APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


sábado, 28 de fevereiro de 2015

IMPORTANTE REUNIÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE CULTURA



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Não há quem prove no mundo, Da verdadeira riqueza

Mote de Aristóteles Pessoa

Aristóteles Pessoa: 

Há quem diga que os metais,
São os bens mais preciosos,
Outros dizem orgulhosos,
Que a saúde é muito mais,
Têm quem fale é bom demais,
Ter saúde e ter grandeza,
Eu lhe digo com franqueza,
Sem conhecer bem profundo,
Não há quem prove no mundo,
Da verdadeira riqueza.


Gilberto Cardoso dos Santos:

A riqueza verdadeira
não tem a ver com dinheiro
pois tudo é passageiro
e sempre acaba em canseira
no fim é tudo besteira
se acaba toda esperteza
de nada se tem certeza
e a morte vem num segundo
Não há quem prove no mundo
da verdadeira riqueza.


Aristóteles Pessoa: 

Procurei ser coerente
Entendedor perspicaz
Estudioso e contumaz
Pra decifrar consciente
A ostentação aparente
Dos mortais da avareza
Que vivem na tacanheza
E são ricos moribundos
Não há quem prove no mundo
Da verdadeira riqueza.

Gilberto Cardoso dos Santos:

A riqueza que se busca
Parece uma miragem
Encantadora paisagem
Que na penumbra se ofusca
O tempo de forma brusca
Vem feito uma correnteza
Põe sobre nós a tristeza
Leva ao abismo profundo
Não há quem prove no mundo
Da verdadeira riqueza.

Aristóteles Pessoa: 

Quem tem grande patrimônio
Sua medida nunca é cheia
Vive sempre com a ideia
De nunca entrar em declínio
O dinheiro é seu fascínio
Mas o tempo com certeza
Vai frenar sua destreza
e eu lhe aviso num segundo
Não há quem prove no mundo
Da verdadeira riqueza.


Gilberto Cardoso dos Santos:

Nada no mundo é perfeito
E tampouco permanente
O homem é geralmente
Um eterno insatisfeito
O prazer perde o efeito
A força vira fraqueza
E o homem vê com clareza
Ser infeliz lá no fundo
Não há quem prove no mundo
Da verdadeira riqueza.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

UMA INJUSTIÇA CONTRA OS IDOSOS - Gilberto Cardoso dos Santos



Acho uma coisa espantosa
Difícil de acreditar
Ver a justiça a cobrar
Pensão duma avó idosa
De maneira vergonhosa
A “justiça” tem agido
Toda vez que tem prendido
Um pacato cidadão
Que suporta humilhação
Por crime não cometido.

Quanta gente perigosa
Pratica corrupção
Mas não vai para a prisão
Só porque é poderosa
É pouco criteriosa
Essa determinação
É uma injusta solução
Extremamente mesquinha
Castigar uma velhinha
Por causa duma pensão.

Se quem tem culpa é o neto
ou se o filho é culpado
Penalizar um  coitado
Não me parece correto
De fato é algo abjeto
Uma tal legislação.
Vamos botar na prisão
Quem realmente merece
Não um pobre que padece
Prenda o político ladrão!




segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

FEIJÃO VERDE FALSO E VERDADEIRO

Desonestidade hoje
é coisa de espantar
é do maior ao menor
todos tentam enganar
até mesmo feijão verde
estão a falsificar!

Aprenderam com políticos
sobre a desonestidade
tentando sobreviver
enganam a humanidade
São uns Pedro Malasartes
mas sem traços de bondade.

Como saber se o feijão verde foi falsificado? Veja no vídeo



Grupo é preso por usar corante para falsificar feijão verde em Fortaleza



Três mulheres e um homem foram presos na noite do sábado (21) por vender feijão verde falsificado. Segundo a polícia, o grupo usava corante para tingir de verde o feijão branco. Com a nova cor, eles cobravam dos clientes o preço do feijão verde. De acordo com a polícia, o saco era vendido por R$ 3.
O grupo foi preso na esquina das ruas Pedro Pereira e Major Facundo. As mulheres estão presas na Delegacia de Capturas, e o homem no 34° Distrito Policial, no Centro da capital.
De acordo com a Polícia Civil, eles vão responder por estelionato. O corante, usado para mudar a cor do feijão, também foi apreendido pelos policiais e vai ser analisado pela perícia. Em contato com água, o pó adquire a cor verde. Se for a substância for tóxica, o grupo preso também poderá responder por lesão corporal.

Os sacos de feijão eram vendidos no Centro de Fortaleza. (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

Fonte: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2015/02/grupo-e-preso-por-vender-feijao-verde-tingido-no-centro-de-fortaleza.html

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

PRÊMIO SESC DE LITERATURA


Até o dia 01 de março estão abertas as inscrições para o Prêmio Sesc de Literatura, nas 

categorias Contos e Romances.

A novidade deste ano é que os escritores interessados poderão enviar sua obra 

diretamente online!

Para ter acesso ao link de inscrição e o edital completo, vá em


http://bit.ly/inscricoesabertaspremiosesc

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

UMA HISTÓRIA DE CORNO - Luiz Berto


Eu conheci Marco Aurélio quando ele ainda estava de
porre, curtindo a imensa desgraça que foram os chifres bem
enterrados na testa pela esposa infiel.
Jururu, num canto de sala com o copo não mão, ele foi−
me apresentado pelo irmão e veio logo puxando conversa:
− Menino, eu tenho um negócio pra te contar. Tu me
parece gente boa...
Foi bruscamente interrompido pelo irmão:
− Fica quieto! Tu tem que sair contando isso pra todo o
mundo, é?
No que replicou de pronto, com a cara mais lavada do
mundo:
− Que é que tem? O corno sou eu e eu conto pra quem
bem entender...
E desfiou a história da traição da mulher, sua fuga com o
"pé−de−urso" num carro alugado em direção à praia.
− E eu sou um corno tão besta que ainda paguei a corrida.
A mulher mandou o motorista cobrar de mim. É peia, né não?
Professor de Literatura, alma sensível, cativante à primeira
vista, Marco Aurélio era chegado a uma glosa. Tão chegado,
que fez uns versos gozando os próprios chifres. Transcrevo do
jeito que ele me passou:

Por ser assim desleixado
Vivia bebericando
De lado as coisas deixando
Sem querer tomar cuidado
Eu era bem muito amado
No amor eu era assim
Mas o que sobrou pra mim
Eu nem quero fazer conta:
Foi ‘ponta" por sobre "ponta"
No amor fui muito ruim.

Por mais décima que eu faça
Por mais bebida que eu beba
Por mais bonito que eu seja
Por mais que gostem de mim
Por mais que eu faça assim
Relembro a minha desdita
De me casar com a maldita
Sem amor e sem afim
Por mais que eu goste da vida
No amor fui muito ruim.

Arranjei um querubim
Nesta vida passageira
Que me foi tão traiçoeira
Mas ela nasceu assim
Para mim foi estopim
Para mim foi a desgraça
Me deixou até sem calça
Por um tipinho assim
Que mesmo assim nesta graça
No amor fui muito ruim.

Marcante ausência, Marco Aurélio já não me escreve há um bom tempo. 
Perdemos o contato nas curvas deste oco de mundo.
Guardo viva na lembrança sua cara de surpresa, rematando a 
história dos chifres:
− Depois que todo mundo sabia de minha história em
Palmares, resolvi pedir transferência do Banco para outra cidade. Escolhi 
Paulista, perto de Recife. Aqui, não dava mais.
Aí, fiz um requerimento e, onde era pra escrever "motivo", eu
botei lá: "problemas em decorrência de infidelidade conjugal".
Quando cheguei em Paulista, pensando que ninguém me
conhecia, já tava todo mundo esperando "o corno de Palmares".
Agora, me diga: é ou não de lascar o cano?



quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

MATUTO NO CARNAVAL - Hélio Crisanto

Quando é carnaval, o matuto se dana
Consegue uma grana, vai pro litoral
E num mela-mela todo especial
Segue pela estrada numa caravana.
No meio do caminho, se lasca na cana
Derrama araruta pega a se melar
Chegando na praia põe-se a vomitar
Vomita galeto espremendo o papo
E a onda marota dá nele um sopapo
Levando a farofa pra dentro do mar
(Hélio Crisanto)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

CANÇÃO DO RETIRANTE - Jorge Fernandes


Entrou janeiro o verão danoso
Sempre aflitivo pelo sertão...
Cacimbas secas nem merejavam...
O moço triste disperançado
Fez uma trouxa de seus teréns...

De madrugada - sem despedida -
Foi pra São Paulo pras bandas do sul...

A moça triste se amurrinhou
Ficou biqueira
Virou ispeto
- Ela que era um mulherão -
Inté que um dia já derrubada
De madrugada
Foi pra São Paulo...

Pra um São Paulo que ninguém sabe não...


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Seu Lunga - Tolerância zero!



Tolerância zero
(Ismael Gaião)

Eu vou falar de Seu Lunga
Um cabra muito sincero,
Que não tolera burrice
Nem gosta de lero-lero.
Tem sempre boas maneiras,
Mas se perguntam besteiras,
Sua tolerância é zero!

Ao entrar num restaurante
Logo depois de sentar,
Um garçom lhe perguntou:
O Senhor vai almoçar?
Lunga disse: não Senhor!
Chame o padre, por favor,
Vim aqui me confessar.

Lunga tava na parada
Com Renata perto dele.
Esse ônibus vai pra praia?
Ela perguntou a ele.
Ele, então, disse à mulher:
- Só se a Senhora tiver
Um biquini que dê nele!

Seu Lunga tava pescando
E alguém lhe perguntou:
- Você gosta de pescar?
Ele logo retrucou:
- Como você pode ver,
Eu vim pescar sem querer,
A polícia me obrigou.

Pagando contas no Banco
Lunga viveu um dilema
Pois com um talão nas mãos,
Ouviu de Pedro Jurema:
O Senhor vai usar cheque?
- Ele disse: não, moleque,
Vou escrever um poema.

Em sua sucataria
Alguém tava escolhendo,
- Por quanto o Senhor me dá,
Essa lata com remendo?
Lunga, sem pestanejar,
Disse: não posso lhe dar,
Porque eu estou vendendo.

E ainda irritado
A seu freguês respondeu:
Tudo que eu tenho aqui,
Eu vendo porque é meu.
Se o Senhor quiser ver,
Coisas sem ser pra vender
Vá visitar um museu.

Lunga foi comprar sapato
Na loja de Barnabé
E um rapaz bem gentil
Perguntou: é pra seu pé?
Ele disse: não esqueça,
Bote na minha cabeça,
Vou usar como boné.

Lunga carregava leite
Numa garrafa tampada
E um velho lhe perguntou:
Bebe leite, camarada?
Ele disse: bebo não!
Depois derramou no chão.
- Eu vou lavar a calçada.

Seu Lunga tava deitado
Na cama, sem se mexer.
E um amigo idiota
Perguntou, a lhe bater:
- O senhor está dormindo?
Lunga disse: tô fingindo,
E treinando pra morrer!

Seu Lunga foi a um banco
Com um cheque pra trocar
Um caixa muito imbecil
Achou de lhe perguntar:
O Senhor quer em dinheiro?
- Não quero não, companheiro,
Quero em bolas de bilhar.

Lunga olhou pro relógio
Na frente de Gabriela
Quando menos esperava,
Ouviu a pergunta dela:
- Lunga viu que horas são?
Ele disse: não, vi não,
Olhei pra ver a novela!

Seu Lunga comprava esporas
Para correr argolinha
E o vendedor idiota
Fez essa perguntazinha:
- É pra usar no cavalo?
- É não, eu uso no galo,
Monto e dou uma voltinha.

Seu Lunga tava pescando
Quando chegou Viriato
- Perguntando: aqui dá peixe?
Lunga falou: é boato!
No rio só dá tatu,
Paca, cutia e teju,
Peixe dá dentro do mato.

Lunga foi se consultar
Com um Doutor que era Crente
Esse logo perguntou:
- O Senhor está doente?
- Lunga disse: não Senhor,
Vim convidar o Doutor,
Para tomar aguardente.

Seu Lunga, com seu cachorro,
Saiu para caminhar
Um besta lhe perguntou:
É seu cão, vai passear?
Lunga sofreu um abalo,
Disse: não, é um cavalo,
Vou levar para montar.

Lunga trazia da feira,
Já em ponto de tratar,
Uma cabeça de porco,
Quando ouviu alguém falar:
- Vai levando pra comer?
Ele só fez responder:
- Vou levando pra criar!

Lunga foi à eletrônica
Com um som pra consertar
E ouviu um idiota
Sem demora, perguntar:
- O seu som está quebrado?
- Tá não, está estressado.
Eu trouxe pra passear.

Seu Lunga foi numa loja
Lá perto de Itaqui
- Tem veneno pra rato?
- Temos o melhor daqui.
Vai levá-lo? Está barato.
- Vou não, vou buscar o rato
Para vim comer aqui!

Seu Lunga tava bebendo,
Quando ouviu de Tião:
- Já que faltou energia,
Nós vamos fechar irmão!
Lunga falou: que desgraça!
Eu vim pra tomar cachaça,
Não foi tomar choque não!

Lunga tava em sua loja
Numa preguiça profunda
Quando escutou a pergunta
Vindo de Dona Raimunda:
- O Senhor tem meia-calça?
- Isso em você não realça,
Ou você, tem meia bunda?

Seu Lunga ia pescar
E um amigo encontrou
Depois de cumprimentá-lo
Seu amigo perguntou:
Lunga vai à pescaria?
Seu Lunga só disse: ia.
Pegou a vara e quebrou.

Jacó estava querendo
Apostar numa milhar
Vendo Lunga numa banca
Disse: agora vou jogar!
E foi gritando dali:
- Lunga, passa bicho aqui?
- Passa sim! Pode passar.

Seu Lunga sentia dor
Procurou Doutor Ramon
Que começou a consulta
Já perguntando em bom tom:
Seu Lunga, qual o seu plano?
Lunga disse: sem engano,
O meu plano é ficar bom!

Lunga tava em seu comércio
Despachando a Zé Lulu
Que depois de escolher
Fava e feijão guandu.
- Disse: vou levar fubá.
E o arroz como está?
Lunga respondeu: Tá cru!

Lunga com uma galinha
E a faca pra cortar,
Seu vizinho perguntou:
Oh! Seu Lunga, vai matar?
Com essa pergunta burra,
Disse: não, vou dar uma surra,
Logo depois vou soltar.

Lunga indo a um enterro
Encontrou Zeca Passivo
- Seu Lunga pra onde vai?
Ao enterro de Biu Ivo.
- E Seu Biu Ivo morreu?
- Não, isso é engano seu,
Vão enterrar ele vivo!

Lunga mostrou um relógio
Ao filho de Biu Romão
- Posso botar dentro d’água?
Perguntou o garotão.
Lunga disse sem demora:
- Relógio é pra ver a hora,
Não é sabonete, não!

Lunga fez uma viagem
Pra cidade de Belém
E quando voltou pra casa
Ouviu essa de alguém:
- Oh! Seu Lunga, já chegou?
- Eu não, você se enganou,
Chego semana que vem!

Lunga levou uma queda
De cima de seu balcão
- Quer tomar um pouco d’água?
Perguntou o seu irmão.
Lunga logo, respondeu:
Foi só uma queda, meu!
Eu não comi doce não!

Na porta do elevador
Esperando ele chegar
Seu Lunga escutou um besta
Pro seu lado perguntar:
- Vai subir nesse momento?
- Não, que meu apartamento,
Vai descer pra me pegar.

Se encontrar com Seu Lunga
Converse, mas com cuidado,
Pois ele pode ser grosso
Mesmo sendo educado.
Eu já fiz o meu papel
Escrevendo este cordel
Pra você ficar ligado!


sábado, 14 de fevereiro de 2015

A IMPORTÂNCIA REAL DO PROFESSOR - José Acaci


A IMPORTÂNCIA REAL DO PROFESSOR

Se você é um bom advogado,
se é juiz, ou se é um engenheiro,
se hoje você tem muito dinheiro,
deve ter estudado pra danado.
Parabéns por você ter alcançado,
pois merece essa honra com louvor,
não esqueça que antes de ser doutor,
você foi um aluno no passado.
Eu só quero que fique registrado
a importância real do professor.

Professor que acorda sempre cedo,
pra chegar sempre no horário certo,
sua vida é como um livro aberto,
sua história tem sempre um grande enredo.
Se adoece ele chega a sentir medo
de não poder mostrar o seu valor,
pede a Deus para livrá-lo da dor,
pra na sala outra vez ser abraçado.
Eu só quero que fique registrado
a importância real do professor.

No trabalho incessante mete o peito,
Descobrindo maneiras de ensinar,
Está sempre disposto a explicar,
E explica sempre de um novo jeito,
Pra falar dele, eu sei que sou suspeito,
Mas eu quero gozar este sabor,
De cantar para o mundo seu valor,
E dizer que de amor ele é cercado,
Eu só quero que fique registrado
A importância real do professor.

Se na sua labuta ele se cansa,
Pede a Deus que lhe dê mais energia,
Mais saúde e mais sabedoria,
E nessa caminhada ele avança.
Sua própria história se entrança,
Com a história do bravo lutador,
Enalteço seu nome e seu valor,
E lhe digo: “És um bem aventurado”.
Eu só quero que fique registrado
a importância real do professor.
           FIM
José Acaci

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

POESIA PRATEADA - Rita Luna



A lua abraça a terra
Com seus lânguidos braços pálidos
No rosto as bochechas infladas
Sopram a luz prateada

Aquece um turbilhão de palavras
Que dançam procurando seu lugar
Entram nas cavernas do pensamento
Tentando o verso equilibrar

E os sonhos do poeta banhados de luar
Vão entrando na poesia
E a insônia prateada vê raiar o dia

Vai se tornando dourada, a luz prateada
Rompe a aurora, a madrugada
Tecendo o poema da fantasia, a poesia!

Rita Luna

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

PINGO DA CHUVA - Daniel da Silva


Uma gota de água 
na imensidão do oceano
mergulhada nas profundezas 
fria e escura.
Perdida em tal grandeza. 

Afogada em si própria.
Tudo que era pequeno e insignificante, 

Se tornou grande e único.
Agora eu sou oceano!



domingo, 8 de fevereiro de 2015

O ESTRAGO DAS DROGAS NAS FAMÍLIAS BRASILEIRAS - João Maria de Medeiros


Diante dos últimos fatos envolvendo assassinatos de pessoas jovens na nossa querida cidade, volto a usar o lápis, ou melhor, as teclas do meu computador pra falarmos um pouco sobre este assunto, dar nossa opinião, fazermos uma reflexão.
Aqui na nossa cidade, Santa Cruz, já ocorreram várias mortes, em apenas um mês e poucos dias deste ano novo! Se prestarmos bem atenção nas causas dessas mortes, perceberemos que os assassinados são, em sua grande maioria, de jovens envolvidos com a desgraçada das drogas! Esta mazela está fazendo um estrago imenso nas famílias brasileiras.
É um negócio muito bom para quem trafica, vende a droga, mas péssimo, terrível para quem consome, quem acaba viciado e não consegue mais largar mais o vício. Chega a um ponto que o viciado não consegue mais pagar as contas das drogas compradas aos traficantes e aí, como se sabe, acaba pagando com a própria vida.
É o que tem ocorrido muito por aqui, como diz a própria polícia.

Ontem,sábado, em conversa com populares, diante do último caso de morte, ocorrida ali nas margens do Rio Trairy, uma senhora me falou:
- Meu filho, só sabe o que é isso, quem tem um filho drogado dentro de casa como eu! Só eu sei o que tenho passado! Estou arrasada, devendo os cabelos da cabeça pra manter o vício do meu filho. Estou devendo muito dinheiro e não tenho como pagar...(um silêncio e começou a chorar).
Fiquei a ouvindo e ela não parava de falar:
- Em casa não tenho mais quase nada: a tv ele vendeu, assim como o ventilador! Ele vende quase de graça pra pagar a danada da droga!
Se não fizer isso, os caras vêm e o matam!! Já não sei o que fazer da minha vida com essa idade! Tenho sofrido muito com ele!
As vezes, como forma de pressionar-me por mais dinheiro pra comprar mais droga, coisa que não tenho mais, diz que vai suicidar-se! 
Confesso a você, moço, que Deus me perdoe(novamente volta a chorar), mas as vezes até penso que seria até melhor pra ele fazer isso, do que vê-lo metralhado na rua pelos traficantes, por comprar e não pagar!

Terminamos essa conversa, pois ela teve que levar o neto, filho do viciado, ao atendimento psicológico. Eu fiquei ali pensando comigo mesmo em que situação se encontra aquela pobre senhora, idosa, que ao invés de ter uma velhice de repouso e tranquilidade, sofre com o terrível problema das drogas, que assim como ela atinge milhões de famílias e, consequentemente a sociedade brasileira.
Alguma coisa precisa ser feita, senão futuramente o estrago, que ocorre hoje, será ainda maior. Quem for vivo, verá!
***João Maria de Medeiros é professor, poeta e cronista.

FOI PELOS VINTE CENTAVOS! - Gilberto Cardoso dos Santos



A TV tentou mostrar
Motivação diferente
Porém se vê claramente
Já não se pode negar
Que a revolta popular
que tanto nos encantou
e ao povo mobilizou
mostrando que somos bravos...
Foi pelos vinte centavos
Que o brasileiro lutou

No caso do Petrolão
Um roubo tão descarado
O povo anestesiado
Não esboça reação
Tamanha corrupção
A todos prejudicou
Mas o povo aceitou
Reagimos feito escravos
Foi pelos vinte centavos
Que o brasileiro lutou

A gente vê magistrados
Abusando do poder
Mas nada vem a fazer
Mesmo estando indignados
Permanecemos calados
O medo nos controlou
Ninguém se indignou
Vendo os terríveis conchavos
Foi pelos vinte centavos
Que o brasileiro lutou

Parece que os partidos
Todos se mancomunaram
Contra o povo conspiraram
No roubo estão envolvidos
Nos sentimos iludidos
Pois quase nada mudou
A gente se embriagou
E no fim restaram travos
Foi pelos vinte centavos
Que o brasileiro lutou

É triste ver o gigante
Dormindo placidamente
Sonhando feito  inocente
Totalmente confiante
Com a pobreza alarmante
Ele já se conformou
A política o amarrou
Com seus fortes alinhavos
Foi pelos vinte centavos
Que o brasileiro lutou

Queria ver o povão
E eu no meio certamente
Lutando raivosamente
Contra a corrupção
Queria que a canção
Que Zé Ramalho cantou
E a gado nos comparou
Recebesse desagravos
Foi pelos vinte centavos
Que o brasileiro lutou

A cegueira tomou conta
Do povo desse país
Somos um povo feliz
Que não reage à afronta
Enquanto o político apronta
E tira o que nos restou
Quem foi que  se aglomerou
Pra reagir aos agravos?!
Foi pelos vinte centavos
Que o brasileiro lutou

Feito abelhas trabalhamos
Lutamos pela colmeia
O mundo não faz ideia
Do quanto nos esforçamos
No entanto nos ferramos
Pois alguém nos enganou
Pra nós fumaça restou
Outros ficam com os favos
Foi pelos vinte centavos
Que o brasileiro lutou.

[...]

Ouça mais em FOI PELOS VINTE CENTAVOS!




sábado, 7 de fevereiro de 2015

DE CARONA COM LOBÃO - Hélio Crisanto


Só vejo roubo e desgraça
Se ligo a televisão
Gente enricando demais
As custas do petrolão
Tô pensando em ir embora
Me danar de mundo afora
De carona mais Lobão

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

CONVITE DO POETA ADRIANO BEZERRA

CONVITE

CONVIDO A TODOS OS AMIGOS E AMIGAS A SE FAZEREM PRESENTES NO LANÇAMENTO DO MEU NOVO CORDEL INTITULADO: "HISTÓRIAS MAL ASSOMBRADAS". QUE OCORRERÁ NO PRÓXIMO SÁBADO DIA 07 DE FEVEREIRO A PARTIR DAS 19:00HS NA RECEPÇÃO DO TEATRO CANDINHA BEZERRA - SANTA CRUZ/RN. SERÁ UM IMENSO PRAZER CONTAR COM A VOSSA ILUSTRE PRESENÇA!

AUTOR DO CORDEL: ADRIANO BEZERRA

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

DOIS, TRÊS BÁRBAROS ASSASSINATOS - Gilberto Cardoso dos Santos

Que sabemos eu e você sobre os dois jovens assassinados nesse primeiro mês de 2015 em Santa Cruz-RN? Provavelmente muito pouco, bem menos do que deveríamos. Sei sobre o primeiro que o chamavam de "Gordinho" ou "Gordim", que morava num bairro chamado Alegre e  era muito trabalhador. Disseram-me que era um rapaz bonito, simpático e admirado pelos que o conheciam. Alguém acrescentou: "Ele não tinha tatuagem, nem usava brinco, nem piercing."

Nessas horas as pessoas ficam tentando encontrar algo que justifique o crime, uma razão qualquer que caiba ao menos dentro da ótica da bandidagem. No caso de Edivanilson Pereira da Silva, o Gordinho, só obtive boas informações. O jovem de cerca de 20 anos foi vítima duma emboscada. Ao tentar escapar do assalto, foi alvejado nas costas. O dinheiro e a moto, honestamente adquiridos, foram a causa de sua destruição precoce.

Sobre a segunda vítima, Lúcio Flávio, sei mais porque fui seu professor em 2014. Em 27 de janeiro de 2015 - três dias após a morte de Edvanilson - baleado e esfaqueado no pescoço, foi jogado numa pedreira do bairro Maracujá, próximo ao local onde residia. 

Era um menino trabalhador, extremamente simples, órfão de pai. Com seu irmão, vendia picolé e ajudava os familiares no que podia. Ele tinha um temperamento calmo. Os meninos o chamavam de Jubileu e ele apenas sorria. Jubileu, termo de origem bíblica, faz referência a um período de intensa felicidade em que se comemora alguma data significativa. Aos 15 anos, idade que tinha, se comemora o jubileu de cristal. Exatamente aí a vida revelaria para ele toda sua fragilidade. Apesar de ter tal apelido, oriundo de júbilo, alegria,  seu riso não era ruidoso e talvez muito tivesse de resignação. Às vezes, em seu olhar, julguei ler alguma expressão de tristeza, de conformação com as vicissitudes da vida. Quem sabe, a perda do pai tenha agravado essa sensação. 

Eu e os outros professores nunca necessitamos puni-lo por qualquer coisa ou repreendê-lo. Certamente, nesse aspecto, era um motivo de orgulho para a família. No final do ano ele me surpreendeu quando me entregou em seu trabalho final uma porção de desenhos. Eu e outros colegas desconhecíamos seu pendor para a arte. Lembro que manuseamos com admiração cada página e tecemos elogios. A primeira coisa que pretendia fazer ao reencontrá-lo em 2015 era parabenizá-lo perante a turma e a partir daí incentivá-lo ao máximo. Infelizmente, não mais terei essa oportunidade.

Percebemos, por seus desenhos, que ele tinha em seu universo interior sonhos de um mundo justo, como todo jovem. Sua cabecinha era habitada por heróis. Como todos nós, ele e Gordinho deviam se deliciar com algum bom filme ou desenho animado em que o bem sempre prevalece. Refugiar-se nessas fantasias televisivas era uma válvula de escape para a cruel realidade em que todos vivemos. Na imaginação deles, com certeza, o bem sempre prevaleceria. A confiança em Deus  e  em certas pessoas tornavam esse mundo menos assustador. Há em seus desenhos uma moça bonita, de olhar penetrante quem sabe representativa de alguma com quem sonhou e que o fez chorar alguma vez na solidão da pedreira.  Chama-me a atenção, em seus desenhos, um general de olhar firme e bigodudo que cuida de sua segurança. Em seu mundo interior alimentado por filmes e desenhos, o crime não compensava. Nada escapava ao poder investigativo duma polícia bem equipada, não sobrecarregada pelo excesso de ocorrências, capaz de desvendar os crimes mais intrincados.

Lúcio Flávio era um jovem idealista, de alma nobre, sensível ao voo e beleza das borboletas. As flores e as aves, numa região que quase não mais as tem, também o deixavam enfeitiçado. Não julgava um desperdício o tempo que dispendia tentando reproduzi-las no papel. Mas a temível morte, de tão presente ao seu redor, lançava sombras  em seu pensamento e também o inspirava.

No livro O Código do Ser, Hillmann faz da semente de carvalho uma parábola da vida humana. Para ele, cada um de nós vem ao mundo com um chamado, uma espécie de missão e mais cedo ou mais tarde manifestará seus dons e vocação. Lúcio Flávio era um jovem vocacionado para as artes que não teve tempo de se desenvolver o suficiente. Tal como uma diminuta semente, trazia em si o potencial de tornar-se um carvalho frondoso, capaz de dar sombra à familia e amigos. Quem sabe a que alturas chegaria?
Enquanto enterravam Lúcio Cláudio, um desconhecido, perplexo, veio conversar comigo à porta do cemitério. - A situação tá muito complicada, - dizia-me ele referindo-se às duas mortes. - A gente não pode ter mais nada que alguém cresce o olho e quer tomar. Não pode mais ter um carro, uma moto, dinheiro. Antes, pelo menos, estavam matando só bandido. mas agora tão matando gente de bem, como esses dois jovens. Onde vamos parar?"

Sem saber direito o que responder, afastei-me do cemitério, enquanto escutava ao longe, cada vez mais distante, o clamor de uma mãe inconsolável com a injustiça feita ao ente amado.

O que significaria a prisão dos assassinos para os amigos e familiares destes dois jovens? Quase nada, imagino, diante da perda irreparável, mas é o mínimo que se espera. A vida necessita parecer com os filmes para que tenha sentido. Ficamos torcendo para que as autoridades competentes deem a estes casos a atenção que dariam caso se tratasse de pessoas socialmente ilustres ou se se as vítimas fossem da própria família. Estou torcendo, como no final de um filme, para que o bem de algum modo prevaleça e a gente não venha a ter que chorar em breve uma terceira vítima.*




















P.S.: Escrevi esse texto na manhã do dia 03.02.2015. À noite, um pouco depois das seis, mais um jovem (Luiz Welder) foi impiedosamente assassinado, no Alto do Cruzeiro.

Luiz Welder, a 3ª vítima


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

SERÁ QUE ESSA GENTE É GENTE? - Gilberto Cardoso dos Santos


De Alá são seguidores
O Misericordioso
Porém de modo espantoso
Eles praticam horrores
São insensíveis às dores
De um pobre ser inocente
E impiedosamente
riem da dor que provocam
pergunto aos que a Deus invocam:
Será que essa gente é gente?

Por cinco vezes ao dia
eles irão se curvar
e ao grande Deus exaltar
depois dessa covardia
Alá, quanta hipocrisia
quanta cegueira de mente
Mas permaneces silente
ante tal barbaridade
pergunto em perplexidade:
Essa gente é tua gente?

Vídeo triste e revoltante, veiculado pelo LiveLeaks.  Mostra muçulmanos se divertindo às custas de um pobre animal da maneira mais perversa.