sacrário,

Guarda-o bem, Maria do Rosário.



17 de agosto de 1942


TEU OLHAR É TROVEJO DE INVERNADA - Hélio Crisanto


Como a onda que bate e deixa espuma
Teu encanto chegou de sobressalto
Invadindo meu mundo de assalto
Como vento que passa e deixa bruma
Teu sorriso me acalma e me perfuma
Transformando meu mundo mais perfeito
Se te amar demais é meu defeito
Mas a alma se sente aliviada
Teu olhar é trovejo de invernada
que inunda a vazante do meu peito.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

SOBRE NOSSA RÁDIO


Esta rádio foi feita com carinho para tornar vocês, leitores e leitoras, mais felizes, sensibilizados e informados.

Gostaríamos de saber a opinião de quem nos ouve sobre o repertório e em que poderíamos melhorar.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

SE EU PUDESSE COMPRAVA A MOCIDADE –Geraldo Amâncio



O grande repentista Geraldo Amâncio, a quem tivemos o privilégio de assistir nesse início de ano em Japi, mostra seu brilhantismo nesta estrofe antológica que nos enviou Ademar Macedo:


Olho a tela do tempo e me torturo
vejo o filme do meu inconsciente,
meu passado maior que o meu presente
meu presente menor que o meu futuro;
se a velhice é doença eu não me curo,
que os três males que atacam um ancião:
são carência, desprezo e solidão,
e é difícil escapar dessa trindade;
se eu pudesse comprava a mocidade
nem que fosse pagando a prestação.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Autorretrato - Goimar Dantas





Eu sou a menina da ri...ma,
bailarina de retina,
nordestina da toada,
potiguar lá do Cordel.
Filha de Pedro e Maria,
neta do seu Zé Dantas
e sua amada Luzia.
E também de Pedro Horácio
e da sagaz vó Maria.
Sou fruto da terra seca.
Amante do som da chuva.
Do estrondo do trovão.
Da melodia do mar. 

Feliz vassala dos textos,
da prosa, da sintonia,
do engenho da palavra:
eu sou a febre de amar
Eu venho de outras paradas,
do Rio Grande do Norte.
Daquele sertão sem sorte,
mas cheio de poesia.
Gene das gentes bravias,
dos violeiros da feira,
das histórias infinitas
que nunca vão se acabar.
Espécie de Sherazade
que narra ao raiar do dia,
dorme sonhando versos
e acorda pra lapidar.
Eu tenho a pele morena,
do sol dos meus ancestrais,
que ardiam noites e dias,
sempre querendo mais.
Eu trago o verbo na alma,
escrevo sem ter papel,
desafio na embolada:
eu sou linha e carretel.
Sou fã de Manuel Bandeira,
de Carlos Drummond de Andrade
e penso que Adélia Prado é
anjo que vem do céu.
Entendo que Hilda Hilst,
pitonisa da paixão,
foi condutora de um tempo,
da marcha do coração.
Eu quero é parir poemas,
dar à luz nas madrugadas,
achar a palavra exata
na hora em que precisar.
Eu sou fiel aos meus livros,
e a vontade insaciável,
de descrever o não-dito,
tesouro bom de encontrar.
Sou Diana Caçadora
e vivo de articular
idéias soltas no espaço,
tramas em pleno ar.
Eu sou lápis apontado,
nasci para registrar,
para versejar enredos
e personagens sem par.
Se ainda não me conhece,
atente! Pode apostar,
meu nome é bem diferente.
Prazer, eu sou Goimar.

São Paulo, às 12h30
14/01/2007


domingo, 19 de fevereiro de 2012

MENSAGEM POÉTICA DE MAURÍCIO ANÍSIO

Caro Gilberto,
um abraço.
Me desculpe a ousadia,
se falo no que voces chamam de poesia,
de um tema tão esquecido:
os revolucionários arrependidos.
Não do que fizeram, mas do que hoje presenciam.
 As migalhas biblicas nas mesas
 de muitos brasileiros famintos,
 isso é o que sinto.
 Um País tão enorme e fértil,
pra que a fome existir?
 Se todos sabem produzir alimentos em fartura,
 mas que amargura!
 O capitalismo feroz, esse a todos destrói.
 O lucro é o farol que guia as máquinas,
as fazendas, os bancos e tudo não causa espanto
 no coração dos comandantes dessa sociedade cruel
que troca o mel pelo fel,
 gerando monstros ferozes
 que nas esquinas são algozes
dos que vivem de sonhar.
Preciso eu mais falar
dessa vida insegura?
 Não foi isso que tombou muitos mártires
ainda jovens, levados  à sepultura,
na época da Ditadura.
O que nos levou ao sacrifício foi um sonho diferente,
onde toda essa gente
maltrapilha injustiçada
subisse na calçada
 da vida mais decente.
Queríamos o pão para todos,
 terra para produção,
liberdade para o cidadão
como num paraíso sonhado,
queríamos ouvir o machado
derrubando a injustiça,
não ter mais a preguiça
 dos que mandam trabalhar,
 queríamos  escutar
os risos da criançada,
não sendo mais explorada
nas labutas indecentes,
 que seus pais simplesmente
recebessem a partilha
de uma produção coletiva
que todos satisfeitos pudessem cantar
 a liberdade real,
 condenando o Capital
e glorificando a Vida.

Desculpe-me e muito obrigado.

Seu amigo,
Mauricio Anisio. 

MÁSCARA TRANSPARENTE - Fátima Abreu


Caiu a máscara
Do mascarado
Que há dias não aparecia
MÁSCARA TRANSPARENTE
Quem olha percebe
O que lhe vai na mente...

O mascarado se escondeu no Carnaval
Mas deixou traços
Do seu descaso
Máscara, caída no Carnaval
Ironia...
Para que tanto rodeio
Se era mais fácil
Dizer a que veio?

O mascarado agora sente remorso
De ter deixado a colombina sozinha
A máscara caiu
A dor sentiu...

Não há volta
Quando o vento se revolta
Sou movida pelo vento
Será esse meu veredito:
Não, não e não!
De promessas vãs
Não me consumo mais
Tenho outros que me amam
Não te preciso mais

Vai, mascarado de Resende!
Máscara transparente...
Cumpre teu destino
Eu, sigo o meu...
Tenho quem me acalentar
E você, terá?

http://sitedepoesias.com/poesias/74581

sábado, 18 de fevereiro de 2012

TROVAS ENGRAÇADAS DE CARNAVAL - coletadas por Ademar Macedo


No carnaval se proteja,
Se previna e se controle,
Pois sob ação da cerveja
Pode aumentar sua prole.
–Marcos Medeiros/RN–
 
Sambando quase pelada
no Bloco do “Vai sem Medo”,
Paulete foi mais cantada
que o refrão do samba-enredo!
–Aloísio Alves Da Costa/CE–
 
Durante o pagode inteiro,
foi aquele repeteco:
ela - agitando o pandeiro;
e eu atrás... no reco-reco!
–Antonio C. Teixeira Pinto/DF–


O Cornélio – Que ironia! –
vai de touro ao carnaval!
O couro é da fantasia...
mas o chifre... é original!
–Heloisa Zanconato Pinto/MG–

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Nos Carnavais - Ademar Macedo

Nos Carnavais sempre eu sofro
do princípio até o fim,
pois sou aquele palhaço
travestido de arlequim,
e envolto na multidão
sinto um mundo de ilusão
sambando dentro de mim...
       O autor

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A MINHA FILHA MARIA DO ROSÁRIO (no seu quinto aniversário) - Cosme Ferreira Marques

Cosme Ferreira Marques


Nos teus anos, nada te ofereço
Nada, filhinha, eu posso dar-te,
apenas esta data não esqueço
de cedinho, minha filha, abraçar-te.

Inda dormias, risonha, no teu berço
o meu prêmio, filha, foi beijar-te
como mimo, eu dou-te este verso
mimo tão pobre, coitado, tão sem arte.

Mas ele, minha filha, tem valor...
tem meu coração cheio de amor
que para os filhos é santo hostiário,

meu anjinho, eu peço-te, aceitai
como pálida lembrança de teu pai
um beijo paternal, MARIA DO ROSÁRIO.


Santa Cruz, 17 de Agosto de 1945





Poeta Marcos segurando o livro
CANASTRA VEIA, do qual fez a fotocópia







Neste Brasil de “Caboco” sem “Mãe Preta e Pai João” - José Alves Sobrinho




Brasil que em Porto Seguro
Viu pela primeira vez,
Um Capitão Português
Anunciar-lhe o futuro
Habitava um povo escuro
A tropical Região
De arcos e echas à mão
Seminu e semilouco
Neste Brasil de Caboco
Sem Mãe Preta e Pai João



Solo abençoado e chique
Era o velho Pindorama
Ornado de pena e rama
Dava ordens um Cacique
Foi ali que Frei Henrique
Rezou missa e fez sermão
Pregando a Religião
A quem pra aquilo era mouco
Neste Brasil de Caboco
Sem Mãe Preta e Pai João



Os cabocos espantados
Apontavam para a cruz,
Homens de olhos azuis
Rezavam ajoelhados,
Eram os brancos batizados
Mostrando ao povo pagão
A cruz sinal de cristão
Desejando a fé em troco
Neste Brasil de Caboco
Sem Mãe Preta e Pai João



quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

SONETO ACRÓSTICO DE UM PAI FELIZ - Gilberto Cardoso dos Santos




     Foto de Débora pela primeira vez em meus braços (15.02.1998)






Escrito para o aniversário de  Débora em 15.02.2012

Dileta filha a quem amo tanto
É muito bom ter uma filha assim
Bondosa e meiga, cheia de encanto
O que melhor a vida deu pra mim.

Recordo os dias bons que já tivemos
As alegrias que você nos deu
Foram momentos que não esquecemos
Entesourados estão no meu eu.

Raros os pais que assim podem falar:
Nada nós temos para reclamar
A sua vida só trouxe alegrias

Nunca esqueça:  muito a amamos
Dias felizes, é o que desejamos
Agora e sempre, todos os seus dias.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

RUGAS DA ANGÚSTIA - Marcos Cavalcanti



Ao poeta Antônio de Pádua Borges

Encontrei tristonho o poeta,
No seu rosto a angústia enrugada
E em sua consciência descoberta
Divagações de uma vida amargurada.

Entendi que a vida é ilusão
Neste mundo de máquinas insensíveis,
E cheguei à óbvia conclusão
Que poesias e poetas são invisíveis,

Que os homens desprezam a sabedoria,
Que não há mais lugar pra poesia
No tempo e no espaço da contemporaneidade.

0 tempo obsoletizou os poetas,
0 espaço despejou os profetas
E o mundo perdeu a espontaneidade.

Livro IMAR GINÁRIO


 ARRUGAS DE LA ANGUSTIA

Al poeta António de Pádua Borges

Encontré triste al poeta,
En su cara la angustia arrugada
 Y en su conciencia descubierta
Divagaciones de una vida amargada

Entendí que la vida es ilusión
En este mundo de máquinas insensibles,
Y llegué a la obvia conclusión
Que poesías y poetas son invisibles,

Que los hombres desprecian la sabiduría,
Que no hay más lugar para la poesía
En el tiempo y en espacio de la contemporaneidad.

 El tiempo quedó obsoleto para los poetas,
El espacio despejó los profetas
Y el mundo perdió la espontaneidad.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

RECORDAÇÃO DA MOCIDADE - Adonias Soares



RECORDAÇÃO DA MOCIDADE

Ó como tenho saudade
Do meu tempo de crianga
O verdor da mocidade
Nunca me sai da lembrança
Quando em nada me ocupava
E nada pra mim faltava
Eu vivia alegremente
De meus pais era mimoso
Daquele tempo ditoso
Resta saudade somente.

Tinha vida justa e séria
Tudo para mim era riso
Não conhecia miséria
O mundo era um paraiso
Alegremente eu passava
Com formiguinha eu brincava
Cheio de perseverança
Dormia tranquilamente
Daquele tempo inocente
Resta somente a lembrança.

Se aquele tempo a gozar
Que passei na mocidade
Viesse me visitar
Rebaixando a minha idade
Me trouxesse o que já trouxe
Com riso e carinhos doces
Eu me reestabelecia
Sem sofrer mágoas nem danos
Um prazo de vinte anos
Alegremente eu vivia.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Mais de uma Centena de Pessoas no Encontro da Família Limão em Luis Gomes/RN

(Arco de entrada da Serra de Luís Gomes - Foto Epitacio Andrade)

Na noite do último dia 07 de Fevereiro, na Serra de Luís Gomes, no alto oeste potiguar, o escritor Epitácio de Andrade Filho conseguiu reunir mais de uma centena de pessoas da Família Limão, cujos membros ficaram imortalizados na literatura sobre o cangaço, como os principais algozes do cangaceiro Jesuino Brilhante (1844-79).

A platéia do encontro cultural esteve constituída por delegações das cidades de Pau dos Ferros, Major Sales, Caicó, além de Luís Gomes, municípios do Rio Grande do Norte, que também foram sítios de ação do cangaço dos “Brilhantes com os Limões”, na segunda metade do século XIX.
Foto: Sgt Piragibe
Auditório lotado em Luís Gomes
O Museu “Escravo Jacó” foi gentilmente cedido para a realização sócio-cultural, pelo professor de história e vereador Luciano Pinheiro, que fez a abertura dos trabalhos da noite e deu as boas vindas às delegações participantes.

Reprodução: Tiara Andrade
Professor Luciano Pinheiro dá boas vindas aos presentes
O sargento William Felix Andrade, que é primo do médico psiquiatra e pesquisador social Epitácio de Andrade Filho, apresentou o autor de “A Saga dos Limões – Negritude no Enfrentamento ao Cangaço de Jesuíno Brilhante” aos membros da Família Limão, presentes ao evento histórico-cultural.

Reprodução: Tiara Andrade
Sargento Andrade apresentando o autor de “A Saga dos Limões”
A Família Limão recebeu festivamente o capitão médico Epitácio de Andrade Filho, que convidou à mesa principal o empresário Raimundo Nonato, representando a família de Pau dos Ferros; a professora Consolação Limão, representante do clã no município de Major Sales; a octogenária Ana Limão, pertencente aos Limões de Luís Gomes; e o construtor civil José Rodrigues Alves (Zé Limão), natural de Patu e residente em Caicó, dando conformação a heterogeneidade da família, que resistiu ao recrutamento forçado para a Guerra do Paraguai (1865-70), participou da Insurreição dos Quebra-quilos (1874-75) e enfrentou o cangaço de Jesuíno Brilhante (1871-79).

sábado, 11 de fevereiro de 2012

LIÇÃO DE GRAMÁTICA

Deífilo Gurgel - Poema e Homenagem - Hélio Crisanto



EPITÁFIO

Este foi um homem feliz.
Trabalhou em silêncio,
sua ração cotidiana
de humildes aleg(o)rias
Nunca o seduziu a glória dos humanos
Nem a eternidade dos deuses.
Fez o que tinha de fazer:
repartiu o seu pão entre os humildes,
defendeu como pôde os ofendidos,
semeou esperanças entre os justos,
e partiu, como tinha de partir
feliz com sua vida e sua morte

Deífilo Gurgel
Natal: 27.09.1994



A cultura Norte-Riograndense está de luto. Morreu na segunda-feira, dia 06, Deífilo Gurgel aos 85 anos de idade.  Poeta,  Pesquisador, Advogado e um dos maiores folclorista do Brasil. Nascido em Areia Branca e radicado em Natal, ainda criança já se deliciava com as apresentações de pastoril e boi de reis. Foi sem dúvida, junto com Câmara Cascudo um dos  maiores pesquisadores culturais do nosso estado, e orgulhava-se de ter descoberto figuras como Dona Militana, o Poeta Chico Antonio, Fabião da queimadas e o mamulengueiro Chico Daniel. Vasto também foi o seu legado literário: Além de mais de 300 romances registrados, escreveu: “Cais da Ausencia” seu primeiro livro, “Os dias e as noites”, “Sete sonetos do rio e outros poemas”, “Areia Branca, a terra e a gente”, “Bem Aventurados”, e o “Romanceiro Potiguar” obra que considerava a mais importante de todas, e morreu sem ver publicada esta preciosidade. Vejam o poema “Epitáfio” de sua autoria, e sintam a grandiosidade da alma deste ilustre poeta: “Este foi um homem feliz, trabalhou em silêncio, sua ração cotidiana de humildes alegorias, nunca o seduziu a glória dos humanos, nem a eternidade dos Deuses, fez o que tinha de fazer: repartiu o pão entre os humildes, defendeu como pôde os ofendidos, semeou esperanças entre os justos, e partiu como tinha de partir; feliz com sua vida e sua morte”.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

CHOREI PISANDO O TERREIRO DO CASARÃO DESPREZADO - João Paraibano


Nessa casa que foi minha
Um caibro quebra, outro estala;
Só tem poeira na sala
E pucumã na cozinha;
Em cada ponta de linha
Tem um cupim arranchado,
E um "boca torta" assanhado
No buraco do banheiro...
Chorei pisando o terreiro
Do casarão desprezado.

Como ensinar e aprender na era da Geração Y, Geração Net, Geração Digital e Geração Rede? (João Mattar)

              
              Este texto foi escrito pelo colega João Mattar, um dos maiores especialistas na área da educação digital no Brasil. O texto refere-se ao prefácio do meu livro (Novas Tecnologias: desafios e perspectivas na Educação). -
Professor Ivanilson Costa

Integrar adequadamente tecnologia e educação para que professores possam ensinar em um novo cenário e alunos possam aprender melhor é um dos grandes desafios que enfrentamos nas últimas décadas, que se acentuou com o surgimento da internet em larga escala na década de 1990, com o desenvolvimento de mundos virtuais como o Second Life a partir neste milênio e, mais recentemente, com a incorporação das redes sociais à educação. O espaço, tanto para a reflexão sobre essa integração quanto para sua aplicação é o universo da tecnologia educacional ou, expressão utilizada neste livro, informática educativa.

Com este texto, Ivanilson Costa registra sua contribuição tanto para a discussão teórica quanto a prática do uso educativo da informática. Sem ser raso nem confuso, ele consegue costurar perspectivas importantes de vários autores, como Jean Piaget, Alvin Toffler, Philippe Perrenoud, José Manuel Moran, Paulo Freire e Seymour Papert. Com essa fundamentação, ele discute de forma fluida a integração das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação (NTIC) à educação e ao currículo, a relação entre as NTIC e o lúdico e a formação de professores, dentre outros temas.

Neste livro, leitor, você passeará por conceitos interessantes como internetês, alfabetização digital e freeware, e terá também uma ideia de como dispositivos diversos, como celulares, ipods, games, wikis e blogs podem ter seu lugar na educação das novas gerações que recebemos em nossas escolas e universidades. Mas com a ressalva - e esta é uma das mensagens principais deste livro - de que o professor continua a ter um lugar privilegiado no processo de ensino e aprendizagem que utiliza essas ferramentas ou tecnologias. Como afirma o Ivanilson: “A tecnologia sozinha não potencializa a aprendizagem se não for aliada à prática pedagógica do professor.” Ou numa bonita citação: “Nada substitui um bom professor que sabe muito e consegue dividir seu conhecimento numa relação respeitosa e construtiva com seus alunos. O computador em sala de aula é um simples instrumento que pode ser potencializado por um bom professor”. (BONIS, 2000 apud MERCADO, 2002).

Nesse sentido, o livro insiste na importância da formação interdisciplinar e colaborativa de professores, como passo essencial para nosso país conseguir enfrentar – e vender – este desafio.

Delicie-se então com a escrita agradável e equilibrada de Ivanilson Costa, cujo objetivo é transformar sua visão sobre informática educativa e sua prática em sala de aula – ou em ambientes virtuais de aprendizagem.

* João Mattar é bacharel em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP, Bacharel em Letras (Português, Inglês e Francês) pela Universidade de São Paulo - USP, Mestrado em Tecnologia Educacional pela Boise State University - USA, Doutor em Letras pela Universidade de São Paulo e Pós-Doutor pela Stanford University – USA.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

QUEM NUNCA VIU TUDO ISSO NÃO SABE O QUE É SERTÃO - Hélio Crisanto


A meninada pulando
Na sangria do barreiro
Um bem-te-vi beliscando
Na frutinha do facheiro
Pé de feijão imbonando
Milho soltando o pendão
Romaria e procissão
Pra adorar Padim Ciço
Quem nunca viu tudo isso
Não sabe o que é sertão.

NÃO BASTA SER ÁGUA - Gilberto Cardoso dos Santos







Virou moda consumir água mineral, seja pela praticidade, seja pelo sabor ou pela ideia de tratar-se de uma água melhor. No nosso caso específico, a constante falta d'água acaba contribuindo para que tenhamos esse gasto extra.
Todavia, todos faríamos muito bem se, além de consumir água mineral, parássemos pra dar uma olhadinha no rótulo da que consumimos. Ali, como ocorre com as carteiras de cigarro, há informações obrigatórias para as quais quase não atentamos. Algumas marcas que não atendem aos padrões as colocam, ainda que constrangidos, mas não devem se preocupar muito pois raramente alguém tem noção da importância do que ali está escrito e para pra ler as letras miudíssimas.
No rótulo acima, escolhido aleatoriamente para ilustrar a presente matéria, lemos: 
“Conservar em local seco, fresco e evitar exposição aos raios solares. Mantenha longe de produtos que exalem odores fortes.”
Aqui temos o primeiro dos graves problemas com a água cara que eu e você consumimos. Vejo passar perto de minha casa carros cheio de garrafões, com as carrocerias descobertas. Provavelmente essa água vem da capital exposta ao sol e aqui prossegue enquanto o representante vai de supermercado em supermercado, de mercadinho em mercadinho. Certamente você já viu motos conduzindo água mineral e bujão lado a lado, seja num carroção, seja na própria moto. E isso sob sol causticante. Aliás, a dobradinha bujão/água mineral é muito comum. Passam diante de nós tais recipientes aos solavancos, postos lado a lado e se tocam, ainda que de leve, apesar da exigência de que a água ideal não tenha cheiro (água sem gás com gás!). Na outra semana, enquanto o carro passava por minha porta em direção ao mercadinho próximo, liguei para o proprietário e solicitei a ele que apresentasse tal problema ao vendedor. Ele me agradeceu e disse que apresentaria o problema ao entregador. Também é comum encontrarmos garrafões ao sol, em porta de estabelecimentos comerciais por falta de espaço ou para fazer propaganda.
 
 
Qual o problema com o sol? Por que os engarrafadores são obrigados a colocar tal aviso? É que o sol em contato com o plástico provoca na água a liberação de xeno-estrogênio, uma substância perigosa que surgiu como efeito colateral do desenvolvimento tecnológico, capaz de provocar câncer e diminuição na libido. Tal substância, depois que se aloja no organismo dá trabalho a sair. Literalmente, é preciso derramar muito suor para que isso ocorra. Mesmo assim, sua eliminação não ocorre cem por cento e muitos são os males que podem provocar.
 
Como se não bastasse, o garrafão de plástico – originário de substâncias tóxicas, petrolíferas - interfere no sabor da água, principalmente depois de exposto ao sol. Experimente tomar água em garrafa de vidro e notará diferença no gosto.
Outra coisa a se levar em conta ao comprar água é o pH, ou potencial Hidrogeniônico da água. O pH da água ora analisada é de 5,16.
A saúde do corpo está diretamente relacionada ao seu pH. Quem consegue mantê-lo no nível correto mantem-se imune a muitas enfermidades e tem tudo para viver mais. Como nosso corpo, dominantemente, é composto por água, é necessário que demos a maior atenção àquilo que ingerimos. Não basta ser água. Não basta ser H2O! 
Lemos no rótulo, desta vez em letras grandes negritadas: “NÃO CONTÉM GLÚTEN
 
Para a maioria de nós tal informação passa despercebida e não tem qualquer importância. Todavia, é importantíssimo que a nossa alimentação diária esteja livre dessa substância. Após ingerida, ela transforma-se numa espécie de cola, gruda nas paredes intestinais e provoca, entre outros males, o aumento da gordura na região do abdômen. Se eu disser que ela também pode provocar enxaqueca e depressão, acreditem. Nesse quesito a DAFÉ merece fé.
Acho dispensável aqui me estender sobre o quanto temos prejudicado o meio-ambiente com os recipientes plásticos de água mineral que atiramos fora.
Por fim, melhor que consumir água mineral dentro das condições acima expostas (já que não temos acesso direto a fontes límpidas e cristalinas), é consumir a água que nos vem pela torneira.
De acordo com a Portaria 518/04 do Ministério da Saúde a faixa recomendada de pH na água distribuída deve estar entre 6,0 a 9,5. A nossa está entre 6,0 e 9,0.
Alguém poderá retrucar que o sabor da água que nos chega (quando chega) pela torneira é desagradável, não se compara com o da mineral. Bem, ela nos chega pronta para ser bebida (apesar do cloro, dúbio em seus efeitos) mas, para resolver isso, você poderá adquirir um filtro de barro, um daqueles que antigamente tínhamos em casa (custa menos de 50 reais um), apresentado por pesquisadores americanos como o mais eficiente de todos. Há também os filtros que você pode acoplar à torneira da cozinha e as velas e filtros de carvão ativado que são de extrema eficiência na eliminação de odores, bactérias, metais pesados e de cloro. Para alguém que esteja pensando “isso deve ser caro”, pense no quanto você economizará ao longo de um ano deixando de comprar água engarrafada.
Portanto, senhores e senhoras consumidores de H2O, juntem-se a mim, de algum modo, no combate a esse problema que afeta a todos. Se queremos continuar a consumir água mineral, passemos a ler os rótulos das que consumimos ainda que, para isso, tenhamos que adquirir uma lupa; exijamos que ela seja trazida em condições ideais da fonte até o estabelecimento comercial e do estabelecimento comercial até nossa casa. Afinal, é a nossa saúde e a daqueles a quem somos fiéis até debaixo d’água que está em jogo.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A Casa de Cultura Popular comemora o resultado Prêmio Carnaval Potiguar 2012. - Débora Raquiel

Em todo o RN se inscreveram 183 projetos em todo o Estado oriundos de 31 municípios.
Divididos nas categorias de Blocos (A, B, C e D), Escolas de Samba (A e B), Festa Carnavalesca e Tribos de Índio, de todos os inscritos, somente 82 estava aptos a receber recursos que variam de R$ 50 mil R$ 8 mil R$ 6 mil e assim por diante até chegar a R$ 1 mil.
As cidades campeãs em apresentação de projetos foram Natal, com 31 projetos, seguida de Macaíba, com seis e Ceará-Mirim que apresentou 5 projetos.
Santa Cruz receberá 16 mil reais divido para os 3 Projetos campeões.
A Casa de Cultura Popular de Santa Cruz, que se dedicou nos últimos dias do mês de Janeiro na elaboração de dois projetos, teve os mesmos aprovados, e já começa a se preparar para a folia, com as entidades beneficiadas com os recursos oriundos do governo do estado.
A Escola de Samba Unidos da Ponte foi contemplada com o prêmio de 8 mil reais, o Projeto de Carnaval Mirim O Abre Alas, que estará sob a responsabilidade da professora Rosimar da Casa de Cultura, foi contemplado com 3 mil reais, e o Projeto encaminhado pelo Maestro Camilo Henrique, Frevo na Feira, também foi contemplado com 3 mil reais.
É comemorar o ineditismo dos prêmios, pois na história do RN, nunca houvera em governos passados, investimento em cultura de maneira tão democrática, por meio de editais.