quarta-feira, 11 de março de 2015

AS VERDADEIRAS BARATAS - Gilberto Cardoso dos Santos




Quando morre um “marginal”
Se alegra a sociedade
Como se o golpe fatal
Trouxesse tranquilidade
Mas a criminalidade
Não se acaba desse jeito
Não é matando “o sujeito”
Que mudaremos o mundo
O problema é mais profundo
Algo precisa ser feito.

De fato muitos parecem
Piores do que insetos
E muito jovens perecem
Nas mãos desses incorretos
Eles são jovens também
Vivem como não convém
Gerados na injustiça
Em um planeta excludente
Que é insuficiente
Para os que sentem cobiça

Jovens sem perspectiva
Crescem nas periferias
E de maneira nociva
Vegetam vidas vazias
São como cegos sem guias
Que se tornam infratores
Políticos exploradores
Dizem que vão resolver
Mas o que deve ocorrer
É  mudança de valores

Barata foi sua vida
De fato, de graça a deu
É uma triste partida
Para quem o concebeu
São sonhos despedaçados
Planos de vida frustrados
Verdadeiros pesadelos
Pra toda a sociedade
Que não tem capacidade
De no bom rumo mantê-los

Com qualquer um cidadão
Isso pode acontecer
Podia ser meu irmão
Um filho que vi nascer
A pobre mãe, a sofrer
Vê seu projeto frustrado
Vê um filho assassinado
Que no ventre carregou
Alguém por quem se doou
Não um inseto esmagado.

Tem crescido a violência
Por falta de educação
Não se toma providência
Contra a corrupção
Não é um reles ladrão
Assaltante ou maconheiro
O responsável primeiro
Pela crise social
E tem a ver, afinal,
Com desvio de dinheiro.

As verdadeiras baratas
Não se acham nos lixões
Mas levam vidas pacatas
Em suntuosas mansões
Recebem das multidões
Aplausos que não deviam
No dinheiro que desviam
Empobrecem a nação
Que fica igual um porão
Onde as “baratas” se criam.


Mãe de Gabriel, assassinado em 10.03.2015


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