APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


segunda-feira, 30 de novembro de 2015

O Deus do poder - Professor Ismael André

O mundo está em conflito E temos testemunhado Um Ocidente aflito Que está encurralado Vítima de um ceticismo Sem nada de humanismo Que o Oriente tem causado. Toda religião propaga Paz, esperança e união Porém, o que se indaga: Qual é sua verdadeira missão? Em nome de Deus tem matado Ideologias divinas têm causado Um poder de repressão. Na verdade não é divino O que o homem almeja Escrever o seu destino É sua grande peleja Ser soberano e ter sorte Usufruir além da morte É tudo que ele deseja. Poder é palavra mágica Que responde a tudo isso Do simples à forma trágica Tem que velar compromisso A guerra santa humana Desde o princípio emana Deixa o “Deus” é submisso. Que se dane este Deus Que só existe na mente De pouquíssimos plebeus Que vivem drasticamente A sustentar uma nobreza Egoísta, desumana e de avareza Que de Deus jamais é crente. O que é mais preocupante É ver homens com antolhos De suas vidas limitantes Sem olhar olhos nos olhos Semelhantes rejeitados Sem poder são abastados De uma vida sem refolhos. Neste grande antagonismo O tempo se atreveu O divino virou cinismo Até mesmo para o ateu O homem não se humanizou A hominização gerou E a essência se perdeu. O que é preciso entender É que Deus virou moeda Troca-troca de poder Do apogeu para a queda O homem se divinou Deus, serviçal virou Num furo que nada veda. Na cegueira ideológica Muitos estão a matar Qualquer doutrina teológica É motivo de anular Independem do Deus que é fã Alá, Javé ou Tupã Zeus, Titãs ou Oxalá. Temos que ter consciência E estarmos a refletir Sairmos da inocência De tudo nos incutir Que somos mesmos imortais Os que não creem são anormais Por isso, não devem existir.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

O Tempo - Cecília Nascimento


O Tempo

Quando criança, corri com o tempo para crescer.
Quando adolescente, almejei já ser adulto e parar de sofrer.
Na juventude, corri contra o tempo para poder crescer na academia, no trabalho, na “vida”.
Quando adulto, me propus a não perder tempo para avançar na carreira.
Avancei demais em tempo de menos.
Velha já estou. Hoje sei. Quando adulto, dei meu tempo para o trabalho e ele sugou-me a essência da visa.
Quando jovem, cedi meu empenho ao mercado e ele tirou-me a liberdade que teria.
Quando adolescente, desprezei meu presente e vivi sempre ausente, na esperança de um amanhã que não chegou.
E quando criança, tolhi o que de melhor havia em mim por não saber que era o que de melhor possuía: a Fantasia.
Hoje, vivo à procura de aproveitar o lúdico do universo que perdi, por isso brinco com meus netos.
Hoje, vivo na ilusão de aproveitar a diversão que a vida teria a me oferece, mas não há mais lugar para mim no convívio com as Patys e com os Boy’s Presença!
Hoje, quero discutir com os jovens o que tanto estudei, mas meu saber não lhes interessa. Estou “fora de linha”.
Hoje, quero cultivar uma conversa tranquila com meus filhos, mas agora são eles quem estão ocupados demais para perder tempo com velhos como eu.
Restou-me apenas viver o hoje que ontem semeei.
Como o tempo passa depressa!
Que horas são para você?


(Cecília Nascimento)

sábado, 21 de novembro de 2015

Cena Urbana - João Maria



É muito comum ultimamente, frente aos acontecimentos políticos nacionais, se falar mal da classe política. "Ladrão pra lá, ladrão pra ali, ladrão pra acola" é o que mais se escuta nas conversas das pessoas, do chamado povão principalmente!

Não se pode negar que a corrupção ocorre mesmo, que está muito grande dentro da classe política, mas isso não é coisa de hoje; vem de longas datas, dos primórdios da nossa história.

O pior não é isso. Infelizmente, a corrupção tão falada e criticada  pelo povão, não fica restrita à classe política! Ela está entranhada no seio da sociedade, claro que não podemos generalizar. Atos ilícitos , desonestos, vão desde os menos aos mais abastados desta sociedade  hipócrita e mesquinha.

Uma pequena prova disto, foi o que vi hoje de  manhã cedo  na feira de Santa Cruz.  Uma senhora , já de bastante idade, acho que deve ter uns 60 anos de vida, que estava fazendo compras de verduras numa banquinha ao meu lado , reclamava em tom até alto, da carestia e metia , sem pena e sem dó , o pau nos políticos. Chamava-os de "ladrões" , de "safados".

Mas o que mais me chamou a atenção ainda  estava ainda por vir. Aquela senhora, que aparentava, pelas críticas aos outros, aos políticos, ser uma pessoa honestíssima, mais a frente, após pagar as compras de verduras e sair na minha frente, fez algo que me fez escrever esta crônica.

Vi que ao, se dirigir a uma banca de laranjas, pergunta ao vendedor o preço das mesmas. Ao passo que o vendedor fala que são 6 por  R$ 1,00 . Mas ao invés das 6 laranjas , ela põe 10  e diz que colocou 6. O vendedor nem confere se eram 6 mesmo. Acredito que ele leva em conta se tratar de uma senhora  já bastante  vivida, com cara de gente boa!  Paga  com  uma moeda de R$ 1,00!! O vendedor diz:         
- "Muito obrigado e volte sempre"!

Depois de vê aquilo, fiquei pensando comigo: Como pode? Uma senhora daquela idade, que transmitia uma ideia de honestidade há pouco tempo atrás, quando teve oportunidade , também "meteu a mão"!

É o que ocorre com muitos , meus prezados amigos! É como bem diz o ditado popular , "Quem rouba um tostão, rouba um milhão"! 


***João Maria  de  Medeiros é professor, poeta e cronista.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Dessa seca feroz, quem resistir Tem assombros demais pra revelar - Hélio Crisanto


Um cachorro lambendo uma caveira
De uma vaca ceifada pela fome,
Toda a água que resta, o sol consome,
No riacho das moças do Teixeira.
Um novilho berrando na cocheira,
Já não acha ração para escapar,
Na cacimba nem lama vai achar,
Nem a caspa de um pau pra engolir;
Dessa seca feroz, quem resistir
Tem assombros demais pra revelar

NO FIM TODOS SÃO IGUAIS - Professor Ismael André



A ciência consagrou
Em diversos manuais
No big bang deflagrou
O surgir dos animais
O homem evoluiu
Do macaco incidiu
No fim todos são iguais.

Se acreditarmos, então
Num Deus bondoso demais
Que criou Eva e Adão
E os outros animais
Ao homem deu poder divino
Este banalizou seu destino
No fim todos são iguais.

Católico, protestante, candomblé
Independem os rituais
Cada homem com a sua fé
Condutas espirituais
Energúmeno, laico, cético,
Proselitista, ateu, eclético
No fim todos são iguais.

Seja qual for a procedência
Dos valores e ideais
Do divino, a clemência
Dos profanos, atos banais
Se o homem é fruto de Deus
Se veio das ciências dos ateus
No fim todos são iguais.

Já tentaram ajustar
Alguns intelectuais
O negro, branco deixar
Mudando os conceituais
Cabelo sendo esticado
Pele de branco queimado
No fim todos são iguais.

O homem próprio dividiu
Entre si classes sociais
Desta maneira expandiu
Sociedades desiguais
O rico, conceituou classe A
O pobre, abaixo da miséria está
No fim todos são iguais.

Uma outra divisão chamou
As atenções atuais
Um briga de gênero começou
Gay, lésbica, transexuais
Colorindo o viver
O homem põe em dúvida seu ser
No fim todos são iguais.

Na opulência contida
Das suas mazelas reais
Vem a cobiça investida
De sentenças surreiais
A arrogância é quem manda
A vaidade desmanda
No fim todos são iguais.


Os que residem em mansão
Nem sempre são cordiais
Com o reflexo cidadão
Dos problemas sociais:
Habitação, drogas, fome
Deixa o cidadão sem nome
No fim todos são iguais.

Um barraco é moradia
De atores sociais
Que estampa o dia a dia
De ficções bem reais
Um morro vira cenário
Num palco extraordinário
No fim todos são iguais.

Tenho tido a clareza
Dos nossos dias atuais
Da ganância à pureza
Vislumbram os rituais
Uns trocando de cor
Outros perdendo o valor
No fim todos são iguais.

Não adianta fugir
Das condições naturais
O homem não pode fingir
Dos seus gravames animais
Sobrepor seu criador
Independentemente do “Senhor”
No fim todos são iguais.

Ismael André


quarta-feira, 18 de novembro de 2015

POR QUE VIVO? - ASSUNÇÃO

Recebi da doutora Assunção - minha professora de mestrado - belíssimo presente: um exemplar de seu livro VERSOS DIVERSOS Nas Idas e Vindas da Vida. Vejam que maravilha de capa, extremamente poética:



À página 30, encontrei um poema com o qual muito me identifiquei, a começar pelo título. Ei-lo:

terça-feira, 17 de novembro de 2015

POEMA DE DAURA CELESTE



Sucumbes,
óh pequena árvore!
Tua sombra negra haste
Folhas de refrigerar.
Morres cedo
deixas sequela
O torrão que esquentas querelas
Sem refrigério
Sem ar.


Quem dera todas dores e alegrias do mundo
se convertessem em poesia.


Chora Mariana, Chora Rio Doce! - Ubirajara Rocha


Chora Mariana, Mariana pode chorar!
Chora a tua destruição, pois é hora de lamentar!
Pelas vidas perdidas, pelas famílias abatidas,
não tem como se conformar!

Pátria de leis corrompidas, fauna e flora destruídas,
tantas dores e feridas, é hora de reclamar!
Chora Rio Doce querido, Rio Doce pode chorar!
Chora pela poluição, que só lama vai jorrar!

Não tem água para a lágrima, só tem lama no lugar!
Teus peixinhos sufocados, teus pescadores desempregados,
os teus nativos desabrigados, não tem como tolerar!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Violência: o colapso mundial das relações humanas - Roberto Flávio Dias Câmara


Violência: o colapso mundial das relações humanas

Extremismo e violência sem limites extrapolam as fronteiras do oriente.
A bestialidade não poupa ninguém.
Crianças são vitimadas na terra ou nos mares. Recrutadas para o “santo” combate, muitas delas estão sendo preparadas para serem os heróis do amanhã.
Hospitais, escolas e abrigos humanitários são bombardeados, quando não são covardemente usados como escudos em conflitos que certamente não terão acordos definitivos de paz.
Etnias e populações quase que inteiras migram desesperadas como um bando selvagem à espreita da sobrevivência.
Os senhores da guerra produzem e vendem armas cada vez mais potentes como nunca visto em toda a história da humanidade.
Armas nucleares podem reduzir a humanidade ao nada em fração de horas. Grandes potências tem a bomba.  A Coreia do Norte também a possui. O Irã e a Síria já a teriam?
Um planeta violentado agoniza em meio a tantas agressões ambientais.
Dados geográficos indicam que “aproximadamente dois terços dos mamíferos e espécies de pássaros ameaçadas de extinção” devem seu estado de ameaça à destruição e à fragmentação de seus habitats”.
Secas, enchentes, furacões, inundações de lama, florestas inteiras destruídas por incêndios, poluição desenfreada das águas, do ar e do solo são fortemente o prelúdio de um caos socioambiental desta feita provocado por quem domina a terra: o homem.
No Brasil, a violência social, também fomentada pela criminalidade, tráfico e uso de drogas, produz uma verdadeira barbárie. O crime hediondo de hoje amanhã facilmente será “esquecido” por outro maior.
Outra forma de violência tem assolado o nosso país de canto a canto, e em todos os poderes: a corrupção. Chaga que corrói as finanças públicas e deixa cada vez mais a população longe dos direito sociais garantidos pela Constituição. A corrupção praticada pelos agentes políticos tem se tornado um dos maiores problemas a ser enfrentado nos dias atuais. Violência que urge punibilidade severa.
Violência contra as crianças traduzidas pela pedofilia, pior sabendo que religiosos “cristãos” estão por trás de muitos desses casos. O Papa Francisco, em entrevista ao Jornal La Republicca, em 13 de julho de 2014, afirmou que “2% dos clérigos católicos, ou um em cada 50, seriam pedófilos”. Pastores e outros “ministros” ditos evangélicos também são denunciados a cada dia. Violência cruel que deixa sequelas para toda a vida nas crianças e no entorno de seus familiares.
Outras tantas violências. O mundo jaz na maldade. O mundo jaz na violência.
Nossas vozes e ações não podem se calar.
Amemos cada vez mais quem está ao nosso lado, ao nosso próximo.
Lutemos por nossos sonhos com as armas da honestidade, da ética, da incorruptibilidade, da valorização humana e da tão imperiosa sustentabilidade do planeta.
É o começo do fim?
Salve-se quem puder, salve-se quem quiser!
Paraíba, 5º Estado mais violento do Brasil, 16 de novembro de 2015.

Roberto Flávio Dias Câmara

  

domingo, 15 de novembro de 2015

ESTROFES SOBRE MARIANA E PARIS - Hélio Crisanto

Rio doce, teu leito escorre lama
Tuas águas barrentas não tem vida.
Sua flora sucumbe destruída,
Sua fauna gemendo sente o drama.
Um cardume de peixe pela grama,
Agonizam torcendo a barbatana.
Sendo vítima de ação tão leviana
A natura cansada se maldiz;
O Brasil que lamenta por Paris
Também sente com a dor de Mariana
(Hélio Crisanto)



Um riacho de sangue em plena rua...
Corre a lágrima no olho de quem ama,
E o instinto do ódio se derrama,
A crueza do mal se perpetua.
Um soldado do Islã já não recua
Carregando fuzis em seu poder,
Enche o corpo de bomba pra morrer,
Mata, fere, trucida e apavora
Dois minutos de paz, o mundo implora
Aos carrascos que matam por prazer.
(Hélio Crisanto)






sábado, 14 de novembro de 2015

O Trairy Club - Rosemilton Silva




Não me recordo bem do ano da inauguração, mas sei que foi após 1958, ano de seca braba, de arrepiar ao ouvir o canto do Carão. O Trairy Club foi construído com a colaboração de todos da cidade, alguns doaram mais outros menos, mas todos ou quase todos, deram garrafas secas para serem vendidas,  outros fizeram doações em dinheiro comprando título de sócios.
Não tenho a menor ideia da data de inauguração mas até hoje está viva na memória a festa popular para recompensar aqueles que não podiam ir ao clube por não serem sócios ou não terem dinheiro para comprar uma mesa.
Era uma orquestra espetacular denominada “Marimba alma latina”, mas como ando perdendo parte da memória não me lembro de onde era também mas sei que  até hoje, mesmo reduzida, ainda existe e toca. A impressão que me deixa é que seria uruguaia.
Bom, o fato é que por volta das oito horas da noite, as portas de um dos armazéns da Eloi de Souza*, depois do riacho das Craibeiras no rumo de quem sobe na direção da hoje Praça da Bíblia, foram abertas e pulei pra chegar pertinho do palco. É que já segurava umas baquetas com vontade de me arriscar na bateria.
Como eu, muita gente ficou encantada com aquela maravilha musical. A marimba, para quem não sabe, é uma espécie de piano que se toca com baquetas apropriadas. Tem um som belo e que ainda hoje pode ser ouvido em países da América do Sul como Uruguai, Peru, Paraguai entre outros.
Eu ali, abestalhado com o malabarismo do baterista mas sem perder a beleza dos sons de toda a orquestra. Era a primeira vez que via uma orquestra de perto. Estava acostumado a ouvi-las no rádio com aquele som fanhoso e sem muita qualidade. Até mesmo a meninada, acostumada a perturbar qualquer ambiente nem se mexia. Foi uma noite esplendorosa.  Consegui com meu pai – nesse tempo a gente tinha que pedir, tomar a bênção, ter respeito etc e tal – a permissão para ficar do lado de fora do clube – eu só vim a entrar nele quando fiz parte do primeiro conjunto musical e da banda que tocava o carnaval – ouvindo aquele som maravilhoso e a festa animada.
Por entre aqueles pergolados podia ver a orquestra, as pessoas deslizando no salão encerado, a geladeira de madeira, algumas mesas com uísque, cerveja. Fiquei até por volta da meia noite quando Mané da Viúva veio me buscar a mando de dona Rosa. Houve outros bailes, outras belas orquestras mas lembro que uma das mais frequentes era a que acompanhava Bienvenido Granda porque esteve mais de uma vez na cidade. Raul de Barros, Tabajaras entre outros.

Hoje, quando estou em frente ao velho clube, estes filmes me passam pela cabeça e me vem a lembrança dos velhos e bons tempos vividos na poeira do chão que todos nós aprendemos a amar.


NOTA DE RODAPÉ: *As pessoas que de uma forma ou outra não puderam ir ao baile oficial de abertura das portas do sodalício - a palavra é antiga mas é boa -, tiveram a oportunidade de assistir ao show em um dos armazéns dessa rua.
Pois bem, os promotores da festa conseguiram abrir as portas de um dos armazéns do lado direito de quem olhando na direção do poente, onde não me lembro se Miguel Farias ou a Usina Nóbrega e Dantas guardava o algodão comprado no período da colheita. Pra quem não se lembra ou não conheceu, aquele armazém tinha uma parte das mais alta no fundo que serviu de palco e havia outros antes dele que se completavam com mais outros a partir da esquina da frente da casa de Cosme Ferreira Marques, no riacho das Craibeiras, na hoje avenida Rio Branco.
De modo que, as pessoas que não foram ao clube tiveram a oportunidade de se deliciar com um show antes da festa no clube, gratuitamente, me parece que como forma de agradecer a participação de todos na construção do prédio.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Culpa x culpados - Ismael André


Analisando o Brasil
Sabemos que a coisa está feia
De uma forma hostil
O socorro nos anseia
Um desmando que governa
Maltrata e subalterna
Seu povo de forma alheia.

Ver é horrorizante
Do menor ao maior
O seu poder governante
Deixando o povo na pior
Crise gerando inflação
Dinheiro público em corrupção
Numa nação que dá dó.

A madame presidente
Nos discursos é "coisada"
Abre a boca em excedente
Da mandioca a roraimada
Vento tenta estocar
A meta tenta dobrar
Quando nem era usada.

Porém não podemos culpar
Somente quem nos governa
A culpa maior está
No povo que só baderna
Se corrompe com tostões
Por não ter acesso a milhões
Se encurrala numa caverna.

A caverna de Platão
Aqui chegamos a comparar
Das correntes da escravidão
O povo tem que se libertar
Usar da ética e moral
Exterminar o banal
Voltar a se humanizar.

Enquanto milhões giram
De bancos, contas e mãos
Dos pobres já sucumbiram
Os direitos de cidadãos
Educação, cultura, lazer
Saúde, esporte, habitação, deve ser
Uma utopia, uma ilusão.

A temática é salutar
Quanto a corrupção
Nas coisas simples vejo começar
Esta disseminação
Basta uma fila furar
Seu voto vender ou comprar
Está feita a consumação.

Desta forma não nos detém
Assistir de camarote
Vendo aqueles que provém
De esplendor dar o seu bote
Utilize com rigor
Seu poder e seu pudor
Antes que aumente o calote.

Comece sendo atrevido
E seus direitos cobrar
Com seus deveres cumpridos
Para não injustiçar
Faça seu poder valer
Que nada venha a deter
Seu privilégio de governar.

Nas nossas mãos estão o futuro
Do cidadão exitoso
Muitas vezes imaturo
Vira tremendo medroso
De uma corja tem medo
De chegar, meter o dedo
E mudar o tenebroso.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

se o corpo de adão fosse um rio - Theo Alves


- para Tatiana
se o corpo de adão 
fosse um rio
fluindo tortuoso
entre suas costelas em pares,
o homem
naufragaria.
mas o corpo de adão
era um rio
fluindo tortuoso
entre suas costelas ímpares
para desaguar
no corpo de seu
mar/destino.
o corpo de adão
feito um rio
entre os deltas de seus músculos
e as margens de seus
flancos
o corpo de adão
feito um rio
violento e bonito
que não se pode conter de
cheio
o homem primeiro
como um
rio
de amor e volúpia
desaguado em
eva:
adão:
este é o nome pelo qual
eu
também responderei.

SOBRE INÍCIO DA V SEMANA DOS TROVADORES - Martha Maueny

         Martha Maueny

1° dia - V Semana dos Trovadores do Seridó, evento realizado pela Coordenação de Letras da UFRN Campus Currais Novos, com participação dos trovadores da região Trairi representados pelos poetas Gilberto Cardoso Dos Santos e Hélio Crisanto.
Hoje a conversa foi sobre Cultura Popular, com foco na literatura de cordel.
Poesias cantadas pelos poetas da Apoesc Associação de Poetas e apresentação cultural com a peça Cactus. Muito bom!





terça-feira, 10 de novembro de 2015

DIVAGAÇÕES - Peterson Javan




Pegando carona no papo que tive com o amigo J.C antes de dormir, sonhei com a inauguração de um museu em nossa cidade, era uma dessas construções tipo megalomaníacos meio estádios de futebol, meio shopping Center ou teleférico na cidade do interior que quer ser grande em tempos de “seca braba” e “pouco pasto” para o gado. Mas que para isso acontecer na realidade “eu teria que passar para o outro lado”, igual a cachorro ligeiro de espinhaço cumprido serpenteando a coluna, atravessando cerca de aram e farpado” ou “me esconder dentro de um pé de jurema preta e passar uma rasteira no cavaleiro que vai passando na vereda e se ele não ficar aleijado da queda ainda ter que dar um tiro no cabra”.
Ufa! Acordo atordoado com o barulho do tiro no pé que nunca irei dar.
Logo, o primeiro sentido me faz despertar! Percebo que os rotineiros filetes de cor neon solar que atravessam as frestas das janelas do meu quarto não me incomodava como de costume. Bom! Alivia-me render a preguiça e talvez voltar a dormir. Mas penso! Penso em Deus preparando mais uma maravilhosa manhã, meus ouvidos também despertam, lá fora ouço pingos d’água escorregando cabeça abaixo, ao passo que ao tato também posso me sentir, de súbito salto da minha cama e abro a janela inevitável foi a felicidade. Respirei a umidade de céu chuvoso e lembrei, lembrei de Hugo Tavares, da força do que ele escrevia e com o meu tato e mente em perfeita sincronia me pus a escrever essas linhas, após reflexão concluo. Um alvorecer chuvoso é como a própria noite. Tem suas nuvens carregadas de sonhos. Tende a me prender a preguiça do só pensar, Mas logo chega o sol e o dia, o calor e a agonia e com essas poucas linhas encerro o meu labutar.
Peterson Javan

sábado, 7 de novembro de 2015

A MORTE DE TACO, O URSO POLAR - Gilberto Cardoso dos Santos


Morreu aos 18 anos
Taco o urso polar
que viveu para alegrar
aos insensíveis humanos
no infernal ambiente
puseram à sua frente
uma paisagem enganosa 
blocos de gelo pintados
lagos azuis congelados
da terra maravilhosa

em seus embaçados sonhos
nascidos das frustrações
consolavam-no visões
naqueles dias tristonhos
Enquanto ali vegetava
certamente acalentava
a esperança de voltar
mas aqueles que o prenderam
tal prazer não concederam
ao pobre urso polar.

Mais frios que o ambiente
que o urso tanto queria
quem lucrava não queria
libertar o inocente
grandes cifrões os cegavam
e insensíveis tornavam
os vis manipuladores
as multidões entretidas
também foram iludidas
por esses exploradores.

dos seus tediosos dias
finalmente escapou
do tempo que vegetou
sob paredes sombrias
desde novo expatriado
aos 3 anos foi tirado
do lado da mãe querida
para a humana diversão
foi posto numa prisão
até o final da vida
.
Muitos humanos existem
em igual situação
a vida de frustração
preenchem com o que assistem
a vida artificial
lhes provoca grande mal
mas não podem escapar
pela tevê iludidos
são por paredes contidos
iguais ao urso polar.

As cidades são zoológicos
onde vivem encerrados
definham desesperados
seus impulsos biológicos
iguais ao urso polar
precisam se alienar
enquanto a morte não vem
tentando sobreviver
buscam encontrar prazer
em coisas que não convêm.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Aquela Dose de Amor (Antônio Francisco)


Um certo dia eu estava
Ao redor da minha aldeia
Atirando nas rolinhas,
Caçando rastros na areia,
Atrás de me divertir
Brincando com a vida alheia.

Eu andava mais na sombra
Devido ao sol muito quente,
Quando vi uma juriti
Bebendo numa vertente,
Atirei, ela voou,
Mas foi cair lá na frente.

Carreguei a espingarda,
Saí olhando pro chão,
Nos troncos do algodão,
Quando surgiu um velhinho
Com um taco de pão na mão.

O velho disse: - “Senhor,
Não quero lhe ofender,
Mas se está com tanta fome
E não tem o que comer,
Mate a fome com este pão,
Deixe este pássaro viver.”

Eu disse – Muito obrigado,
Pode guardar o seu pão...
Eu gasto mais do que isso
Com a minha munição.
Eu mato só por prazer,
Eu caço por diversão.

O velho disse: - “É normal
Esse orgulho do senhor
E todo esse egoísmo
Que tem no interior.
É porque falta no peito
Aquela dose de amor.

Se eu tivesse botado
Ela no seu coração,
Você jamais mataria
Um pardal sem precisão,
Nem dava um tiro num pato
Apenas por diversão.”
Eu fiquei muito confuso
Com as frases do ancião.
Aquelas suas palavras
Tocaram meu coração
Derrubando meu orgulho
E a minha vaidade no chão.

Me vali da humildade
E disse: - Perdão, senhor,
Desculpe a minha arrogância,
Mas lhe peço, por favor,
Que me conte essa história
Sobre essa dose de amor.

O velho disse: - “Pois não.
Vou explicar ao senhor.
Porque mesmo sem querer
Sou o maior causador
De hoje em dia o ser humano
Ser tão carente de amor.

Isso tudo aconteceu
Há muitos séculos atrás
Quando meu pai fez o mundo
Terra, mares, vegetais.
Me pediu pra lhe ajudar
No último dos animais.

Pai me disse – “Filho, eu fiz
Da formiga ao pelicano;
Botei veneno na cobra,
Bico grande no tucano,
Agora eu estou terminando
Este animal ser humano.

Mas ficou meio sem grala
Este animal predador...
O couro não deu pra nada,
A carne não tem sabor,
Na cabeça não tem juízo,
Mas, no peito, pouco amor.

Por isso que eu lhe chamei
Pra você lhe consertar,
Botar mais amor no peito,
Lhe ensinar a amar
E tirar dessa cabeça
O desejo de matar.”

Depois disse: - “Filho, vá
Amanhã lá no quintal,
Na casa dos sentimentos,
Perto do pote do mal...
Traga a dose de amor
E bote nesse animal.”

De manhã eu fui buscar
Aquela dose sozinho,
Mas na volta eu me entreti
Brincando com um passarinho.
Perdi a dose de amor
Numa curva do caminho.

Quando eu notei me perdi,
Voltei correndo pra trás,
Procurei por todo o canto,
Mas cadê eu achar mais.
Aí eu fiz a loucura
Que toda criança faz.

Voltei, peguei outra dose
Igualzinha ao do amor,
O vidro da mesma altura,
O rótulo da mesma cor...
Cheguei em casa e botei
No peito do predador.

Mas logo no outro dia
Meu pai sem querer deu fé
Do animal ser humano
Chutando um sapo com o pé
E no outro ele mangando
Dos olhos do caboré.

Vendo aquilo pai chorou,
Ficou triste, passou mal,
Me chamou e disse: - “Filho,
O bicho não ta normal.
O que foi que você fez
No peito desse animal?”

Quando contei a verdade
De tudo aquilo que eu fiz,
Pai disse tremendo a voz:
- “Eu sei que você não quis,
Mas você botou foi ódio
No peito desse infeliz.

Esse bicho inteligente
Com esse ódio profundo,
Com pouco amor nesse peito
Não vai parar um segundo
Enquanto não destruir
A última célula do mundo.”

Depois daquelas palavras,
Chorei como um santo chora.
Quando foi à meia-noite
Eu saí de porta afora
E nunca mais eu pisei
Na casa que meu pai mora.

Daquele dia pra cá,
É esta a minha pisada,
Procurando aquela dose
Em todo canto de estrada,
Pois, sem ela, o ser humano
Pra meu pai não vale nada.

Sem ela, vocês humanos
Não sabem dar sem pedir,
Viver sem hipocrisia,
Ficar por trás sem trair
Nem distante do poder
Nem discursar sem mentir.

Sem ela, vocês trucidam
E batizam os crimes seus
NA era medieval
Queimaram bruxas e ateus
E perseguiram os hereges
Usando o nome de Deus.

Sem ela, foram pra África
E fizeram a escravidão...
Com os grilhões do precinceito
Escravizaram o irmão
Com a espada na cintura
E uma Bíblia na mão.

O velho disse: - “Perdoe
Ter tomado o tempo seu.
Consertar vocês, humanos,
É um problema só meu.”
Aí o velo sumiu
Do jeito que apareceu.

Eu fiquei ali em pé
Coçando o queixo com a mão,
Pensando se era verdade
As frases do ancião
Ou se tudo era um fruto
Da minha imaginação.

E naquele mesmo instante
Vi passando na estrada
A juriti que eu chumbei
Com uma asa quebrada,
Não tive mais a coragem
De atirar na coitada.

Joguei fora a espingarda,
Voltei olhando pro chão
Procurando aquela dose
Nos troncos do algodão
Pra guardá-las com carinho
Dentro do meu coração.

Se acaso algum de vocês
Tiver a felicidade
De encontrar aquela dose,
Eu peço por caridade
Derrame todo o sabor
Daquela dose de amor
No peito da humanidade.