APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Boas-Novas Científicas

Pesquisas com genes conseguem prolongar consideravelmente a vida de uma cobaia
 http://www.tecmundo.com.br/mega-curioso/33444-imortais-pesquisas-com-genes-conseguem-prolongar-consideravelmente-a-vida-de-uma-cobaia.htm#ixzz2DjjKQjCi


Robô com duas bombas pode salvar Terra da ameaça de asteroides
 http://www.tecmundo.com.br/astronomia/32815-robo-com-duas-bombas-pode-salvar-terra-da-ameaca-de-asteroides.htm#ixzz2DjjpnDUC


Duas pesquisas em andamento seguem caminhos diferentes para encontrar um objetivo em comum: a fonte da juventude.
 http://www.tecmundo.com.br/ciencia/16747-cientistas-conseguirao-descobrir-o-segredo-da-imortalidade-.htm#ixzz2DjkFHyeL

HAICAI DE ALESSANDRO NÓBREGA

Alessandro Nóbrega
Noite de lua cheia.
Uma nuvem chegou
e encobriu o poema.

URINOTERAPIA - Gilberto Cardoso dos Santos

Há quem faça tratamento
com urinoterapia
bebe mijo todo dia
disso faz seu alimento
parece meio nojento
não quero experimentar
quem quiser é só mijar
num  copo e depois beber
decerto não vai morrer
bom não sei se vai ficar.


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

UM APELO URGENTE DE MAURÍCIO ANÍSIO


Caro Gilberto,
boa tarde.

Estou apelando para você me ajudar a capturar uns fugitivos importantes. 
Minha esposa, por um lapso, juntou quase todos os meus livros, colocou-os dentro de caixas de papelão (que papelão!) e mandou um carroceiro entregar no IFRN/SANTA CRUZ. Quando dei por falta dos ditos livros, fiquei entre furioso e entristecido por ter perdido parte de minha vida. Fui ao IFRN mas a decepção foi maior. Lá não encontrei nenhum livro, pois não deram importância ao legado histórico. Colocaram em cima de umas mesas e me disseram que poderiam ter sido levados por algumas pessoas ou para o lixo.

Caro Gilberto, vou relatar mais ou menos a que se prestavam os livros: História da Riqueza do Homem, de Leo Huberman; Miséria da Filosofia, O Modo de Produção Asiático de Marx; Anti-During, de Engels; História da Educação em Cuba; Incidente em Antares, de Érico Veríssimo; A Necessidade da Arte, de Ernest Ficher; Diálogos, de Platão; romances policiais em francês; etc etc etc. Uma infinidade de livros, para mim, importantes.

Peço ao caro amigo que, se possível, divulgue em seu blog essa operação de captura, apelando para quem souber o paradeiro de algum desses livros, por favor nos comunique (a única recompensa é meu muito obrigado a quem fizer isso). Meu telefone: 99044036 e endereço: Rua Maria Cidalina, 221, Santa Cruz/RN.

Amigo Gilberto, me desculpe em estar lhe ocupando com esse trabalho.
Obrigado mesmo,
Mauricio.

CONTRADIÇÕES HUMANAS - Gilberto Cardoso dos Santos



José salvou 3 gatinhos
fez uma excelente ação
e após salvar os bichinhos
fez a comemoração.
Da mulher ganha um abraço
e também o melhor pedaço
de carne irá receber
neste tão terno  momento
nem pensa no sofrimento
do boi que está a comer!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

No dia da emancipação de Santa Cruz, II LUAR POÉTICO - Lucicláudio


Museu Auta Pinheiro realizará II Luau Poético nesta sexta-feira
Nesta sexta-feira, dia 30 de novembro, às 19:00 horas, o Museu Rural Auta Pinheiro Bezerra realizará o seu II Luau Poético que terá uma programação cultural diversificada.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO:

Mesa Redonda com a temática Fabião das Queimadas, de escravo a poeta;

Entrega de Comenda MÉRITO EM TRABALHO "AUTA PINHEIRO BEZERRA" para pessoas que se destacaram na cultura e na valorização e divulgação do Museu Rural de Santa Cruz;

SARAU POÉTICO com participação da Associação dos Poetas e Escritores de Santa Cruz (APOESC).









DE ONDE VEM O LIXO? - Dados surpreendentes

domingo, 25 de novembro de 2012

PÉROLAS VESTIBULARES

Vestiburradas

Redação

Vejam só o que os vestibulandos de 99 foram capazes de escrever na prova de redação, dado o tema "A TV forma, informa ou deforma?" A seleção foi feita pelo professor José Roberto Mathias:

· "A TV no entanto é um consumo que devemos consumir para nossa formação, informação e deformação." 

. "A TV se estiver ligada pode formar uma série de imagens, já desligada não."

. "A TV deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo intertida como também as vista."

· "A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas e com isso fabrica muitas cabeças."

· "A TV deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral."

· "A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer, de locomoção."

Prova de Português

. Ditongo é a repetição da música típica mais popular da Argentina.

. Preposição, conforme diz a palavra pela sua própria entomologia, é a que é colocada antes da outra que é mais importante.

. Sujeito é a pessoa com quem a gente está falando.

. Concordância é quando nós estamos de acordo com o que o outro falou.

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~> Os analfabetos nunca tiveram chance de voltar à escola.

~> Tudo vem dos seres vivos, até os seres não-vivos.

~> Como diz o ditado: é duro agradar a pobres e troianos.

~> O homem tem a capacidade infinita de evoluir, mas não sabe utilizá-la de forma segura e promíscua.

~> Os próprios seres humanos, somos mudanças ambulantes.

~> O mundo está reagindo as reações que o homem está fazendo.

~> Após cinco anos de sua introdução à sociedade, havia concluído dois cursos superiores e penetrado na vida política.

~> A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas e com isso fabrica muitas cabeças.

~> A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer, de locomoção.

Entrevista com Buca Dantas



AS LEIS NOSSAS DE TODO DIA - Maciel


Há um emaranhado de leis que dão embasamento ao ordenamento jurídico. São artigos, parágrafos, incisos, códigos, estatutos, decretos, acrescidos de regimentos, atas, normas, regras, acordos, combinados e até exceções que visam organizar, moralizar, corrigir, advertir, coibir, penalizar, na nossa casa, na rua, na blitz, no radar e previstos em sinalizações e avisos que vão desde extensas mensagens até lembretes simpáticos: sorria, você está sendo filmado!

Na verdade todos nós nos revestimos de certa autoridade ainda que em alguns momentos e situações específicas. Esse poder nos chega pela hierarquia familiar ou na empresa onde trabalhamos, pela instituição onde exercemos um cargo voluntário, pelo respaldo legal da formação acadêmica e enfim, de algum modo e até por questões que envolvem nossa própria justiça, recorrendo ainda que seja à lei do bom senso.  

E foi assim que outro dia advoguei a favor do Xote Ecológico do centenário Gonzagão, ensaiado numa versão adulterada. Cantarolava-se que nem o Chico Bento sobreviveu. Consegui devolver o Chico Mendes e socorri a música. Fiz mais pelo autor para que sua composição não seguisse a partir dali com injusta deformação, mas não fui capaz de corrigir meu sogro, aos gritos: “deem água a esse bezerro que ele também é ser humano”, nem ousaria usar de autoridade para constranger um dos nossos homens de comércio em sua felicidade pela concretização de um diálogo “à altura” com seu interlocutor:

- Me dê um copo de H2O!

Prontamente colocou um copo sobre o balcão e o encheu com água:
- Tá vendo, também sei inglês!

Em pesquisa recente descobri que O Código de Processo Penal Brasileiro criado em 1941, no Art. 244 já previa que “A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de objetos ou papéis que constituam corpo de delito...” Em minha insistência na procura achei coerente e lógica a interpretação prevista no citado artigo de que “Diante da fundada suspeita de que uma pessoa esteja na posse de arma proibida, o policial pode e deve realizar a busca pessoal, independentemente de mandado”.

Foi de posse desta informação que encontrei nos meus registros dois casos dignos de nota que aconteceram no passado em nossa cidade. Um pela passagem do sargento Macilon, junto à esposa dona Aparecida. Eles participavam, organizavam e animavam as noites de carnaval. Num desses dias seu Zé André puxou da cintura uma faca a fim de fazer um cigarro de palha. Logicamente foi abordado pelo sargento em traje carnavalesco e munido do então artigo 244:

- E essa faca?
- E o senhor quem é?
- Eu sou o delegado!
- A mim não me consta, pois eu conheço a poliça é pela roupa e pra mim o senhor tá nu.

O segundo foi com o senhor Boa Noite abordado por um policial militar diante da denúncia de que estava embriagado e portando um objeto cortante:

- Me dê a faca!
- Num dou!
- Pois teje preso!
- Num tou!

E o Código Penal no artigo 330 fixa pena para quem desobedece à autoridade.

Por justiça, deixo aqui de autoria do septuagenário Irmão Jaime, uma frase representativa daquelas que neste contexto se submetem à legislação gramatical, sem nenhuma transgressão. Foi desde quando ele negociava ao interpelar um dos seus fregueses para ser justo na cobrança da conta, tanto quanto o foi para com a linguagem formal: “Foram quantos sequilhos mesmo?” E é de meu bisavô, Fernando Vaginova, bem ali do século passado, a resposta que registro merecidamente e, ao menos no meu texto, em letras garrafais, quando foi interrogado sobre o que impede o progresso de um povo e que pode até explicar ou justificar o entrelaçamento de leis criadas sob medida para tudo e para todos: 
- A IGNORÂNCIA.

Enfim, como escreveu Euclides da Cunha quando engenhou Os Sertões, “Resumamos: enfeixemos estas linhas esparsas” que não eram esparsas, mas que aqui são bem poucas e intensamente passíveis de penalidades.

Obs. Agradeço a meu pai, Antonio Branco, pela contribuição no texto quanto aos relatos históricos.

Cantos de Trabalho - Cana-de-açúcar - Leo Hirszman

Entre 1974 e 1976, Leon Hirszman realizou três documentários produzidos pelo MEC sobre os cantos entoados pelos trabalhadores rurais nordestinos. Na trilogia há a documentação dos cantos de trabalho da cana-de-açúcar em Feira de Santana, dos plantadores de cacau em Itabuna, de mutirões em Chã Preta. "É uma espécie de partido-alto do campo, uma roda de samba no trabalho" - afirma o cineasta que confessadamente caminhava na trilha aberta por Humberto Mauro e Mário de Andrade no resgate dessa prática cultural em vias de extinção.

sábado, 24 de novembro de 2012

Os Futuros Legados - Chicola

Raio de sol que me arde na tez
Sal retirado das águas do mar
Vento que remove a fina areia
Águas mornas onde procria a baleia
Para o correto não existe o talvez
Ao se sentir em pleno direito de optar

Chuva que cai insistente e torrencial
Que alaga, devasta, causando tormento
É a natureza querendo ao homem castigar
Padece o inocente, o infrator, o animal
A inconsciência impermeabiliza o ensinamento
Falta a coerência do homem à natureza se ajustar

O pouco traje que disfarça a nudez
O trabalho forçado dos tempos da escravidão
As tribos indígenas que outrora decimadas 
Crenças, cores, etnias que fora misturadas 
A mestiçagem deixa para o futuro um legado
Fazendo do nosso gigante uma potente noção
Caso contrário tudo não passará de estupidez

Árvore que não dá fruto é arrancada
Há doença que mata aos poucos sem causar dor
Chuva que não cai do solo não mata a sede
Está escrito que toda nudez será castigada
Infeliz da humanidade se deixar morrer o amor.

(Chicola)

FOTOS DE POSSE - Cleudia Bezerra

AMIGO GILBERTO,

SEGUE FOTOS, QUANDO DA MINHA POSSE NO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RN, EM 23/11/2012:


1ª FOTO - RECEBENDO O DIPLOMA


2ª FOTO - PRESTANDO JURAMENTO

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Estudo revela o funcionamento do cérebro de médiuns brasileiros

Por Maria Luciana Rincon Y Tamanini 


Existem inúmeros médiuns brasileiros de renome internacional, e agora um grupo de neurocientistas norte-americanos decidiu descobrir o que acontece com o cérebro dessas pessoas quando elas estão realizando trabalhos relacionados à psicografia de mensagens.

As mensagens psicografadas são escritas enquanto os médiuns entram em um estado de semiconsciência, durante o qual “abrem um canal de comunicação” com os espíritos e escrevem cartas e mensagens transmitidas por eles de forma automática. Muitas vezes, os textos são redigidos enquanto os médiuns mantêm os olhos fechados, e a escrita normalmente ocorre à grande velocidade.

De acordo com uma notícia publicada pelo site Discovery News, pesquisadores da Universidade da Filadélfia realizaram alguns testes para descobrir quais áreas do cérebro dos médiuns brasileiros ficam ativas durante esse processo, descobrindo que as regiões responsáveis pela linguagem e atividades voluntárias ficam inativas.
Comunicação espiritual

Os neurocientistas avaliaram 10 médiuns brasileiros, dos quais cinco praticam a psicografia há mais de 35 anos, realizando uma média de 15 sessões mensais, e outros cinco participantes, bem menos experientes. Conforme explicaram os pesquisadores, durante o estado de semiconsciência, a atividade cerebral dos mais experientes diminuiu em seis regiões diferentes, normalmente relacionadas com a escrita, concentração e linguagem.

Além disso, os médiuns mais experientes produziram mensagens com conteúdo mais complexo enquanto estavam se comunicado com os espíritos do que quando não estavam psicografando. Aliás, quanto mais experiente o médium, maior era a complexidade das mensagens e mais reduzida era a atividade cerebral. Justamente o contrário do que os pesquisadores esperavam observar.

Por outro lado, as mesmas áreas observadas nos mais experientes se tornaram mais ativas nos cérebros dos novatos, sugerindo que o treinamento pode melhorar a habilidade cerebral de entrar nesse estado de “canal aberto”. Embora a ciência ainda não possa atestar sobre a existência ou não de espíritos entre nós, o estudo nos ajuda a entender melhor como a espiritualidade afeta o nosso cérebro e por que algumas pessoas são mais devotas e espirituais do que outras.


FONTE: TECMUNDO

NOSSA SENHORA DAS NUVENS, UM ESPETÁCULO



O Coletivo Acoberta de Teatro & banda Torre Di Marfim convidam para o segundo dia do espetáculo Nossa Senhora das Nuvens.
Direção: Edmilson Rocha/Assessoria cênica: Henrique Fontes.
Texto de Arístides Vargas, adaptado pelo Coletivo Acoberta de Teatro.

A trama gira em torno do encontro das personagens Oscar e Bruna, dois exilados que se encontram num país estrangeiro e ao reconhecerem-se naturais do mesmo país, travam um diálogo acerca do seu passado, presente e futuro no exílio.


Assisti ontem.
Um espetáculo bem poético.
Diálogos inteligentíssimos.
Filosofia, conscientização política, religiosidade popular e bom-humor em pauta.
Atuações convincentes.
participação mais que especial, afinadíssima, da banda Torre Di Marfim dando vida extra ao espetáculo. 

Meus sinceros parabéns a todos os envolvidos e ao  considerável público presente. Nota dez pelo comportamento exemplar, reação positiva e adequada ao que foi apresentado!

Gilberto Cardoso dos Santos

A CRIATURA MAIS LINDA

Aldenir Dantas
Além de incorrigível boêmio, Aneniano era o artista mais famoso de Mericó. Cantava, tocava violão, encantava as moças a alimentava as noites de boemia daquelas redondezas.

Os mais jovens nutriam por ele grande admiração. As moças deliciavam-se com o seu cavalheirismo, seus galanteios, sua voz possante e seu violão que só faltava falar. Além do mais, era um jovem bem apessoado, vestia-se elegantemente para os padrões da cidade, dançava muito bem, conhecia vários poemas de cor e, vez ou outra, escrevia um verso para uma das suas transitórias e incontáveis musas.

Já os mais velhos, pais ou mães das jovens alvos dos seus galanteios, talvez o admirassem e, até, invejassem, mas não demonstravam. Viviam desfiando colares de contas nada elogiosas ao seu respeito:

- Um vagabundo, isso é o que ele é! Um preguiçoso que vive às custas do aposento do pai que lutou na guerra.

- Lutou nada, compadre Boré! Fez só chegar lá e voltar. E só por isso recebe uma bolada do governo todo mês. Mas que o sujeito é um desocupado, enganador das filhas dos outros, isso é verdade!

- Mas cá pra nós, compadre Chico, parece que esse cabra é muito é frouxo. Só tem mesmo farofa e conversa bonita. Se um de nós, no nosso tempo, tivesse um bando de cabocla assim, correndo atrás da gente, a desgraceira era grande! Não era não, compadre?

- Ora se era, compadre! Pelo menos uma dúzia de meninos a gente já tinha espalhado por esse mundão de Deus.

Naquela noite, por volta das doze horas, plantado no patamar da igreja, inspirado e desejando fazer-se ouvir por Jaqueline que, além de bonita, acabara de chegar de Cuité, onde concluíra o Ginásio, cantava ele a todos os pulmões: “Tu és a criatura mais linda que os meus olhos já viram...”. E saindo um pouco do transe provocado pela inspiração e pela bebida, abriu os olhos e viu, de fato, uma criatura, bem à sua frente: Pés acima do chão, vestes brancas esvoaçantes e tez acinzentada como se fosse feita de fumaça. Não era a criatura mais linda do mundo. Era aterradora.

Niano, como era carinhosamente chamado, arrepiou-se todo, sentiu a língua travar, as pernas tremerem e a sensação de ter os pés colados ao chão. Somando suas últimas forças, jogou o violão para o alto fazendo-o espatifar-se escada abaixo e, desgrudando-se de onde estivera plantado, lançou-se em uma corrida tresloucada para casa.

A carreira foi tamanha que nem conseguiu parar para abrir a porta. Derrubou-a com o ombro e caiu quase sem fôlego, sem fala, no chão de tijolo aparente da sala, provocando grande alvoroço na família e na vizinhança.

Alguns meses depois, Aneniano arrumou um emprego de auxiliar de serviços gerais na prefeitura e casou-se com a moça que, há quase uma década, enganava com um noivado que parecia não ter fim.

Nunca mais tocou violão, nem cantou, nem bebeu, nem saiu à rua depois das oito horas da noite.

Aldenir Dantas, HISTÓRIAS MAL CONTADAS DAS TERRAS DE MERICÓ. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

UM MOTE PRA GENTE SE DIVERTIR - Hélio Crisanto



Menino tirando abelha
Com bosta faz a fumaça
Um cachorro bom de caça
Um cambito pra ovelha
Matuto batendo telha
Um bezerro pra arrear
Traz o forjo pra armar
Tirrina e pau de galão
Quanto mais canto o sertão
Mais tem sertão pra cantar