APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


quinta-feira, 30 de maio de 2013

O PAPA E OS ATEUS - Gilberto Cardoso dos Santos

 
Em certa homilia de maio de 2013, o papa Francisco disse algo que surpreendeu a muitos, evangélicos e católicos:
“O Senhor redimiu a nós todos, a todos, pelo sangue de Cristo: todos nós, não apenas católicos. Todos! “Padre… os ateus também? Mesmo os ateus?” Todos!”
“Fomos criados filhos à semelhança de Deus e o sangue de Cristo redimiu a nós todos! E todos temos o dever de fazer o bem. E esse mandamento para todos fazermos bem, penso ser um belo caminho para a paz. Se nós, cada um fazendo a sua parte, fizermos o bem uns aos outros, se nos encontrarmos lá, fazendo o bem, então iremos gradualmente criando uma cultura de encontro. Devemos nos encontrar na prática do bem. “Mas eu sou ateu, padre. Eu não creio… ” “Faça o bem e nos encontraremos lá.”

Percebe-se certa dubiedade e um tom poético nas palavras do papa, mas a linha  que predominou na imprensa é a de que o papa teria dito que os ateus, se fossem bons, se salvariam.

Evangélicos fundamentalistas ficaram indignados. A salvação não depende de obras humanas, mas exclusivamente do sacrifício de Cristo, revidaram no púlpito. O papa revelava uma ignorância bíblica espantosa, disseram alguns.
O próprio Vaticano, dias depois, emitiu nota esclarecendo que “ateus ainda vão para o inferno”.
Mas eu me pus a meditar e a procurar por fundamentos bíblicos para o que o povo entendeu. O papa, que já teve oportunidade de estudar as escrituras em suas línguas originais não me parece tão ignorante delas. Talvez não dê às letras sagradas a atenção que alguns religiosos gostariam que ele tivesse. O problema, talvez, não esteja no desconhecimento da Bíblia, mas no excesso de conhecimento dela e sobre ela...

Encontrei a parábola do Bom Samaritano. Lucas 10:29 a 37. Nesta história, temos um homem ferido, um homem caído à beira da estrada, sangrando. Passa outro homem de Deus e depois outro e depois outro... mas nenhum toma providências para salvar o moribundo. Provavelmente saem de consciência tranquila, pois o que têm para fazer tem a ver com a obra de Deus. Seus álibis têm a aprovação do céu. No fundo no fundo, porém, imagino que tentassem sufocar uma vozinha irritante que tentava lhes dizer o que deveriam ter feito.

E é aí que Jesus introduz a figura do bom samaritano. Este chegou e fez tudo e bem mais do que aqueles religiosos deveriam ter feito. 

Os samaritanos, na época de Cristo, eram tão malvistos quanto os ateus são vistos hoje. Judeus e samaritanos não se falavam, como se evidencia no encontro de Jesus com a mulher no poço de Jacó (João 4:11).  Os judeus costumavam fazer longas travessias para evitarem passar por perto do território habitado por eles. Expressões de ódio e discriminação eram comuns às querelas entre estes dois povos. Do ponto de vista judeu e bíblico, os samaritanos detinham uma fé vã, diabólica, perniciosa. Jamais se veria um rabino judeu admitindo que um samaritano pudesse salvar-se, ainda que bom.

Pois bem. Aquele samaritano que entrou para a história como modelo seria tão condenável quanto um ateu. O próprio Jesus teria dito que a salvação vem dos judeus, mas não negou a superioridade do gesto daquele homem condenável do ponto de vista da fé.

Jesus não falou de fé e o apontou como exemplo quando lhe foi perguntado “Quem é o meu próximo?” O critério para a aceitação divina não foi sua fé correta, mas suas ações concretas em favor de um carente.
Imagino que Jesus chocou a liderança religiosa de seu tempo tão certamente quanto hoje o papa choca a cristandade com estas palavras.

Esse papa é um expert em gestos e discursos poéticos. Preferiu se espelhar no exemplo de São Francisco, aquele que escandalizou a muitos quando disse que até os lobos eram seus irmãos. Percebam suas intenções quando ele fala em ir criando a cultura do encontro. Belo trecho de sua homilia!
Além disso, suponhamos que um ateu, querendo aumentar sua margem de segurança, resolva se esmerar na prática do bem. Não estaria ele manifestando um princípio de fé? É isso o que o papa quer. Encontro de ateus e cristãos na prática do bem, não propriamente no céu. 

É interessante pensar naqueles ateus que, à semelhança de Betinho, do Fome-Zero, fazem o bem sem esperar a eternidade em troca. Sem temer o inferno, buscam não viver de modo egoísta.

Pergunto-lhe: quem você escolheria para conviver: algum daqueles judeus que passaram longe do homem ferido ou o samaritano que o socorreu? Herbert de Souza, o ateu, ou algum religioso fanático que nada ou pouco faz pela sociedade?
Talvez Deus pense de modo semelhante a nós e ao papa. 

quarta-feira, 29 de maio de 2013

MENOR ABANDONADO - Hélio Crisanto

 

Sem pensão alimentícia
Sentindo a falta dos pais,
Vira caso de polícia
Nas manchetes dos jornais.
Os companheiros da tarde
Fizeram dele um covarde
Com a sua mente mortiça
Sem pai e sem sobrenome
Bebendo o caldo da fome
No prato da injustiça

terça-feira, 28 de maio de 2013

Um velhinho de oitenta - João Ferreira


Um velhinho de oitenta
gozou bem a mocidade
perdeu a virilidade
seu alimento é saudade
deitado na sua rede
vê a água e sente sede
mede as passadas sem régua
dá muito mais de cem légua
da jarra pro punho da rede.

A mocidade vai cedo
e o tempo passa veloz
cuide bem dos seus parentes
os seus pais e seus avós
ligue a TV bem baixinho
nem sequer agite a voz
trate com perseverança
que a velhice é uma herança
que os anos deixam pra nós.

domingo, 26 de maio de 2013

A PARTIDA DE BENÉ - Gilberto Cardoso dos Santos



Quando me perguntavam: "Onde você mora?"
Eu respondia: "Perto do Bar de Bené".
Mas o bar de Bené fechou. E seu prédio, à medida que foi crescendo, foi sendo repartido entre diversos donos.
Hoje a morte fez gol na vida dele. Foi a vez de sair de nossa rua o que dele restava. Foi sua partida, a última.
E agora, que o jogo acabou, como driblaremos essas lembranças?

sábado, 25 de maio de 2013

A VENDA DA VIRGINDADE - Gilberto Cardoso dos Santos



Dizem que hoje a virgindade
Não tá valendo um vintém
Mas isso não é verdade
Catarina o sabe bem
Pôs a sua num leilão
pra ganhar mais de um milhão
de graça graça não tem!

Tudo aquilo que é raro
Passa a ter maior valor
O japonês pagou caro
Para provar do sabor
Catarina Migliorini
O seu futuro define
Num leilão arrasador.

Por um milhão na poupança
Enfrenta um frágil milhinho
Se faz mulher na bonança
Seu hímen sai do caminho
Ganha dinheiro e prazer
Depois pode refazer,
Revirginar o bichinho.

Sendo ela eu remendava
E fazia outro leilão
E nessa onda ficava
Enquanto houvesse tesão
Gente disposta a pagar
Digo sem titubear:
Não há melhor profissão.

Unir trabalho e prazer
É o sonho de muita gente
Isso ela pôde fazer
Se mostrou inteligente
E um trunfo ela tem guardado
Pois leiloou só um lado
Somente a parte da frente.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Minha vida de estudante - Zenóbio Oliveira




Comecei estudar aos cinco anos,
Procurando construir meu futuro,
Não pensei que pudesse ser tão duro,
Que viessem tamanhos desenganos,
Ainda assim, eu tinha em meus planos,
Transformar a lágrima num sorriso,
E pra fazer do inferno um paraíso,
Teria que transpor qualquer barreira,
Mas, estudando assim dessa maneira,
Eu acabo perdendo o meu juízo.

Na escola isolada de Aguilhada,
Matriculei-me, então, para aprender,
Consoantes, vogais, o á-bê-cê,
E as quatro operações da tabuada,
Com a lição enfim assimilada,
Fui mandado para o primeiro ano,
Eu me sentia um sábio soberano,
Um rei, um estudante de primeira,
Mas, estudando assim, dessa maneira,
Eu estouro o tecido craniano.

Os três primeiros anos terminados,
Fui estudar o quarto na cidade,
Eu vibrava com a felicidade,
De alguns sonhos meus realizados,
E com outros maiores planejados,
Quando eu entrei para o ginasial,
Fechei o ciclo do primeiro grau,
Alegria tomou conta de mim,
Porem, sei que estudando tanto assim,
Eu estrompo a máquina cerebral.

Pra cursar o ensino secundário,
Eu tive, então, que vir pra Mossoró,
Era um tempo ruim de fazer dó,
O dinheiro da gente era precário,
Mas, o filho de um homem proletário,
Acostumado à lida desumana,
Tava estudando com filho de bacana,
Botando muito nego no chinelo,
Mas, estudando assim, eu desmantelo,
A engrenagem da caixa craniana.

E dois anos na terra de Luzia,
Até voltar para governador,
O projeto de um bom vereador,
Botou segundo grau na freguesia,
Mas, a batalha ainda prosseguia,
Mesmo tendo passado o mais difícil,
Com afinco, vontade e sacrifício,
Fui vencendo as barreiras pouco a pouco,
Mas, estudando assim, eu fico louco,
E acabo acorrentado num hospício.

Confesso que vivi horas de tédio,
Pensando em como a vida é cruel,
Mas, sabia que o lápis e o papel,
Ser-me-iam o único remédio,
E conclui, enfim, o nível médio,
Fui fazer o vestibular com tudo,
Pra tentar arranjar o meu canudo,
Pois é com um diploma que se medra,
Mas, sei que vou ficar doido de pedra,
Estudando da forma como estudo.

Foi então que ingressei na faculdade,
Educação Física era meu curso,
Muito mais pela falta de recurso,
Do que por vocação ou afinidade,
Porque o que eu queria na verdade,
Era ser engenheiro ou jornalista,
Um homem do direito, um bom jurista,
Ou um advogado de carreira,
Mas, estudando assim, dessa maneira,
Acabo no divã de um analista.

Estudos sociais e geografia,
Arte, matemática, português,
Religião, desenho, o tal de inglês,
Química, física, biologia,
Estudando essas coisas todo dia,
O sujeito não pode ser tranqüilo,
E o destino final será o asilo,
Ou no pior dos males, um divã,
Ou pra sempre tomar DIASEPAN,
Num quartinho qualquer do São Camilo.

Peço somente a Deus que eu não padeça,
De qualquer natureza de loucura,
E que possa alcançar nessa procura,
Apenas o lugar que eu mereça,
E pra não ser um louco da cabeça,
De riqueza e poder eu abdico,
Desta vida é melhor levar um tico,
Desde que mentalmente seja estável,
Melhor ser um pobre bem saudável,
Que ter dinheiro e ser um doido rico.

SELEÇÃO CULTURAL (Marcos Cavalcanti)


 

Salta a Aranha
Com beleza e Graça
Por entre os Ramos
De Graciliano,
Tecendo a Rosa
Na prosa de Guimarães.

Ó Rosa formosa
Teu cheiro de teia
Enlouquece, inebria
Como o vinho de Baco,
A mosca tosca
Que atraída e traída
Pelo substrato do verso na rede,
Luta, reluta, esperneia,
Cansa e agora balança
Na pança da Aranha.
Que Graça!

do livro Viagens ao Além-Túmulo, página 13.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

O SONO DOS JUÍZES - Gilberto Cardoso dos Santos



Eles não dormem no ponto
é uma falsa impressão
antes, sonham com o melhor
para todos da nação
Quem dorme mesmo é a gente
que aceita passivamente
injustiça e opressão.

Como a Justiça, vendada,
estão de olhos fechados.
Meditam na decisão
rumos que serão tomados
para punir os espertos
estão de braços abertos
mesmo com braços cruzados.

Deitados no berço esplêndido
pelo cargo conferido
refletem no pesadelo
do nosso povo sofrido
se a gente não despertar
e por reformas lutar
o Brasil está perdido.

Ninado pela justiça
Dorme o povo brasileiro
Afinal será punido
O assessor do mensaleiro
E o ladrão de galinha
Que perturbava a vizinha
Invadindo o seu terreiro.

“Silêncio no tribunal!”
Bem forte a justiça ronca
Guarda que dorme em serviço
Acaba levando bronca
É bom ficar caladinho
Não diga isso ao meirinho
Senão o povo se estronca.

Dormir faz bem à saúde
E há quem durma em serviço
Mas entre um cochilo e outro
Se vê que há compromisso
Nossa Justiça querida
Mesmo Bela Adormecida
Não vai perder o seu viço.

domingo, 19 de maio de 2013

APRESENTAÇÃO DA APOESC NA FESTA DE SANTA RITA 2013

Cantando e Recitando o Sertão na festa de Santa Rita de Cássia

sexta-feira, 17 de maio de 2013

O SONHO NÃO ACABOU / APENAS ADORMECEU - Gilberto Cardoso dos Santos

Gilberto Cardoso Dos Santos


Baseado nas palavras de Edgar "O sonho não acabou, apenas adormeceu" fiz os seguintes versos em memória da morte de sua mãe, falecida em 16.05.2013

Quando uma mãe vai embora
O momento é de tristeza
O bom filho com certeza
Com sinceridade chora
É hora de lamentar
Mas também de recordar
Todo bem que se viveu
Tudo quanto ela ensinou
O sonho não acabou
Apenas adormeceu.

Olho com olhos de fé
Nesse momento de dor,
Em que a gente vê a cor
Da vida como ela é
Fico a imaginar
A minha mãe a entrar
No céu em que tanto creu
E sobre o qual me falou:
O sonho não acabou
Apenas adormeceu.

Essa é a triste partida
Pior que a do retirante
A gente vê nesse instante
A importância da vida
Porém se a mãe pudesse
Depois que a morte viesse
Consolar o filho seu
Falaria aos que deixou:
O sonho não acabou
Apenas adormeceu.

Graças à sua influência
Me tornei um sonhador
Grande foi o seu valor
Em toda minha existência
Pensando no seu desvelo
Não me entrego ao pesadelo
De achar que nada valeu
E que tudo terminou:
O sonho não acabou
Apenas adormeceu.

Com Raul Seixas tivemos
uma sublime verdade:
Se tornam realidade
os sonhos que juntos temos.
Com minha mãe eu sonhei
e pra vida despertei
quantos conselhos me deu!
Decerto algo ficou.
O sonho não acabou
apenas adormeceu.

Creio na ressurreição
na divina recompensa
a minha dor é imensa
mas resta a consolação
Deus a tudo vivifica
mamãe para sempre fica
no corpo que concebeu
em todo bem que plantou
O sonho não acabou
apenas adormeceu.

O SONHO NÃO ACABOU APENAS ADORMECEU - Edgar Santos

 

O silêncio toma conta de mim!  Um vazio invade a minha alma, e soluça o meu pranto!
Cada instante é infinito, cada lágrima é um porvir que descortina promissor
 Minha,  Mamãe partiu, mas o seu amor ficou…
o filho de Deus  pode até partir, mas o seu exemplo permanecerá…
MÃE você deixa-me grande saudade.
 Deixa-me um triste silêncio,

Lembrar-me-ei sempre das tardes de domingo, da academia… da tua alegria, do teu cheiro
Elas não existirão mais!
Lembrar-me-ei  dos teus olhos que brilhavam, sei que eles não brilharão mais
Lembrar-me-ei de cada instante como se fosse eterno, pois  entendo que os anjos te abraçam nos céus , aqui é tristeza , no céu é festa com a tua chegada!
Sei que o os teus ensinamentos se descortinam na ânsia de novos horizontes, e que a tua dádiva de esperança e bravura se perpetuarão em minha lembrança para sempre...
Te amo mãe, muito, muito... estás nos braços do pai, estás na graça divina
Mãe lembraremos das tuas maquiagens, do teu perfume e da impaciência em querer ser útil as pessoas, lembraremos do teu incansável riso! Lindo! Lindo!
Como dizia o velho poeta
E agora, José!
os rins parou
O coração pifou…
Mas a alma continua…
A memória, mãe, é eterna.
TE AMO  TE AMO TE AMAMOS
Mensagens dos familiares de Maria Ribeiro de Lima
EDGAR SANTOS
16 DE MAIO DE 2013

CONVITE:


FALECIDA EM 16 DE MAIO DE 2013 EM NATAL
CORPO SERÁ VELADO NA RUA ANTONIO FERREIRA DE SOUZA, 192, CENTRO
RESIDENCIA DE EDGAR SANTOS
MISSA DE CORPO PRESENTE NA CAPELA NOSSA SENHORA DAS DORES, MARACUJÁ, 4 HORAS DO DIA 17 DE MAIO, SEPULTAMENTO NO CEM. PADRE GADELHA


quinta-feira, 16 de maio de 2013

SONHANDO COM A MORTE - Mário Lúcio



Desde que nasci
sonho todos os dias com a morte.
Mas, confesso,
a morte não é o meu sonho.

ANGELUS - Valdemar Valentino Velhinho



Mamãe, por que caem
do céu estas estrelas?
Mamãe, são tantas estrelas!

Filhinho,
não são estrelas
que estão caindo, são anjos!

Mas mamãe,
por que caem do céu?
Mamãe, são tantos os anjos!

Olha, mamãe,
são tantos, um, dois, três
Mamãe, não sei contar até dez.

Filhinho,
não são os anjos que estão caindo,
não filhinho. És tu que estás no céu.

Agora deixa-me partir para a terra,
deixa-me, a viagem acabou,
Ai filhinho, a minha viagem acabou.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

MALDITO É O POETA - Ranieri Fernandes

Maldito é o Poeta.
Que diferentemente sente,
os cheiros, as cores, as flores, os beijos.

Que, por ser poeta, por si só... 
Germina pela terra.

Maldito poeta!
Que faz brotar quimeras nas mais áridas terras.

Aprisionado dentro de si mesmo...
dedos, grades. Boca, janela.

Maldito Poeta!

Poeta, sei que é difícil ser precito...
Sei que é difícil ser...
Poeta. 



Ranieri Fernandes )

Exposição Fotográfica BUQUÊ DE FLORES


domingo, 12 de maio de 2013

MÃE - Zenóbio Oliveira

Zenóbio Oliveira

Mãe não é ser somente por um dia,
Como deseja a indústria do consumo,
Não é abreviar-se num resumo,
De puros: sofrimento ou euforia,
Ser mãe é doar-se em demasia, 
Sem tempo pra soberba e vaidade,
Pois a mãe tem a singularidade,
Dos amores imensos e profundos,
Ela é a soma plena dos segundos,
Que perdura por toda eternidade.

sábado, 11 de maio de 2013

CONVERSANDO COM MINHA MÃE - José Alves Sobrinho



É você, minha mãe a mulher santa
que precisa viver e ser feliz,
não blasfema, não chora, não maldiz
e até quando trabalha você canta
você é quem mais cedo se levanta
nós dormimos, você fica acordada
você  traz a comida preparada
e não come, se come nós não vemos
será, oh! meu bom Deus, que nós já temos
uma mãe junto a nós santificada?

HINO A SANTA RITA DE CÁSSIA


HINO SANTA RITA DE CÁSSIA, A FLOR DE JESUS
João Melo e Gilberto C. Santos

És a rosa mais bela
Do jardim de Jesus
Santa Rita de Cássia
Rosa encanto de luz.
Com espinhos caídos
Da sagrada coroa
Essa flor dos remidos
Ao seu mestre se doa.
Na sua humildade
Aceitou padecer
Por amor à verdade
Se dispôs a sofrer.
O jardineiro celeste
Com amor cultivou
A beleza inconteste
Que essa santa mostrou.
Em sua dor e tristeza
Encontrou alegria
Pois na sua pobreza
Deus a enriquecia.
Uma rosa de luz
Que hoje ao mundo ilumina
Uma flor que na cruz
Viu a força divina.
O perfume sagrado
Que sua vida exalou
Pelo mundo espalhado
A Santa Cruz chegou.
Entregou sua vida
Por amor a Jesus
E hoje é venerada
Em toda Santa Cruz.

sexta-feira, 10 de maio de 2013

DÁ CERTO COM MUITA GENTE, MAS NÃO DEU CERTO COMIGO - Gilberto Cardoso dos Santos

Gilberto Cardoso Dos Santos

Trago um mote emprestado
do site Besta Fubana
de um poeta bacana
que me parece inspirado
Marcos Mairton, o danado
está certo e não desdigo
porque desde o tempo antigo
vejo não ser diferente:
Dá certo com muita gente,
Mas não deu certo comigo.

Resolvi ser agiota
pra enriquecer ligeiro
tirei do banco o dinheiro
emprestei tudo a seu Tota.
Agi feito um idiota
não percebi o perigo
deixou de ser meu amigo
fiquei feito um indigente
Dá certo com muita gente,
Mas não deu certo comigo.

Filiei-me a um partido
depois me candidatei
cinco mil reais gastei
mas foi um gasto perdido
pelo povo fui traído
àquele dia maldigo
da política me desligo
tive 10 votos somente
Dá certo com muita gente,
Mas não deu certo comigo.

Me tornei pentecostal
esperando ser curado
com o óleo abençoado
queria afastar o mal
o pastor era legal
mas a ele já não sigo
pra curar meu vitiligo
só com dinheiro na frente
Dá certo com muita gente,
Mas não deu certo comigo.

Dei-me mal ao me ligar
num sistema financeiro
que prometia dinheiro
sem precisar trabalhar
entrei por acreditar
no palestrante Rodrigo
que deixou de ser mendigo
e enriqueceu de repente
Dá certo com muita gente,

Mas não deu certo comigo.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Khrystal em Santa Cruz

O QUE FALTA? - Buca Dantas


Buca Dantas
a porta está aberta
para dentro
de que lado você está, se está fora?

cada ponto do mundo é um lugar
dentro e fora, longe e perto, hoje e ontem
cada um é o centro e a margem
causa e seqüência de histórias

o que falta, meu irmão?
o que falta?
o que falta pra você virar o jogo?
o que falta pra você sair andando?
o que falta pra você entrar voando?

não tem ninguém na sua porta
não tem trombetas pelas ruas
não existem chaves nas cadeias
nem ninguém gritando ao seu ouvido

o que falta, meu irmão?
o que falta?
o que falta pra você virar o jogo?
o que falta pra você sair andando?
o que falta pra você entrar voando?

há comida bastante pra jornada
se tem sede bebe água bem fresquinha
a roupa está passada sobre a cama
em tua casa que não tem muros nem trancas

o que falta, meu irmão?
o que falta?
o que falta pra você virar o jogo?
o que falta pra você sair andando?
o que falta pra você entrar voando?

a porta está aberta
para dentro
de que lado você está, se está fora?