APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

TURBILHÃO - Moacyr Franco



A nossa vida é um carnaval
A gente brinca escondendo a dor
E a fantasia do meu ideal
É você, meu amor
Sopraram cinzas no meu coração
Tocou silêncio em todos clarins
Caiu a máscara da ilusão
Dos Pierrots e Arlequins
Vê colombinas azuis a sorrir laiá
Vê serpentinas na luz reluzir
Vê os confetes do pranto no olhar
Desses palhaços dançando no ar
Vê multidão colorida a gritar lará
Vê turbilhão dessa vida passar
Vê os delírios dos gritos de amor
Nessa orgia de som e de dor
La lalaia lalaia lalaia

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

QUANDO A CHUVA CAI NO CHÃO LEMBRO LOGO DO ROÇADO

Oziel Castro

QUANDO É TEMPO DE INVERNO
O AGRICULTOR SE ANIMA
OLHA PARA O LADO DE CIMA
AGRADECE AO DEUS PATERNO
POIS SÓ ELE É ETERNO
DEIXA O SOLO BEM MOLHADO
DEIXA TODOS ABENÇOADOS
E É GRANDE A ANIMAÇÃO
QUANDO A CHUVA CAI NO CHÃO
LEMBRO LOGO DO ROÇADO

Gilberto Cardoso

Quando a chuva tá caindo
Penso no feijão verdinho
Vejo o açude cheinho

Peixes descendo e subindo
A enxada o chão abrindo
E o plantador animado
Vendo o chão ser fecundado
Por milho, fava e feijão
Quando a chuva cai no chão
Lembro logo do roçado.






quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

DO CHÃO SECO ARRANCAR O PÃO DA VIDA SERTANEJO FAZ ISSO E MAIS NINGUÉM - Hélio Crisanto


MOTE: Ivanildo Vilanova

Quando o dia amanhece no sertão
O matuto se ausenta da palhoça
Bota água no pote e vai pra roça
E sai baixinho rezando uma oração
Com um caco de enxada cava o chão
A espreita do inverno que não vem
Mas se Deus manda chuva diz amém
E a certeza da safra é garantida
Do chão seco arrancar o pão da vida
Sertanejo faz isso e mais ninguém

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

TROVAS CRÍTICAS - João Dorico

O que não posso entender
É ver um bispo com mágoa
Fazer greve sem comer
Protestando a negar água.

A nossa justiça dorme
Não vê essas mãos ingratas
Cometendo um crime enorme
Destruindo as nossas matas.

Um com dinheiro de monte
Bela mansão belo lar,
Outro debaixo da ponte
sem um teto pra morar

O pobre vai à chibata
Se num pão alheio pegar
O bonitão de gravata
É livre pode roubar.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Velho Chico - Mariano Ferreira da Costa



01

Lá na Serra da Canastra
No Estado das Minas Gerais
Chiquinho nasceu tranqüilo
Limpo como os cristais
No seu berço milenar
Chiquinho sonha com o mar
Desde tempos ancestrais...

02
Como brincadeira de menino
Chiquinho foi encontrando
Nas cercanias das montanhas
Amiguinhos abraçando
Sem pressa para descer
Entre pedras a correr
E o mar lhe esperando...

03
Quando Chiquinho se viu
Com muitos amigos ao lado
Sentiu força pra descer
Conquistar outro estado
Abraçar o oceano
Realizar o seu plano
Ver sonho concretizado.

04
Lavou ouro e cristais
Com sua forte correnteza
Cortou serras e montanhas
Mostrou sua destreza
Como sábio artesão
Não faltou inspiração
Lapidando a natureza.

05
Foi traçando caminhos
Conquistando a liberdade
Levando a cada lugar
Vilas, campos e cidades,
Um pouco de sua história
Por de mais meritória
Sem nenhuma vaidade.


06
Chiquinho adolesceu
Mostrou sua rebeldia
Pisou no solo baiano
Tranqüilo no fim do dia
Lá fez sua oferenda
Brigue mas não ofenda
Nossa pacata Bahia.

07
Como um bom baiano
Sem pressa para chegar
Foi irrigando o solo
Desde as terras do Araxá
Deixando muita fartura
Nas várzeas beleza pura
Como quer Iemanjá.

08
Na sua juventude
Já se sentindo forte
Com seu corpo espraiado
Buscando o seu norte
O Chico amadureceu
E com as bênçãos de DEUS
Traz vida onde há morte.

09
Desbravando os sertões
Das minas e do nordeste
O seu leito oferece
Ao nosso cabra-da-peste
Riqueza pra sua gente
Que se torna emergente
E cada dia ele cresce.

10
No solo alagoano
O Chico é homem feito
Conquistou autonomia
Tem noção do seu direito
Mas não falta com o dever
Sua riqueza oferecer
Retirando do seu leito.

11
Na terra de Nambuco
Com suas belas carrancas
Espantando o egoísmo
De suas margens arranca
Crescimento e progresso
Lá não há retrocesso
Nem anda com perna manca.

12
Juazeiro e Petrolina
Recebeu este presente
Como o Egito do Nilo
Ambos estão na crescente
Exportando a riqueza
Importando a pobreza
De um povo indolente.

13
A monocultura se expande
Ao longo de suas margens
A população ribeirinha
Ver mudar toda paisagem
A riqueza se concentra
É muito dinheiro que entra
O pobre não ver a imagem
14
Projeto de irrigação
Emoldura o velho Chico
É um show de tecnologia
O pobre não tem um bico
As multinacionais
Todo dia leva mais
Muito pobre e pouco rico.

[...]
36
Meu Velho Chico você
É a nossa redenção
Brigue, mas não se entregue
Ao capricho do patrão
Venha conosco viver
O nordeste desenvolver
Traga a vida pra o sertão. 

http://marianocordel.blogspot.com.br/

domingo, 23 de fevereiro de 2014

ESPERO QUE CHEGUE O DIA - José Acaci

Espero que chegue o dia,
em que eu tenha ventura
de poder dizer ao mundo
na minha literatura
que o Brasil é um país
de um povo justo e feliz
que valoriza a cultura.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Quando morre um poeta cantador Se apaga uma estrela no sertão



Sei que a morte é bastante negativa
Penso até que não gosta do repente
Dessa turma já levou muita gente
Sua ideia não foi tão positiva
Levou Cego Aderaldo e Patativa
E esse povo deixou recordação
Num domingo os Fonseca e Mergulhão
E não esqueço também de Beija-flor
Quando morre um poeta cantador
Se apaga uma estrela no sertão.

Eu que sou um poeta da cultura
Canto o Leste, o Oeste, o Sul e o Norte
Só me assombra essa história da morte
Que da gente ela está sempre à procura
E eu não quero lembrar de sepultura
De mortalha, de vela nem caixão
Ela veio me chamar eu disse não
Se esqueça de mi8m faça um favor
Quando morre um poeta cantador
Se apaga uma estrela no sertão.

Essa morte não deixa o seu roteiro
Porque do pecador já tem na lista
Leva músico e também o repentista
Desse nosso nordeste brasileiro
Já levou nosso Jackson do Pandeiro
Que no ritmo esse era campeão
O Luiz que foi rei do meu baião
Esse sim era rei, tinha valor
Quando morre um poeta cantador
Se apaga uma estrela no sertão.

- Geraldo Amâncio


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

NÃO CONHEÇO ESQUERDISTA QUE NÃO MUDE QUANDO PEGA NAS RÉDEAS DO PODER - Ivanildo Vilanova

Não resisti ao impulso de transcrever um belíssimo trecho de cantoria do grandioso poeta Ivanildo Vilanova, postado pelo cordelista Marciano Medeiros no Facebook. Leiam com atenção a mensagem e vejam que beleza de construções poéticas:



Radical se transforma em moderado
Quando quer jogar bem no outro time
Ou acopla-se aos moldes do regime
Ou então é deposto, é cassado
Quando não, ele fica deslumbrado
Com mulheres, parceiros e prazer
Mordomia, “jeton”, luxo e lazer
Tudo isso é efêmero mas ilude
Não  conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Imagine o sujeito agitador
Camarada. Comuna, companheiro
Boia-fria, xiita, piqueteiro
Se um dia tornar-se senador
Ou então se ele for governador
Qual será o seu novo proceder?
Vai mentir, vai mudar, ou vai manter
As promessas que fez de forma rude
Não conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

É um mártir o que tem convicção
De arriscar sua vida, seu emprego
A família, o futuro e o sossego
Por um povo, um projeto, uma nação
Um Sandino tentou mas foi em vão
Um Guevara esforçou-se por fazer
Hoje em dia é difícil aparecer
Marighella, Lamarca ou Robin Hood
Não  conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

Eu já vi muita gente amarelar
Por pressão, covardia e por dinheiro
Metalúrgico, cantor e violeiro
Estudante, político e militar
Só Luis Carlos prestes foi sem par
Sustentou sua tese até morrer
E um Gregório Bezerra sem temer
Levou seus ideais ao ataúde
Não conheço esquerdista que não mude

Todo jovem a princípio é sectário
É também ativista e militante
Aliás, anti-ianque, atuante
Um perfeito revolucionário
Cresce, casa e se torna secretário
E aí o que trata de fazer
Leva logo a família a conhecer
Disneylândia, Washington e Hollywood
Não  conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder

O sujeito quando é adolescente
Quer mudar o planeta e o país
Através dos arroubos juvenis
Vira líder, orador e dirigente
Mas um dia ele sendo presidente
o que foi nunca mais poderá ser
então diz que o remédio é esquecer
as loucuras que fez na juventude
Não  conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.

Quem vivia de noite de vigília
Pichação, movimento e barricada
Através disso aí fez uma escada
Pra chegar aos tapetes de Brasília
Vai pensar no futuro da família
E o que faz pra do posto não descer
Nunca falta quem queira se vender
Sempre encontra um covarde que lhe ajude
Não  conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.

Dirigido não é o dirigente
Dominante não é o dominado
Se quem vive debaixo é revoltado
Quando sobe ele fica diferente
Compreenda a fraqueza dessa gente
Submissa ao desejo de vencer
Eu também poderei me corromper
Quem sou pra ser dono da virtude
Não  conheço esquerdista que não mude
Quando pega nas rédeas do poder.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

A VELHICE - João Dorico


A velhice é o final da criatura
Que deforma e lhe deixa acabrunhado,
Não convém fazer mira no passado
Que a velhice é um mal que não tem cura.

A velhice no homem é uma tortura
Quando o mesmo se sente deformado
Das mulheres é sempre desprezado
E se recebe um carinho é com censura.

Sou mais um chegando à terceira idade
A viver de lembranças e de saudade
Dos bons tempos da minha meninice

Fui um jovem feliz no meu passado
Fui bastante querido, fui amado.
Tenho mágoa profunda da velhice.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

domingo, 16 de fevereiro de 2014

ROSA E ESPINHO - Gilberto Cardoso dos Santos


Deixe a rosa exalar o seu perfume
há quem goste do cheiro que ela tem
esta rosa se hoje não faz bem
no futuro verão por novo lume
pois o povo daqui tem o costume
de esquecer e esquece rapidinho
já tem gente que olha com carinho
pra quem foi no passado salafrário
vai-se a rosa e o votante mercenário,
se conforma com o gume do espinho.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A CHUVA PASSOU DISTANTE DO ROÇADO DO SERTÃO - Hélio Crisanto


MOTE: Geraldo Amancio

O roceiro entristecido
Olha a barra no horizonte
Pois onde existia a fonte
Só tem solo ressequido
Olha seu filho sofrido
Lamenta a situação
Sem fé, sem leite, sem pão
Sem um governo atuante
A chuva passou distante
Do roçado do sertão

Do livro PROSA DE CANCELA. Entre em contato conosco e adquira-o.







COMO TREINAR PULGAS E ELEFANTES - Dr Lair Ribeiro

Você sabe como se treina uma pulga? Coloque a pulga dentro de um jarro e
feche-o. A pulga não gosta de ficar presa e começa a pular. Ela pula, bate na tampa do
jarro e volta, bate e volta várias vezes até que seu cérebro chega à conclusão de que
não adianta e ela começa a pular numa altura menor, sem bater na tampa. Depois que
isto acontece, pode-se tirar a tampa do jarro que numa mais a pulga pulará para fora.
Seu cérebro se condicionou à existência da tampa e ela nunca mais vai identificar a
sua ausência.

Como se treinam elefantes? O princípio é o mesmo usado para as pulgas. O
treinador pega o elefante quando bebê, passa uma corda em seu pescoço e o amarra
numa árvore. O elefantinho tenta sair, mas a árvore é pesada, forte, e ele não
consegue. Depois de tentar várias vezes, ele desiste. Aí ele cresce, vai para o circo, e a
única coisa que o palhaço tem que fazer para prendê-lo é amarrá-lo com uma corda na
perna de um tamborete. O elefante continuará pensando que está amarrado num árvore.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

MUSEU DA CASA DE PEDRA VIRA CENÁRIO PARA GRAVAÇÃO DE FILME SOBRE CRISTO


PATU EM 08 E 09 DE FEVEREIRO FOI PALCO DO CENÁRIO DE NAZARÉ E BELÉM DA BÍBLIA.

As gravações aconteceram do Sitio Escondido e Fazenda Cajueiro (contando a história do nascimento de Cristo).

A ONG Luz em Ação esteve este final de semana realizando em Patu no Museu Rural e na Fazenda Cajueiro as gravações da série TELESTAI, a previsão é que será lançado mundialmente em mais de cem línguas, participaram atores e figurantes de Natal e mais de 15 atores de Patu, a equipe e os figurantes são todos voluntários e a série tem o objetivo de esclarecer a mensagem central da Bíblia.


Certeza Incerta - Daniel Medeiros



No ponto X da questão, 
passado e futuro se entrelaçam, o tempo deserta de sua função, os deuses recolhem suas mãos, no ponto X da questão a escolha é nossa, como co-criadores do destino, presos entre a certeza e a incerteza, nesse jogo evoluímos e crescemos, nos achamos e nos perdemos. Temos de fato alguma escolha que não seja incerta?, ser ou não ser?, ir ou não ir?. Eis a Vida, o grande mistério de existir, pensar, ser, e descobrir. Sou caminhante, sou buscador, pra saber se existo aqui estou, preso a vida, preso a dor, sem saber nem se quer para onde vou. 

domingo, 9 de fevereiro de 2014

OPINIÕES SOBRE O RECITANDO O SERTÃO 2014

Achei ótimo! Vocês têm ótimos músicos e as canções são adequadas ao que o evento propõe. As suas vozes se harmonizam muito bem.
Adriano Nóbrega





Foi um espetáculo marcante da cultura popular nordestina. Parabéns extensivo a

todos os poetas e músicos participantes! - Kiko Alves, poeta, cantor e compositor



um verdadeiro espetáculo, vcs estão sempre de parabéns... essa é a terceira vez que 


vou prestigiá-los e como sempre um belo cenário, áudio muito bom e um 


"repertório" excelente... Parabéns. - Camila Baracho




Uma honra ter participado de mais um Recitando o Sertão com os amigos da 

APOESC e grande alegria por mais um livro de Hélio Crisanto sendo lançado. 

Sucesso e agradecimentos pelo que vcs realizam em nome da cultura local. - 

Iranilson Silva






Foi lindo ....algo que deve se repetir.....podia virar um espetáculo. - Alexsandro

Rodrigues








Todos estão de parabéns, quem não foi não sabe o que perdeu, foi emocionante!!!! sucesso Hélio. Ivaneide Borges





Para mim foi muito emocionante..me senti no terreiro de casa e falando das coisas

boas que temos... - André Soares 



No Palco do Teatro muita Rima, muito Verso, muita música boa cantada com estilopor Hélio Crisanto e companhia, um evento que fiz questão de participar pois sou um grande admirador das tradições nordestinas principalmente da nossa musicalidade, parabéns amigo Hélio. - Robson Freitas, blogueiro.

Veja mais em BLOG DO ROBSON FREITAS
 



Foi um evento belíssimo! Show de pura poesia, mesclando o cancioneiro nordestino com o trabalho autoral do grande poeta Hélio Crisanto. Foi um 
coincidência maravilhosa está em Santa Cruz nessa noite de sábado! O livro, penso que todos deveriam ter a oportunidade de folhear... É verdade, é 
sentimento, é tradição, é a cultura que brota dos sonhos do poeta. - Leão Neto, cantor

ANDROIDE SEM PAR: CRÍTICA, MÚSICA E CONVITE

"Não tem como não se identificar com o ANDROIDE SEM PAR, se você já perdeu um grande amor sabe exatamente o que ele está cantando. Juão Nin, 23 anos, irreverente artista potiguar, é um convicto explorador dos sistemas humanos temporais, os relacionamentos, suas perdas e danos. Batizado com o nome de uma composição do Cazuza o projeto musical é romântico e intimista, mas que apesar de autobiográfico atinge um patamar universal justamente pelas composições sinceras e praticamente confessionais." - Lilla Fernandes




Ouça:




Esses Meses

Andróide Sem Par





Se quiser me conhecer
Vai ter que passar 12 meses comigo
Se quiser me entender
Vai ter que passar
O tempo todo perdido
E
Lembrar que eu sou o dia pós carnaval
Que nao ligo pras datas festivas
Que meus meses sao trocados, fora do normal
E eu morro no natal.
E
Lembrar que eu sou o dia pós carnaval
Que eu odeio datas festivas
Que meus dias sao contados, fora do normal
E eu morro em natal.
Se quiser me convencer
Vai ter que passar
O tempo todo insistindo
Se quiser me esquecer
Vai ter que passar
O tempo todo comigo.




IMAGENS DO APOESC RECITANDO EM 2014 E DO LANÇAMENTO DO LIVRO DE HÉLIO CRISANTO

O escritor André Soares, em uma de suas brilhantes participações

Livro que foi lançado no evento, Prosa de Cancela

Marcos Cavalcanti, lendo/declamando trecho do livro.

Kiko Alves e Leão Neto - grandes artistas potiguares - estavam na platéia.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Ordem, sentido e diploma! (Maciel Souza)



Voltei à Escola Agrícola “Vidal de Negreiros” onde cursei o ensino médio. No banheiro, um senhor na porta cobrava R$ 2,00. Pedi que me deixasse entrar, pois tão logo providenciaria o dinheiro: _Só mediante pagamento adiantado_ foi o que disse. Saí indignado:_Volto a minha escola e sou tratado assim?_ Com lágrimas nos olhos acordei. O sonho foi depois que assisti a uma reportagem em que policiais militares vão administrar escolas públicas do estado de Goiás ao custo de R$ 1.500,00 reais ao ano por família e, desempregado, o pai de uma das alunas diz que vai tirar a filha da escola: “Eu não tenho condições. Como fica para alguém sem emprego?”
A nossa escola tem profundas marcas do militarismo. Até aí nenhuma novidade. Fardamento, disciplina, atividades, castigo, portões fechados, corredores... são heranças desse modelo. O que chama atenção é o “aprofundamento de relação” e o processo sorrateiro de terceirização da educação pública, em meio a discussões por uma educação inovadora, inclusiva e pela desmilitarização da polícia.
Segundo a reportagem, “A Secretaria de Educação de Goiás garante que quem não puder pagar terá vaga garantida em outra escola pública e de graça”. Está claro nesta fala, nada eufêmica, o discurso segregado de que o estado de Goiás vai dispor de uma escola para os que podem e outra para os filhos de pais que não podem custear, numa segunda milha, uma melhor escola para seus filhos. Entretanto, até para aqueles que “não se adaptarem ao projeto”, fica “resolvido” aí o inciso constitucional de que educação é direito de todos e dever do Estado. E assim chegou o dia de nosso contracheque determinar em que escola pública matricular nossos filhos, depois da cobrança de pedágio nas estradas e antes de nossa conta bancária certificar de vez nosso acesso a determinados procedimentos médicos ofertados pelo SUS.
Atento a este processo de mercantilização do público, mais especificamente da educação e de passagem por um município vizinho, observei um carro de som fazendo propaganda de um curso de pedagogia ministrado por uma instituição privada. Os atrativos eram aulas uma vez por semana, brindes e garantia de diploma daqui a três anos. A impressão é de que fazem anúncios de cursos para formação de professores igual se empurra panfletos de produtos de supermercado por debaixo de nossas portas. Na Finlândia, por exemplo, país que se destaca em educação, esse mesmo professor leva sete anos para se formar, dos quais três anos é residência pedagógica e, ainda aqui no Brasil, segundo estudos da professora Bernardete Gatti, que serve também para as duas escolas do estado de Goiás, 69% do curso de Pedagogia são apenas teoria, os outros 31% são muitas vezes teoria sobre a prática.
Eu vi há pouco que de olho no repasse de recursos do MEC, um gestor municipal anunciou em blogues o sorteio de uma moto para atrair matrículas de alunos em suas escolas de Ensino Fundamental no início deste ano letivo. Ora, sem querer abordar as estatísticas de morte por esse meio de transporte a serem consideradas numa decisão pedagógica, nem pretender discutir aqui questões que implicam numa possível incoerência educacional, diante do que prever a Legislação Nacional de Trânsito com relação a menores enquanto condutores; num país onde educação é levada a sério no mínimo o sorteio seria de livros ou procurariam conquistar alunos pelo seu diferencial pedagógico.
O exemplo mais forte que vem de Goiás só confirma as dificuldades tremendas em avançarmos na mudança de paradigma da educação e pior, não conseguimos desvencilhar-se desse formato de escola que já provou não irá redimir o país. Sempre entendi que educação e polícia repressiva atuam em lados opostos, mas há os que justificam esse tipo de atitude como meio de contenção à violência que adentrou os muros das escolas. Nestas horas referências a Paulo Freire, pensamentos de Rubem Alves, experiências de Emilia Ferreiro... só molduram nossos trabalhos acadêmicos e provam  que nos apropriamos dos conceitos de Educação como redenção, reprodução  e transformação da sociedade (SAVIANI, 1987)  apenas para fundamentar as nossas teorias. Na prática mesmo chamamos a polícia e impomos ordem na casa.

CONVITE EM VERSOS


Sábado vai ter muita cultura
Poesia, prosa e canto
Vai todo mundo curtir
E não precisa de espanto
Poetas na passarela
Para abrir a cancela
Do poeta Hélio Crisanto.













Vem gente de todo canto
com medo tô, eu confesso
das Arábias, do Japão,
de Tangará, Bonsucesso
a fila vai dar na praça
e o bom é que é de graça
nem precisa de ingresso.




domingo, 2 de fevereiro de 2014

TEU OLHAR - Alexandre Miranda


Gregório de Matos disse:"Anjo no nome, Angélica 
Na cara, isso é ser flor e anjo juntamente..."
Eu diria rosa de amor 
Perfume da flor de um olhar inocente

Faz de mim tua mirada
Com esse olhar tão reluzente 
Me coloca na tua estrada
E me ensina a ser assim DIFERENTE

E quando o crepúsculo chegar
O sol se abrir ou o vento soprar
Quisera eu, aah quisera

Ser o fruto mais belo
Desse teu jeito meigo doce
De olhar !