APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


domingo, 31 de julho de 2016

QUADRÃO DA VIOLÊNCIA.- JOSÉ ACACI


QUADRÃO DA VIOLÊNCIA.- JOSÉ ACAC
Eu lembro que antigamente,
Quando eu era adolescente,
Andava tranquilamente,
Sem ter preocupação.
Eu ia para baladas
E andava nas madrugadas,
Andando a pé nas calçadas
Sem ter medo de ladrão.
Aquele tempo de paz
Do meu tempo de rapaz
Hoje não existe mais,
Virou coisa do passado.
Hoje a barra está pesada,
Ninguém pisa na calçada
Sem antes dar uma olhada,
Pois pode ser assaltado.
Crianças e adolescentes
Agora estão conscientes
Que podem ser delinquentes
Sem ter preocupação.
Criança pode assaltar,
Jovem pode sequestrar,
E pode também matar,
Que não fica na prisão.
Depois daquela ação
Lá no Morro do Alemão
Piorou a situação
E acabou-se a esperança.
Muitos bandidos fichados
Fugiram pr’outros estados
Levando a todos os lados
A falta de segurança.
Invés de severas penas
Criaram leis mais amenas
Com punições tão pequenas
Que aumentou essa doença.
Os políticos se eximiram,
As nossas leis sucumbiram,
E os bandidos descobriram
Que assim o crime compensa.
Com nosso estado falido
Ficou foi bom pro bandido,
Pois ele está convencido
Que a coisa não fica feia.
Da lei nunca sente o peso,
E sempre se sai ileso,
Por que ninguém fica preso
Sem ter vaga na cadeia.
E se acaso for julgado
E depois for condenado,
Não fica preocupado,
Pois tem como dar o fora.
O terreno é muito fraco,
E, com um pedaço de caco,
Ligeiro faz um buraco,
Pega a reta, e vai embora.
Faz assalto na parada,
Queima ônibus na calçada
E quando é de madrugada
Vai descansar lá num morro.
Com tanta calamidade
E tanta disparidade
A nossa sociedade
Está pedindo socorro.

sábado, 30 de julho de 2016

Não tenho a menor vocação para ser homem - Cecília Nascimento


Não tenho a menor vocação para ser homem

Não tenho a menor vocação para ser homem...
Jamais prossegui sem olhar para trás e não contar os destroços que causei.

Não tenho a menor vocação para ser homem...
Impossível não me sensibilizar com a dor do outro como se fosse minha.

Não tenho a menor vocação para ser homem...
Imoral dizer que amo uma pessoa e sem problema algum ficar com outras.

Não tenho a menor vocação para ser homem...
Não me alimento de autossuficiência, ignorando a importância de cada um.

Não tenho a menor vocação para ser homem...
Não suporto conceder migalhas de amor a quem tudo a mim dedicou...

Não tenho a menor vocação para ser homem...
Pensar em mim em primeiro segundo e... último lugar nunca foi bem minha praia.

PENSANDO BEM...
Não tenho a menor vocação para ser MACHO

HOMEM DE VERDADE, se importa, liga, vai atrás, reconhece, se sensibiliza, se envolve, se doa e ama tanto quanto a mulher..
Mas... os machos não...

Não tenho a menor vocação para ser macho!

Prefiro ser Amor, ainda que sangre
A ser a seca e dura Apatia...


Cecília Nascimento

25/07/2016

Já sei reconhecer o meu Valor - Cecília Nascimento




Já sei reconhecer o meu Valor
Cecília Nascimento 
Revestida com o manto da verdade
Caminho pelos trilhos da bravura
Já fui doce, leal e com candura
Intentei deixar o meu legado
Cruel, porém, foi o meu passado
Não soube reparar no meu labor
Não com menos angústias do que dor
Reneguei toda a lida aqui frustrada
Não aceito ser mais discriminada
Pois já sei reconhecer o meu valor.

Já fui ama de leite e com que sina
Mortifiquei sem querer o meu rebento
Essa sorte eu relembro com tormento
Não esquecendo a bravura feminina
Quantas noites em claro fui usada
Quantas marcas me deixou o opressor
A despeito de tanto dissabor
Ergui-me como a graça da alvorada
Não aceito ser mais discriminada
Pois já sei reconhecer o meu valor.
  
No passado não falava nem lia
Só sabia a todos obedecer
Destinada a escrava do sofrer
Desconhecia a força que possuía
No entanto, no transcurso da jornada
Aprendi a surpreender meu traidor
Com a minha poesia dispo a dor
Tenho voz, já sei ler, estou armada
Não aceito ser mais discriminada
Pois já sei reconhecer o meu valor.
  
Somos muitas mulheres nesta alçada
Prosseguimos inspiradas no amor
Não deixamos de espalhar nosso fragor
Onde quer que deixemos as pegadas
Nossa arma não é violência
Mas não temos medo por fiador
Humanidade ansiamos com vigor
Aspirando muita paz na caminhada
Não aceito ser mais discriminada
Pois já sei reconhecer o meu valor.


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Zack Magiezi: Sobre Nós Dois e Outros Video e Poemas



sobre nós dois

Somos espelho e reflexo 
não é muito difícil ver as nossas cicatrizes 
essas lápides que  carregamos onde jaz aquilo 
que outrora foi amor 
depois se tornou uma dor 
e por último uma lembrança 
tatuada em nossa alma
Os amores nos feriram 
mas notei o quão você era diferente 
você não queria parecer perfeita 
e naquele primeiro encontro de olhos 
dos seus expressivos olhos castanhos 
eu percebi que você é uma pessoa 
disposta a permanecer à  moda antiga 
do tempo em que os sentimentos duravam mais
Vi a sua intensidade louca 
o seu debate contra as paredes do teu corpo 
sedenta por vida 
eu me vi em ti 
desejei morar no teu coração 
eu que decorei a minha solidão tão bem 
desejei mudar 
ficar em ti 
estar no seu vinho 
na fumaça dos teus tragos 
eu desejei abrir tuas cicatrizes 
enxugar toda dor e regenerar o amor puro 
senti inveja e depois pena 
do primeiro homem que teve o seu amor 
até que me dei conta  que hoje eu sou esse homem 
pois você só ama como se fosse a primeira vez

zack magiezi






veja também:

Zack Magiezi - 20 POEMAS

ZACK MAGIEZI: NOTAS SOBRE ELA


terça-feira, 26 de julho de 2016

ESTROFES ANTOLÓGICAS DE ZÉ DE FRANÇA



Da glicose à pressão arterial 
Sou privado das coisas que mais quero 
Quando eu tomo uma coca é coca zero 
E quando eu como um pirão é zero sal ,
No lugar do açúcar o zero cal ,
Põe um Zero no gosto da bebida
Pra mim massa integral não é comida
Nem produto da Light , gosto inclui
Sou um Zero à esquerda do que fui
Mesmo assim dou um dez pra minha vida

Meu coração" ta "surrado 
Que só porco no chiqueiro 
Ardendo mais que Pimenta 
Com buchada de carneiro 
E batendo mais que maluco 
Tocando xote em pandeiro

Meu coração tagarela 
Com medo de ficar só 
Bate mais de que cancela 
De casa que tem forró


A mulher gritou : _Marido ,
Socorro ,eu vou me acabar !!!
O marido disse : _Amor ,
Foi bala ,cobra ou jaguar ?
Ela disse : _ whatsApp 
Deixou de funcionar


Nosso maior pregador ,
Pregou a fé ,curou cegos ,
Começou pregando amor 
E terminou "pregado "à pregos .

Tentei tirar seus olhares 
Dos arquivos do meu peito 
Mas a câmera da saudade 
Criou um tipo de efeito 
Que fecho os olhos mas vejo 
Seus olhos do mesmo jeito

Comprei madeira de sobra 
Mas talvez de doido ou cego ,
Não comprei prego pra obra 
A obra ficou no prego

Quando um ser vivo é achado 
Por uma bala perdida 
Um projétil inesperado 
Ceifa um projeto de vida 

Meu coração indeciso 
Fez uma troca outro dia 
Que se tivesse juízo 
Estourava e não fazia

Cara metade é a cara 
Que separa até por carta 
E juiz de primeira Vara 
Nem briga de vara aparta.

Feito um pedreiro secreto 
Na construção faço um trato ,
Pra cada pá de concreto 
Coloco um sonho abstrato

O PROFESSOR SOFRE MAIS 
DE QUE FOLHA EM VENTANIA 
ERRADO É DENUNCIADO, 
CERTO NINGUÉM ELOGIA ,
ESTRESSA TODA SEMANA ,
E SOBE A PRESSÃO TODO DIA .


domingo, 24 de julho de 2016

Domingo de Sol - Cecília Nascimento

Domingo de Sol


Hoje, nem o mar está na vibe... Acordou cinza, sem vontade de domingar. Clamou ao Sol que por misericórdia não o viesse visitar... Convidou a chuva para compactuar com sua tristeza e afugentar os indesejados...
A despeito de sua dor, o Sol apareceu. Contou, no entanto, com a companhia da chuva e do forte vento... Estava composto o cenário para minha inquietante manhã de domingo.
Sento na areia como quem busca inspiração para continuar respirando... Poucas crianças ensaiam a ternura das brincadeiras de castelos de areia... Ao longe, uma grávida oferece seu ventre para o Mar beijar o bendito fruto que, breve, iluminará ou embaçará ainda mais o mundo dos mortais. Mas, o Mar, a meu exemplo, também não está para beijos. Ele sacode, irritadíssimo, alguns surfistas que não entenderam ainda seu momento deprê... não interessa se hoje é domingo e se o Sol, esse insensível, não atendeu ao seu apelo... que se dane!
Sentada, já decidida a me escrever, o mar invoca à praia e recebo uma rajada de areia na face entorpecida... uma tentativa frustrada de me impedir... Mas não há força capaz de parar uma crônica quando ela já nasceu dentro de nós...
Como quem finalmente despertou após semanas de marasmo, pego minha caneta rosa e meu bloquinho artesanal de papel, que, diga-se de passagem, na saída para esse passeio foi dissuadido de ir à praia, com quem ouve que ali não era lugar para compromissos ou notas, só esquecimento... e comecei a escrever.
Bom seria mesmo, para o Mar e para mim, que nesse lugar só reinasse o esquecimento... Mas, lamentavelmente para ambos, é impossível contemplá-lo sem trazer a lume um mar de recordações, rajadas de sensações, nem sempre doces, e fincar os pés na mais pura nostalgia... Isso porque para gente que já nasceu dolorida nem todo domingo é dia de Sol... mesmo que ele apareça no final.

Cecília Nascimento

24/07/2016

AMÉM SEM ACENTO - Gilberto Cardoso dos Santos


quinta-feira, 21 de julho de 2016

JURAS DE AMOR; - Minerva Gomes


Quantas lutas perdidas sem pensar
Quantas vidas vividas sem amor
Quantas vezes você me fez chorar
Me enganando enganaste a tua dor

Quantas vezes juramos amor sem fim
Quantos sonhos pra nós foi projetado
Quantas juras de amor falou pra mim
Fui tua cúmplice e seguia lado a lado

Quantas dores batendo no meu peito
Quantas noites escuras vejo agora
Quantas faltas eu sinto em nosso leito
Essa dor que eu sinto e me devora

Quantas lembranças levo em meu caminho
Quanta certeza que um dia fui amada
Quando triste sigo agora em desalinho
E por você serei eterna apaixonada.


Minerva Gomes.

quarta-feira, 20 de julho de 2016

O bullying na arte do comer bem - Cláudio Edijanio de Araújo


     
O bullying na arte do comer bem

por Cláudio Araújo

É interessante como algumas atitudes ou ações humanas só são debatidas, aceitas ou combatidas após serem conceituadas e receberem um nome. O bullying, por exemplo, é uma palavra desconhecida do meu tempo de infância. Cursei os níveis pré-escolar, fundamental e médio sem ouvir essa palavra. Nas camadas mais baixas da sociedade, eram comuns os termos populares bulir e bulinar, que dependendo do contexto em que eram empregados se alternavam quanto ao grau de gravidade.

Bulinar na verdade se escreve com o bolinar. Sua grafia com u é mais uma prova da sabedoria popular, quando tratada no mesmo nível fonético de palavras tão próximas. Em algumas situações, uma é consequência da outra: começa-se bulinando e culmina-se, de uma vez, por bulir. Por isso, sempre que ouço algo como Fulano foi vítima de bullying!”, me pego traduzindo mentalmente: “Bulinaram fulano!”

Deixando os buliçosos e bolinadores de lado, gostaria de discorrer sobre a palavra bullying e como ela está a cada dia ganhando espaço e se alastrando tal qual uma epidemia até em nossos costumes mais banais. Em bom português “internetizado”: o bullying “viralizou”.

Segundo o Dicio (Dicionário Online de Português), Bullying é uma palavra de etimologia inglesa, cujo significado é: “Forma de violência que, sendo verbal ou física, acontece de modo repetitivo e persistente, sendo direcionada contra um ou mais colegas, caracterizando-se por atingir os mais fracos de modo a intimidar, humilhar ou maltratar os que são alvos dessas agressões. Sendo sinônimo de ameaça, humilhação, intimidação, maltrato, opressão e tirania.

Putz! Como uma palavra tão medonha passou despercebida por tanto tempo? Confesso que não sei a resposta, mas isso pouco importa. O que importa mesmo é que descobri que sou vítima disso já faz algum tempo e não percebia.

E como comigo todo castigo parece ser mais pesado, sou alvo de bullying em um dos momentos mais sagrados do dia: na hora de comer. Eu tenho todo um ritual para esse sublime momento. Faço tudo com a maior calma e organização, desde o momento de montar o prato, a mastigação e a preocupação com a posição em que a comida fica à medida que vou comendo. E é aí que o bullying acontece: se é pela manhã, dizem que vou emendar o desjejum com o almoço; se é de noite, perguntam-me se vou fazer turno, pois pela demora vou passar a noite comendo — acham um absurdo eu arrumar a comida, separando suas partes, se vai tudo para o mesmo lugar… E por aí vai.

Seguindo o ditado “Aquilo que não me mata, me fortalece!”, resolvi tecer alguns comentários em minha própria defesa, na esperança de ser o pioneiro em um movimento que batizarei de bullying reverso.

Meu amigo, o que há de mais prazeroso e importante para o homem do que o ato de comer? Não responda agora. Tente passar uma semana sem comer e sem paliativos para o desejo de comer. Já nos dois primeiros dias você sentirá uma falta, uma ausência, uma impacienciazinha. Do terceiro dia em diante, a crise de abstinência lhe trará suores noturnos e sonhos com temática recorrente. No quinto dia, você perderá parte da capacidade de raciocínio e passará a ver comida em tudo quanto é lugar. Então, algo tão vital para nossa saúde física e mental não merece ser aproveitado em cada segundo?
Lamento pelos que sofrem de compulsão por comer rápido e não aproveitam sequer trinta por cento do processo. Comer é muito mais que abocanhar e engolir.

O primeiro passo é a sedução. Perceba que a comida não vai até você, a menos que alguém a leve. E mesmo nessa situação, é você quem a escolhe. Ou seja, ela lhe atrai com a sua aparência, charme e cheiro — o que lhe faz julgá-la “gostosa”.

Você se interessaria por uma comida suja, toda bagunçada e gosmenta? Decerto que não! A exceção seria se você estivesse cinco ou seis dias sem comer. Nesse caso, já à beira da loucura, você veria sabor até onde não há.

Diante do exposto, é mais que natural fazer do ato de comer uma arte.

Inicie apreciando a paisagem: olhe para a comida, sinta seu aroma, todo seu frescor, toda sua vitalidade. Toque-a com respeito e carinho, use a ponta da língua para verificar se a temperatura está boa, se ela está bem temperada, e aproveite para certificar-se que outras sensações isso lhe despertará. Lembre-se de que ela lhe proporcionará prazer, bem-estar, leveza de pensamento, equilíbrio em seu dia e seja grato por isso. Faça-a sentir que a missão dela é importante. Saiba que, ao saciar sua fome, ela também realiza seu desejo mais íntimo: ser saboreada, ser desejada, ser comida em toda a sua plenitude.

Organizar a comida enquanto comemos é uma forma de expressar que ela é importante e que você se preocupa com seu destino. Por isso, estou sempre mexendo nela, colocando-a ora de um lado, ora de outro. Isso permite visualizar o momento, despertando novas possibilidades.

Contenha seu impulso, não há vergonha nisso. Saboreie a comida devagar. Tenho certeza que ela saberá lhe recompensar por isso. Imagine o desperdício que é comer uma trufa recheada com avidez, engolindo-a praticamente inteira ou mordendo-a com toda a pressa. O recheio não passará de uma tênue lembrança, pois não foi valorizado. Agora, se você coloca lentamente a trufa na boca, sente sua textura, mordisca sua “casca” de forma precisa e sem anseios por romper a sua estrutura. Você poderá senti-la pulsar, sentirá a sua “pele” fina e delicada ficando mais lisa e, de repente, ela lhe presenteará com o seu néctar interior, inundando a sua boca e lhe proporcionando uma enorme satisfação.

Comer é tão bom que pode ser feito de várias formas. Pode-se comer deitado enquanto se assiste a um filme; de lado, se o local para comer for imprensado (há quem fique até viciado em comer assim); em pé, que pode ser um pouco cansativo; e também sentado, que acaba sendo uma forma bem confortável e altamente prazerosa. Só não é possível comer dando as costas para a comida. Percebe o desrespeito? Porém, manipulando-a, virando-a de frente ou de trás, você poderá comê-la do mesmo jeito, com toda a alegria.

Comendo dessa forma, a sesta será um descanso merecido, além de um preparo para a próxima refeição.

Agora, se um dia você olhar para a comida e sentir uma vibração de insatisfação, traduzida na ânsia de comer rápido, como se ela estivesse a desejar que você termine logo, é hora de rever seus conceitos, pois tenha certeza de uma coisa, amigo: você não está comendo direito!



domingo, 17 de julho de 2016

PERGUNTAS A DEUS - por Leandro Gomes de Barros e Ariano Suassuna


Por que Existem o Mal e o Sofrimento Humano?

                                                                       Leandro Gomes de Barros

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando se chega pra cá?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que é que ele não fez
A gente do mesmo jeito?

Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Vivemos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?




Transcrição:

“Eu acredito em Deus por uma necessidade. Se Ele não existisse, a vida seria uma aventura amaldiçoada. Eu não conseguiria conviver com a visão amarga, dura, atormentada e sangrenta do mundo. Então, ou existe Deus, ou a vida não tem sentido nenhum. Bastaria a morte para tirar qualquer sentido da existência. Um grande poeta popular, Leandro Gomes de Barros, meu conterrâneo da Paraíba, escreveu três estrofes que eu creio que formulam aquele que eu acho o problema filosófico mais grave da Humanidade. Veja você: Camus, o grande escritor franco-argelino, tem um livro em que começa dizendo que o único problema filosófico realmente sério é o do suicídio. O suicídio é uma coisa muito grave: a pessoa avalia o mundo, avalia a si própria e acha que não vale a pena. Mas apesar dessa frase ser muito bonita, Camus, a meu ver, estava errado. O problema filosófico na verdade não é o do suicídio, que é apenas um aspecto dele. Mais grave, para mim, é o problema do mal e do sofrimento humano. Então, sinto que Leandro Gomes de Barros formulou muito melhor que Camus essa questão. Essa é a pergunta mais séria que as pessoas que não acreditam em Deus podem fazer às que acreditam. Repare:

Se eu conversasse com Deus
iria Lhe perguntar
por que é que sofremos tanto
quando viemos para cá?
Que dívida é essa
que o homem tem de morrer para pagar?
Perguntaria também
como é que Ele é feito
que não come, que não dorme
e assim vive satisfeito.
Por que foi que Ele não fez
a gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
e outros que sofrem tanto,
nascidos do mesmo jeito,
criados no mesmo canto?
Quem foi temperar o choro
e acabou salgando o pranto?

Veja que coisa linda! Isso coloca em questão a própria existência de Deus. É como se Deus tivesse querido temperar o choro e acabou errando na mão, como se Deus fosse capaz de dar um erro, e infringido um sofrimento terrível ao ser humano... Então, para mim Deus é uma necessidade. Então, repito: se eu não acreditasse, seria um desesperado”. - ARIANO SUASSUNA


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ADVERTÊNCIA - Gilberto Cardoso dos Santos


quarta-feira, 13 de julho de 2016

Noite de Autógrafos com Epitácio de Andrade

Festa de Santana - Currais Novos/RN

Imagem de Santana – Currais Novos/RN

Escritor Epitácio Andrade está convidado para Noite de Autógrafos em Currais Novos

Epitácio Andrade com família

O médico psiquiatra e escritor Epitácio de Andrade Filho está entre os convidados da Noite de Autógrafos que ocorrerá no dia 14 de julho de 2016, às 20 horas, no Salão de Eventos da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Currais Novos. O evento faz parte da programação cultural da tradicional Festa de Santana de Currais Novos, Capital do Seridó oriental do Rio Grande do Norte, que está na sua 208ª edição. O evento é aberto para convidados. Na ocasião, o escritor fará uma exposição de banners temáticos e lançará seu novo livro Fui ao Croatá...-Uma Geolovehistory.

                  Capa do livro Fui ao Croatá...-Uma Geolovehistory

Matéria transcrita do blog Cosmogonia, do escritor Epitácio Andrade.

3 POEMAS SOBRE DEUS - Ângela Pontes


Aprendizado

Deus me ensinou
Erguer-me em cada vontade de cair
E entender que só Ele me faz sorrir
Acreditar em outros suas fraquezas
Deixar fluindo em mim a Sua grandeza
Esperar na calmaria do Seu tempo
As maravilhas que verei num dado momento
Só nEle minha fé se fortalece
E assim Lhe entrego todas minhas preces
Porque cada ser que nesse mundo viver
Há de plantar, como há de colher




Deus, meu amor maior

E quando eu me fiz pequena, Deus me fez gigante
E quando eu sentia dor, Deus me aliviava as feridas
E quando eu chorava, Deus me mostrava sua graça
E quando eu fraquejava, Deus me erguia na oração
E quando eu estava sozinha, Deus vinha falar comigo
E quando as noites eram intermináveis, Deus mostrava um lindo amanhecer
E quando eu silenciava, Deus tocava uma canção de amor
E quando tudo parecia perdido, encontrei-me nos braços de Deus
E Ele me colocou de volta a vida.



Inquietação

E nas perguntas que fiz a Deus
Ele silenciou
Não entendi
Era minha forma humana  esperava palavras
E quando tudo estava apascentado
Encontrei-me em suas mãos
E se fez próximo à compreensão
Que eram  teus desígnios em mim

segunda-feira, 11 de julho de 2016

ESQUECENDO - Francisca Araújo.


ESQUECENDO...
Um folheto na agenda rabiscado
Vez por outra, me faz lembrar você
Nele tem um soneto inacabado
Com rasuras de amor, que ninguém vê.
Nosso sonho de vez, foi descartado
Por razões que questiono em um 'por quê'!
E o papel ficará sempre manchado
Mas, as marcas da dor não se prevê.
Minha rima porém, não fica vaga!
Se a borracha do tempo nunca apaga,
Os sintomas que trazem agonia...
Seguiremos, sem traumas mesmo sós.
Assim, quando quiser pensar em nós
Eu só vou recordar da poesia!
Francisca Araújo

sábado, 9 de julho de 2016

O carregador de celular (Cecília Nascimento)


O carregador de celular
(Cecília Nascimento)

Benício, menino tranquilo do interior do Ceará, virou Beninha, na adolescência,  e levava os dias a viajar com uma trupe de atores itinerantes pelo interior do estado, exalando arte, cultura e muito mais... A essa altura, contava já com os seus 20 anos e sempre foi simpático e cordial com todos os convivas.
Nos últimos dias, havíamos acampado numa cidadezinha qualquer, alugado um casebre onde dividíamos as despesas. Um dia, fazíamos shows nos barzinhos à noite em troca de jantar, noutro, apresentávamos teatro de rua na praça pública e passávamos o chapéu. Éramos ao todo uns 18 e com os trocados que recebíamos, comprávamos pão, pinga e cigarros, pro dia nascer feliz.
Naquela semana, em especial, Beninha estava atordoada não sabemos por que... Ouvi até ela dizer-me que iria à igreja, precisava orar para se acalmar. E assim o fez. Mas, naquela tarde, chegou ao casebre onde estávamos alojados e perguntou-nos a cada um onde estava o carregador do seu celular... Meus colegas e eu não sabíamos ou, se alguém tomou posse do mesmo, certamente não assumiria; tão unidos que sempre fomos; só que não...
Beninha reuniu toda sua indignação, estilo e determinação e informou-nos que sairia e quando retornasse, queria que seu carregador estivesse posto numa mesa à vista de todos. Saiu, voltou e não teve seu desejo atendido... Como gostasse de mim, disse:

_ Querida, pegue suas bolsas e suma daqui que vou tocar fogo nessa casa e é agora!

_ Oxe, amiga, deixe de onda! É claro que não vai fazer isso! Retruquei-lhe.

Naquele momento, eu acabara de lavar a louça e sentara-me à mesa, com meu recém-preparado almoço.
Beninha sumiu por alguns instantes e reapareceu com um colchão velho... Posicionou-o na porta da cozinha e gritou:

_ Salve-se quem puder que vou tocar fogo nessa casa agora!

Eu, ainda sem acreditar, continuava a pôr colheradas na boca, desatenta a qualquer sinal de perigo, mas observando tudo como quem assiste a um jornal sem dar a menor atenção às notícias.
Beninha, já com um rolo de papel amassado na mão, deu de garra de um isqueiro e queimou o papel que, com velocidade, abraçou o colchão velho com muita paixão. Para acabar de arrebentar, pegou um desodorante aerossol e disparou o jato de baixo para cima, o que fez subir uma lavareda imensa até o teto.
Rapidamente as chamas se alastraram por todo o casebre. Ainda concentrada em mim mesma, ouvia ao longe os companheiros gritando e me chamando... Um deles, veio, agarrou-me pelo braço e me puxou pela porta dos fundos... Outro, magrinho que só ele, não se sabe como arranjou força e coragem, mas agarrou-se com o fogão e o botijão de gás e lançou-os à sala de estar, salvando-nos de uma explosão.
Já na calçada, a ficha foi caindo e me dei conta de todo o alvoroço... A vizinhança corria atônita para prestigiar o espetáculo horrendo... Meus colegas choravam, imaginando-se churrasquinhos por pouco e finalmente tive a ação de juntar água num balde e lançar às chamas, que, com a ajuda de alguns vizinhos, cessaram-se.
Apagado o fogo, não restara eletricidade ou móveis no ambiente... Mas, minha fome permanecia. Então, entrei na cozinha acinzentada, abri a geladeira queimada e retirei de dentro dela uma garrafa de água ainda gelada, garrafa esta indiferente aos acontecimentos externos, pois não se deixara levar pelo calor da emoção. Com a determinação daquela garrafa, fiz uma limonada, sentei-me na calçada e fui terminar de almoçar... Não ia perder um pratão daqueles de comida... sabe-se lá quando eu iria comer novamente...
Quanto à Beninha... ninguém mais a avistou. O dono da casa anda a sua procura, louco da vida com os prejuízos causados... Uns dizem que voltou para a casa dos pais... Outros que se converteu e foi pras missões... E outros ainda que, a exemplo daquelas chamas, aguarda resolutamente o pré-juízo final.


08/07/2016 – 23h51 min.