APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores)

A APOESC (Associação de Poetas Escritores Simpatizantes e Colaboradores), criada em 03.2010 em Santa Cruz -RN, existe para congregar amantes da cultura, apologistas e produtores da arte da palavra.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

A MENINA SEM CIRCO - Iara Carvalho


É DIFÍCIL - Troya Dsouza




PAGANDO O VOTO VENDIDO - Adriano Bezerra



PAGANDO O VOTO VENDIDO Não entendo o eleitor Que se diz inconformado Com o político que votou Logo após ter lhe comprado. Agora está feito um louco? É bem feito, eu acho é pouco! Tá pagando o ato errado.


29/08/2016



Adriano Bezerra

domingo, 28 de agosto de 2016

CARTA IRÔNICA À Dra Laura Schlessinger - Apresentada por Rubem Alves


Consultório bíblico (Rubem Alves)

Laura Schlessinger é uma conhecida locutora de rádio nos Estados Unidos. Ela tem um desses programas interativos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone. Recentemente, perguntada sobre a homossexualidade, a locutora disse que se trata de uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22. Um ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou transcrever: 

“Querida dra. Laura: Muito obrigado por se esforçar tanto para educar as pessoas segundo a Lei de Deus. Eu mesmo tenho aprendido muito do seu programa de rádio e desejo compartilhar meus conhecimentos com o maior número de pessoas possível. Por exemplo, quando alguém se põe a defender o estilo homossexual de vida, eu me limito a lembrar-lhe que o livro de Levítico, no capítulo 18, versículo 22, estabelece claramente que a homossexualidade é uma abominação. E ponto final... Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas concretamente e sobre a forma de cumpri-las: Gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro de Êxodo, 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado? O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir canadenses? Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Lev. 18:19, 20:18, etc.). O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? Tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas e outras se sentem ofendidas. Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha nos sábados deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo? Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar--me dessa obrigação aborrecida? No livro de Levítico 21:18-21 está estabelecido que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus? Será que se pode abrandar um pouco essa exigência? A maioria dos meus amigos homens tem o cabelo bem cortado, muito embora isto esteja claramente proibido em Levítico 19:27. Como é que eles devem morrer? Eu sei, graças a Levítico 11:6-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar futebol americano se usar luvas? Meu tio tem uma granja. Deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois planta dois tipos diferentes de sementes no mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes, a saber, algodão e poliéster. Além disso, ele passa o dia proferindo blasfêmias e maldizendo. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-los? Não poderíamos adotar um procedimento mais simples, qual seja, o de queimá-los numa reunião privada, como se faz com um homem que dorme com a sua sogra, ou uma mulher que dorme com o seu sogro (Levítico 20:14). Sei que a senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a Palavra de Deus é eterna e imutável.” 

ENTREVISTA COM JOSÉ DE CASTRO, POETA E PROSADOR - Gilberto Cardoso dos Santos

ENTREVISTADOR: Gilberto Cardoso dos Santos   

ENTREVISTADO: José de Castro.

Tomei conhecimento do poeta José de Castro através da professora Valdenides Cabral Dias que, em uma de suas  aulas, nos deu a oportunidade de ler o livro infantil  POEMARES, da autoria dele.
Em particular, teceu palavras elogiosas ao seu diversificado trabalho. Pude, finalmente, conhecê-lo melhor no IFRN de Santa Cruz em uma das apresentações da Caravana de Escritores Potiguares, organizada por Thiago Gonzaga - agradabilíssimo evento que contou  com a participação de grandes nomes da literatura norte-rio-grandense: 

1. Caro José, além de ter percebido que é um grande poeta e prosador, notei sua vocação para o ensino, claramente revelada na conversa que tivemos. Fale-nos, inicialmente de suas origens, formação, e de aspectos que julga relevantes.

JC: Fiz minha graduação em Comunicação, com especialidade em Jornalismo, na Universidade de Brasília. Formei-me em 1970. Depois, fui para São José dos Campos/SP, onde fiz o meu mestrado em Tecnologia da Educação e trabalhei no projeto Satélite Avançado de Comunicações Interdisciplinares – SACI, do Instituto de Pesquisas Espaciais – INPE/SJC. Trabalhava como produtor de televisão educativa. O projeto SACI veiculava suas aulas na TV-Universitária e em emissoras de rádio do RN, com o objetivo de titulação de professores leigos aqui no Rio Grande do Norte.

Em 1972, fiz minha primeira visita ao estado, para pesquisar, junto à rede de educação a distância, a aceitação das aulas que eu produzia, no caso teleaulas de matemática. Como o projeto foi estadualizado, vim de São Paulo transferido para o INPE/Natal, onde passei a ser diretor de programação e realização da TV-U e participei de treinamento da equipe local para a produção das teleaulas aqui no RN. Depois, deixei o INPE/Natal e ingressei na Universidade Federal do Rio Grande do Norte como professor no Departamento de Educação. Ajudei a estruturar o programa de pós-graduação em Educação, participei da criação da revista Educação em Questão, daquele Departamento e criei um laboratório (Oficina de Tecnologia Educacional), para empréstimo e produção de vídeos para os professores utilizarem em sala de aula. Criei as disciplinas Vídeo e Educação e Técnicas de Produção de Vídeo. Ambos, revista e laboratório, existem até hoje, sob nova direção, pois me aposentei em 1997, quando já era Diretor Geral da TV-Universitária. Tive a alegria de ter participado do projeto de criação da rádio FM-Universitária (a concessão da emissora foi conseguida durante o meu mandato como diretor da TV-U).

Depois de aposentado, passei a trabalhar na Secretaria de Estado da Educação do RN, na área de planejamento educacional e participei ativamente do Programa Nacional de Incentivo à Leitura – PROLER/RN, que era bem dinâmico, um dos melhores do país. Viajei o estado inteiro ministrando palestras e oficinas literárias. Cheguei a ser Coordenador da CODESE, uma das maiores coordenadorias da Secretaria de Educação, que reúne cinco subcoordenadorias. Nessa época, tive o grande privilégio de participar do processo de montagem e inauguração da biblioteca do Santarém, na Zona Norte, o Centro Cultural e Biblioteca Escolar Professor Américo de Oliveira Costa, aberto com um acervo aproximado de 35 mil títulos. Depois, passei um tempo como assessor de planejamento na DATANORTE e depois como bolsista da Fundação de Apoio à Pesquisa do RN – FAPERN.

Depois da FAPERN passei a me dedicar inteiramente a escrever meus livros, visitar escolas e promover oficinas literárias, o que faço até os dias atuais. Inclusive participo ativamente como um dos membros da Caravana de Escritores Potiguares, coordenada pelo escritor e pesquisador Thiago Gonzaga, que vem visitando muitas cidades do estado, a divulgar a literatura local junto às escolas.

2. Como se desenvolveu seu gosto pela leitura? Cite autores que foram significativos no desenvolvimento deste gosto pela literatura.

JC: Ao chegar à escola pública, lá em Minas, aos sete anos de idade, já sabia ler, pois havia sido alfabetizado em casa por uma das minhas irmãs. Lá em casa não tinha livros, mas eu conseguia pegar livros emprestados em uma biblioteca volante que visitava quinzenalmente o bairro onde eu morava, em Governador Valadares – MG, cidade em que morei até os meus 15 anos. Minhas primeiras leituras foram de livros infantis: O pequeno polegar, Joãozinho e Maria, João e o pé de feijão, As aventuras do  Barão de Münchausen, Vinte mil léguas submarinas (Júlio Verne). Mas lia também romances, como os livros de Lin Yutang (Uma folha ao vento), O morro dos ventos uivantes (Emily Brontë). Li também Monteiro Lobato, Mark Twain (As aventuras de Tom Sawyer e as Aventuras de Huck). E um detalhe: ainda criança, li a Bíblia de capa a capa, como li também o segundo livro mais vendido depois da Bíblia, que é “O Peregrino”, de John Bunyan. Claro que li autores como Manuel Bandeira, Castro Alves, Alphonsus de Guimaraens, Casemiro de Abreu, Gonçalves Dias. Todos esses, de alguma forma, me influenciaram.

3. Quando se descobriu poeta e prosador?

JC: Sempre gostei de escrever contos e crônicas. Inclusive gosto muito de escrever minicontos, o conto curto. Quando era adolescente cheguei a ensaiar a escrita de alguns poemas para a primeira namorada, lá em Brasília. Mas, curiosamente, inaugurei-me como escritor na área do humor. Publiquei frases de humor por duas vezes no jornal “O Pasquim”, de Ziraldo, Millor Fernandes, Jaguar, Ivan Lessa, Henril, Paulo Francis e na revista “Bundas”, de vida curta, editada pelo Ziraldo. A partir daí, mantive coluna de humor durante dois anos em jornal dos Diários Associados em São José dos Campos/SP. Foi essa atividade de colunismo de humor que deu origem ao livro Quem brinca em serviço (tem mais horas de lazer), publicado pelas edições Sebo Vermelho, do Abimael Silva. O livro foi ilustrado pelo talentoso chargista Ivan Cabral e teve  prefácio do escritor Nei Leandro de Castro e orelha do irreverente Alex Nascimento.  Pretendo lançar uma nova edição deste livro, assim que tiver tempo de me organizar. Na área da prosa, cheguei a publicar contos no Suplemento Literário “O Minas Gerais” e também frases de humor que tiveram boa aceitação da crítica. Inclusive, num concurso nacional de contos, dentre mais de 8 mil concorrentes, fiquei entre os 110 semifinalistas. Publiquei textos no caderno literário da Tribuna do Norte e também em “O Galo”, na revista Preá, da Fundação José Augusto. Nessa época, nem passava pela minha cabeça escrever para crianças, o que veio a acontecer pouco depois de passar a colaborar com o PROLER/RN, quando lancei, em 2002, A marreca de Rebeca, pela editora Paulus/SP. Foi nessa época em que pude notar a minha tendência maior para a poesia. Aos poucos, até hoje, estou aprendendo a ser poeta. Uma tarefa para a vida inteira.

4. Explique-nos a diferença entre o Haicai de origem japonesa e o Haicai Guilhermino. Dê-nos alguns exemplos, seus ou alheios.

JC: O haicai é um gênero milenar japonês, um terceto, que teve Matsuo Bashô e Kobayashi como dois de seus maiores expoentes. O haicai tradicional segue a estrutura métrica 5-7-5, não tem título e nem rimas, e deve se inspirar sempre na natureza e em seus elementos, como o tempo, as estações do ano, flores, animais, por aí afora. Guilherme de Almeida, poeta brasileiro, nascido em Campinas/SP deu grande contribuição a esse gênero, trazendo-lhe algumas novidades. Sugeriu que o haicai passasse a ter título e rimas. Manteve a estrutura original 5-7-5 e também a necessidade de se permanecer dentro da mesma temática ligada à natureza e ao cotidiano. Estabeleceu que o primeiro verso deve rimar com o terceiro e que, dentro do segundo verso, tem que ter uma rima. A segunda sílaba métrica deve rimar com a sétima. Veja um exemplo de haicai do próprio Guilherme de Almeida:

O HAIKAI

Lava, escorre, agita
A areia. E, enfim, na bateia
Fica uma pepita.
(Guilherme de Almeida)

Interessante mostrar, também, o haicai guilhermino do poeta angicano Jarbas Martins (recém empossado na Academia Norte-rio-grandense de Letras) que tem uma produção significativa nesse gênero. Veja um deles:

A LUA DE FRENTE

Lua quase ausente.
Quase unha, testemunha.
A lua de frente.
(Jarbas Martins)

Eu também tenho alguns haicais guilherminos, os quais pretendo reunir em livro junto com outros gêneros minimalistas. Veja:

SOLIDÃO

Contemplo a lua:
ilusões, talvez clarões
de saudade tua.
(José de Castro) 

5. O que é Poetrix e em que se diferencia do Haicai? Cite alguns exemplos.

JC: O poetrix é um gênero de terceto genuinamente brasileiro, mais especificamente baiano, criado há uns 12 anos por Goulart Gomes. Inclusive existe um Movimento Internacional Poetrix - MIP, do qual a poetrixta  Gilvania Machado (organizadora dos livros Fagulhas Poéticas I e II e do livro autoral Rendas & Fendas) é representante desse movimento aqui no estado do RN. O poetrix difere do haicai nos seguintes aspectos: 1) pode e deve ter título sempre; 2) pode tratar de qualquer tema; 3) tem liberdade de usar rima; 4) pode ter até 30 sílabas métricas no total, sem especificação de quantidades por verso. Portanto, o poetrix confere muito mais liberdade de criação.

Veja alguns exemplos de poetrix da minha lavra, que estão no livro 501 Poetrix para Ler antes do Amanhecer, edição comemorativa aos 10 anos do Movimento Internacional Poetrix.

CONTRASTES  

Noite vazia,
lua  fina,
maré cheia.
(José de Castro)

SUTILMENTE 

Na tua orelha,
de sussurros
brinco.
(José de Castro)

POETRIX ANALFABETO

A
B
Ç
(José de Castro)

Talvez este terceiro poetrix seja um dos menores do mundo, pois observe que cada verso contém uma só letra...

6. Dentre as espécies de poemas que compõe, temos ainda  Palavratrix e um outro gênero brasileiro, Aldravias. Caracterize-os e ilustre-os com alguns exemplos.

JC: Palavratrix é uma derivação do poetrix em que o poeta tem que desdobrar uma palavra em três outras e agregar-lhe um título que estabeleça uma nova estrutura de significação.

Veja um exemplo de Palavratrix que criei:

LÁGRIMA
de
pura
dor
(José de Castro)

ÀS VEZES
amor
tece
dor
(José de Castro)

Quanto ao gênero ALDRAVIA, este também é uma criação genuinamente brasileira. Só que desta feita, uma criação de poetas lá de Mariana/MG (Gabriel Bicalho, Andreia Donadon-Leal, dentre outros). Tem quase a mesma idade do poetrix. Existe uma Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas – SBPA, da qual faço parte, tendo participado de três antologias de poetas aldravianistas.
A aldravia é um poema de seis versos, sendo cada um deles univocabular. Ou seja, cada verso tem que ter apenas UMA PALAVRA.  É, portanto, um poema com estrofes de seis versos. Não existe preocupação com título, nem com métrica e nem com rima (pode existir rima e pode ser metrificado, na opção do poeta).
Veja duas aldravias que publiquei, dentre outras, na obra O Livro III das Aldravias (ed. Aldrava Letras e Artes – Mariana – MG, 2015)

1.
pisca
pisca
solidão
vaga
lume
coração

2.
asas
tortas
outono
voa
folhas
mortas

7. Que é poesia, poeta?

JC: Poesia é tudo aquilo que tem o compromisso com o sentimento, com a beleza e com a emoção. Em tudo existe poesia, não só no poema. O poema é uma das formas de se fazer poesia, pois ela pode existir em outras artes: pictóricas, figurativas, tridimensionais, como a escultura e a arquitetura, por exemplo. O poema é a forma mais conhecida de se evidenciar a poesia e, às vezes, ambos são tratados como se fossem a mesma coisa. O poema é a poesia inaugurada sob a forma de palavras.

8. Quais livros já publicou? Fale um pouco de cada um.

JC: Tenho sete livros infantojuvenis publicados. Lancei-me na literatura infantil com o livro A MARRECA DE REBECA (Paulus/SP, 2002), que traz poemas sobre animais, insetos, aves. O livro foi ilustrado pelo artista plástico Eliardo França. Hoje, este livro está em nova edição pela editora Bagaço/Recife, ilustrado por Eduardo Souza.  Um livro que, há quatorze anos, vem sendo reimpresso e sendo adotado em várias escolas, tanto aqui no Rio Grande do Norte quanto em outros estados da federação.

Em seguida, em 2003, publiquei um livro de humor para adultos,  QUEM BRINCA EM SERVIÇO,   pelo Sebo Vermelho, do Abimael Silva. Este livro é uma coletânea de máximas de humor fruto da época em que eu era colunista de humor no Agora, de São José dos Campos. Agreguei outros gêneros de humor neste livro que pretendo reeditar, com retirada e acréscimos de textos. Esta obra, como já falei, teve orelha do escritor e poeta Alex Nascimento, prefácio do escritor e poeta Nei Leandro de Castro e foi ilustrada pelo chargista Ivan Cabral.

Meu segundo livro infantil foi O MUNDO EM MINHAS MÃOS, pela editora Bagaço/Recife, 2005.  É um livro de poema que fala sobre os cuidados que devemos ter com o Planeta Terra. E lança um desafio aos leitores mirins: o que você faria se tivesse o mundo em suas mãos? Este livro vem sendo adotado em muitas escolas e tem tido releituras muito interessantes por parte dos alunos.

Em 2007, lancei o livro POEMARES, pela editora Dimensão de Belo Horizonte, ilustrado por Flavio Fargas. É um livro de poemas sobre animais. Ele foi selecionado pelo MEC para constar do Programa Nacional de Biblioteca da Escola, com uma tiragem de 32 mil exemplares, chegando à maior parte das bibliotecas das escolas públicas do Brasil.

Ainda no mesmo ano de 2007, publiquei pela Paulinas/SP, o livro A COZINHA DA MARIA FARINHA, ilustrado por Elma Neves (irmã do ilustrador André Neves). Este livro é um resgate de algumas das minhas memórias culinárias de criança, quando ajudava minha mãe lá em Minas. Imaginei a Maria Farinha com sua cozinha mágica, misturando pratos do sudeste, do sul e do nordeste.

No ano de 2012 publiquei o livro POETRIX, pela editora Dimensão de Belo Horizonte, destinado ao público adolescente, ilustrado pela mineira Santuzza. Esta obra foi também selecionada pelo MEC para participar do Programa Nacional Biblioteca da Escola – PNBE, com tiragem de 30 mil exemplares, também chegando à rede de bibliotecas escolares de todo o país.

Neste mesmo ano de 2012 lancei o livro DICIONÁRIO ENGRAÇADO – REFLEXÕES DE UM ADOLESCENTE, pela editora Paulinas/SP, com ilustrações de Roberto Negreiros. A personagem central é um adolescente que brinca de ressignificar as palavras.  Por exemplo: Vaca = Animal que, quando não dá mais leite, vira bife.

No ano de 2015, lancei três livros. POEMAS BRINCANTES, pela CJA Edições/Natal, do meu amigo editor Cleudivan Jânio, ilustrado por Alexandre Souza. Este livro faz um resgate de brinquedos e brincadeiras de rua, como pula-corda, bambolê, roladeira, brincadeiras de roda, dentre outros.

Os dois outros livros lançados foram  de poemas dedicados ao público adulto. O primeiro deles foi o APENAS PALAVRAS, uma coletânea de poemas de épocas diferenciadas, que agrupei em cinco temáticas: o eu poético, o eu feminino, o eu lírico, o eu filosófico e o eu navegante. Este livro vem tendo grande aceitação também perante o público juvenil.

O outro livro lançado em 2015 foi o QUANDO CHOVER ESTRELAS, pela editora Jovens Escribas, do Carlos Fialho, de Natal. Este livro foi dedicado ao poeta Paulo Leminski. É uma linha de poemas mais experimental que brinca com as palavras. Da mesma forma que o Apenas Palavras, este livro vem tendo excelente aceitação por parte do público mais jovem.

Além destes livros, tive participação em muitas antologias poéticas, inclusive várias de poetrix e algumas de aldravias e outras de versos com gêneros variados. Participei de seis antologias da SPVA/RN, três antologias de poetrix e três antologias de aldravias. E participei de outras coletâneas, como, por exemplo Mil Poemas para Gonçalves Dias e Poetas Del Mundo, vol. I.

Além disso, organizei para a União Brasileira de Escritores – UBE/RN, da qual faço parte do conselho consultivo, a COLETÂNEA DE POEMAS – UBE/2015, reunindo grande parte do que há de melhor na poesia potiguar contemporânea.

Participei, também da produção de dois livros para a Comunique Editora, dos jornalistas Rilder Medeiros e Osny Damásio. Um de educação para o trânsito, do poeta cordelista Hernani Duarte , intitulado NÃO ATROPELE A VIDA  e outro também de cordel, de autoria do poeta Manoel Cavalcante, que traz o título de DORINHA, A PEQUENA GIGANTE – A MENINA QUE VENCEU O BUYLING. 

9. Decerto tem muitos sonhos a realizar. Fale de seus projetos.

JC: Estou organizando alguns novos livros, de gêneros variados. Neste ano de 2016 existem possibilidades reais de lançar novos livros que já estão nas editoras CJA/Natal, Bagaço/Recife e Dimensão/BH. Inclusive, a Bagaço está me prometendo uma reedição do livro O MUNDO EM MINHAS MÃOS em novo formato, com outro ilustrador. A CJA está com dois originais meus, sendo um de humor para adolescentes que é o DESDITOS POPULARES e o PASSARADA (poemas infantis), ambos em fase de negociação. A editora Dimensão está prometendo até o final do ano a edição meu livro VACA AMARELA PULOU A JANELA, de reinvenção de parlendas. Deverá ser ilustrado pela premiadíssima artista plástica, escritora e ilustradora Mariângela Haddad.

Tenho também a  intenção de conseguir tempo para organizar um livro de poemas minimalistas, com poetrix, haicai e aldravias, além de um livro de prosa-poética, um de contos e outro de poemas para adultos. São muitos projetos e pouco tempo para concretizá-los, pois existe muita solicitação de visitas a escolas e também para ministrar oficinas literárias. Como sou apaixonado por tudo isso, acabo me envolvendo em muitas atividades dessa natureza.

10. Que livros e filmes nos indicaria? Se tivesse que escolher apenas um poema, qual seria este? 

JC: Essa é uma pergunta bem difícil. Vamos tentar peneirar, dentre tantos livros e filmes que me encantaram alguns que eu posso destacar, por uma ou outra razão fortuita.

Livros de autores nacionais: Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa; O olho de vidro do meu avô, de Bartolomeu Campos de Queirós; 23 histórias de um viajante, de Marina Colasanti.

Livros de autores estrangeiros: Cem anos de solidão, de Gabriel García Marquez; Terra sonâmbula, de Mia Couto; Pedro Páramo, de Juan Rulfo; Os nossos antepassados, de Ítalo Calvino; Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes.  

Poetas Nacionais: Paulo Leminski, Manoel de Barros, Adélia Prado, Mário Quintana, Cecília Meireles, dentre outros. Drummond é hours concours.

Filme: “A hora e a vez de Augusto Matraga” (Roberto Santos, 1966); “Era uma vez no Oeste” (Sergio Leone, 1968); Antes do amanhecer (Richard Linklater, 1995).

Gosto de Neruda e de Pound. Mas um dos poemas que mais me fascina é de um poeta romeno, Mihail Eminescu (1850-1889) e se chama “Glosa”. É um poema filosófico sobre as vicissitudes da vida. Vejam:

GLOSA
I
Tempo passa, tempo vem,
Tudo é velho e novo é tudo;
Sobre o mal e sobre o bem,
Interroga-te e medita;
Nada esperes, nem receies;
Como as ondas, passa a onda;
Se te incitam, se te chamam,
Insensível fica a tudo.

II
Muita coisa ante nós passa,
Nós ouvimos muita coisa;
Quem se lembra disso tudo
E a escutá-lo ficaria?
Tu, recolhe-te a um canto,
Encontrando-te a ti próprio,
Quando com ruídos vãos,
Tempo passa, tempo vem.

III
Nem se incline a fria agulha
Da balança do pensar
Para o instante que se muda
Em ventura mascarada,
Que da própria morte nasce
E talvez se esvai num ápice;
Para aquele que conhece,
Tudo é velho e novo é tudo.

IV
Como espectador no teatro,
Imagina-te no mundo:
Mesmo que um faça de quatro,
O seu rosto reconheces;
Se discuteem ou se choram,
Tu desfruta-os do teu canto,
Dessas manhas refletindo
Sobre o mal e sobre o bem.

V
O futuro e o passado
São da folha a mesma página;
Vê o fim desde o princípio
Quem aprende a conhecê-los;
O que foi e o que será
No presente possuímos;
Mas quanto à sua vaidade,
Interroga-te e medita.

VI
Porque tudo quanto existe
Se submete às mesmas leis;
Há milênios e milênios
É o mundo alegre e triste,
Outras máscaras e bocas,
Mesma peça e mesma voz
Tantas vezes enganado,
Nada esperes, nem receies.

VII
Nada esperes, vendo os míseros
Pelo êxito a lutarem;
Perderás com esses tolos,
Apesar do teu engenho.
Não receies, pois entre eles
Tentarão prejudicar-se;
Não procures acompanhá-los,
Como as ondas, passa a onda.

VIII
Como um canto de sereia,
Lança o mundo as suas redes;
Quando muda atores em cena
Larga nuvens de poeira;
Tu, então, passa de lado,
Nem sequer dês atenção;
Não desvies o teu caminho
Se te incitam, se te chamam.

IX
Se te mexem, tu afasta-te,
Se difamam, nada digas;
De que serve o teu conselho,
Se bem sabes quanto valem?
Digam eles o que disserem,
Passe quem passar no mundo,
Para não gostares de nada,
Insensível fica a tudo.

X
Insensível fica a tudo,
Se te incitam, se te chamam,
Como as ondas, passa a onda;
Nada esperas, nem receias;
Interroga-te e medita;
Sobre o mal e sobre o bem,
Tudo é velho e novo é tudo;
Tempo passa, tempo vem.
(MIHAIL EMINESCU)

Observem que a estrofe X é o inverso da I, lida de baixo para cima, lida ao contrário. Observem também que a partir da estrofe II,  cada uma das estrofes se encerra  com um dos versos da estrofe I. Ou seja, ele lançou um mote na estrofe I, e vai glosando-a ao longo do poema.  Daí o nome GLOSA.

Para mim é um dos poemas mais belos e de maior profundidade que já vi. Muito bem construído e tem um conteúdo filosófico do mais alto nível. Não é à toa que Mihail Eminescu foi considerado um dos maiores poetas da Romênia.

11. Deixe-nos, junto com as palavras finais, seus contatos pessoais, meios de adquirir suas obras e mais alguns textos de sua autoria.

Para encerrar esta entrevista, gostaria de dizer que hoje faço parte da Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte – SPVA/RN, sendo um dos pioneiros desta sociedade, tendo participado de seis dentre suas sete antologias poéticas.

Faço parte também do conselho consultivo da União Brasileira de Escritores – UBE/RN.

Sou membro da Sociedade Brasileira de Poetas Aldravianistas – SBPA (Mariana/MG), além de ser membro correspondente da Academia de Letras, Artes e Ciências Brasil – ALACIB – Mariana/MG, ocupando a cadeira 28, representando Parnamirim/RN.

No ano de 2015 fui agraciado com o título honorífico de Cidadão Natalense.

Recebi diploma de Cônsul Poeta Del Mundo de Parnamirim, concedido pelo Movimento Poetas del Mundo.

Sou patrono de uma sala de aula na Escola Municipal Erivan França, da Zona Norte de Natal.

Sou também patrono de uma biblioteca na Escola Municipal professora Jacira Medeiros, de Parnamirim/RN, a Biblioteca José de Castro, que vai completar 02 anos de existência, agora no dia 30 de setembro de 2016.

Importante dizer que mantenho uma fanpage no facebook no seguinte link: https://www.facebook.com/Poemas-Prosas-Veredas-de-mim-155321637965770/

Tenho também textos publicados no Recanto das Letras. http://www.recantodasletras.com.br/autores/josedecastro

Neste endereço tenho quase 2.300 textos, com quase 700 mil acessos.
Meus livros podem ser encontrados na Livraria Nobel Salgado Filho, na Livraria Paulinas, na Cooperativa Cultural Universitária (Campus da UFRN).

Venho colaborando regularmente com o jornal “O Galo” (que foi retomado pela UBE/RN e pela FJA/RN), com a revista da Academia Norte-rio-grandense de Letras, com a revista cultural Kukukaya,  organizada pelo escritor Alfredo Neves, com o Blog do Marcelo Abdon e com o blog Substantivo Plural, de Tácito Costa e Sérgio Villar.

Estou referenciado como autor potiguar em duas importantes obras:
Dicionário de escritores norte-rio-grandenses: de Nísia Floresta à contemporaneidade. Natal: EDUnP, 2014, de autoria da escritora, professora e pesquisadora Conceição Flores. (p. 200)
Impressões Digitais – escritores potiguares contemporâneos, vol I. Natal: Offset, 2013, de autoria do escritor e pesquisador Thiago Gonzaga (p. 99)

Tenho uma peça teatral inédita em livro (ÓPERA DOS GATOS), que já foi encenada durante 4 dias no auditório do Colégio das Neves, por uma equipe de professores e alunos daquela escola. É uma comédia musical infantojuvenil.

Vez por outra faço trabalhos de revisão de livros, principalmente a convite das editoras Sarau das Letras, CJA Edições e de autores que publicam suas obras de forma independente. Dentre vários livros revisados, posso destacar o PIPA VOADA SOBRE BRANCAS DUNAS, do autor Junior Dalberto, CORAÇÃO DE PEDRA, de Damião Gomes, CARTAS DE SALAMANCA e CASA DAS LÂMPADAS, de David Medeiros Leite; O MENINO DAS CORES, de Clemilson Sena; DORINHA, A PEQUENA GIGANTE, de Manoel Cavalcante; A LENDA DO DRAGÃO DOURADO, de Gisele Borba; MATRYOSHKA, de K.L.Diógenes; ACÁCI, MUNDO 17, de Gustavo Diógenes; ANCORADOUROS, do poeta Kiko Alves; LUTO DOCE, da poeta Tatiana Morais; dentre tantos outros livros.

Da mesma forma, venho sendo muito solicitado para prefaciar obras e escrever orelhas de livros de muitos autores locais, bem como textos para contracapas.

Finalmente, tenho tido a alegria e a honra de participar de muitas feiras literárias e encontros de leitura aqui no estado. Posso destacar: FLIPIPA, FLIq (Natal/RN), Feira Literária de Água Nova/RN, FLIGARG (Acari/RN), Feira Literária de Nísia Floresta, Feira Literária de Natal – FLIN e dos Seminários de Educação e Leitura – SEL, organizados pela professora e doutora Marly Amarilha, além de ter participado de várias edições do Seminário Potiguar Prazer em Ler (Natal/RN), que neste ano comemora 10 anos de existência. Sempre participei do Prazr em Ler ora como palestrante, ora como coordenador de mesa, ora ministrando oficinas e lançando livros.

Tive a satisfação, também de participar do Grupo de Trabalho – GT, nomeado pela Prefeitura Municipal de Natal, como voluntário, representando a União Brasileira de Escritores – UBE/RN, encarregado de elaborar o Plano Municipal do Livro, da Leitura, da Literatura e das Bibliotecas de Natal. O PMLLLB (ou o Plano dos 3 L), está em fase de alocação de recursos e irá para audiência pública na Câmara dos Vereadores para virar Lei ainda neste ano de 2016.  Nele estão previstas ações de curto, médio e longo prazo para se incrementar a leitura na cidade do Natal, inclusive existe a previsão de criação e instalação de quatro bibliotecas municipais, uma em cada região administrativa da cidade. O slogan criado é bem significativo: NATAL QUER LER MAIS. E, claro, em qualquer tempo, sempre Natal haverá de querer ler mais,  pois o direito ao livro e à leitura é um dos direitos básicos essenciais a qualquer cidadão.

Uma das grandes alegrias também que tenho hoje é a de poder integrar a Caravana de Escritores Potiguares, projeto idealizado e coordenado pelo escritor e pesquisador de literatura potiguar, Thiago Gonzaga. Junto com vários autores, viajamos pelo Estado visitando escolas e institutos federais de educação, sempre levando livros e incentivando o trabalho de leitura e escrita na busca de fazer do Rio Grande do Norte um estado de leitores.

Como já falei, tenho vários projetos literários em andamento, com a previsão de lançamento, ainda em 2016, de alguns livros para o público infantojuvenil.

Ainda acalento a vontade de me dedicar um pouco mais à prosa, principalmente a prosa poética. Tenho vários  textos escritos em fase de organização. E, com certeza, publicarei novos livros infantis e infantojuvenis, sem me esquecer de poemas para “gente grande”.

Afinal, a poesia é a linguagem dos deuses. E, como sempre digo: “É preciso a mão do poeta para reinventar o mundo.”

E, para encerrar, um poema meu, ainda inédito, que aprecio muito.


     UM DIA SEREI POETA

Um dia fui professor.
Qualquer dia serei poeta.
E, quanto mais poeta, mais aprendiz eu serei.
E sendo aprendiz, voltarei a ser professor.
Pois o professor,
quanto mais pensa que ensina,
mais se percebe ignorante de tudo.
E o poeta,
não sabendo de nada, desconfia de tudo.
Ignorância é coisa boa,
que nos faz ir em frente, duvidar e perguntar.

Poeta é o ser das incertezas.
Quando o poeta não sabe a resposta, ousa inventar.
Tudo o que o poeta desconhece ele faz de conta.
Alimenta-se de sonhos e mistério, o poeta.

Um dia não serei mais poeta.
Mas a poesia há de continuar sendo.
Porque a poesia é tudo aquilo
que tem a beleza de permanecer.

Eu poeta, efêmero me confesso.
Risco o céu sem deixar traço.
O infinito é ave sem ninho.
Feito andorinha, passo.

(José de Castro) 

http://www.recantosdasletras.com.br/autores/josedecastro






Entrevista em versos com José Acaci Rodrigues

ENTREVISTA COM O POETA E PROSADOR JOSÉ DE CASTRO





ENTREVISTA COM WILARD MONTEIRO E OUTROS ARTISTAS POTIGUARES

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RENATO SILVA: SANTACRUZENSE, POTIGUAR E CIDADÃO DO MUNDO

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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

DICA ELEITORAL - Gilberto Cardoso dos Santos


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terça-feira, 23 de agosto de 2016

A CULPA É DO ELEITOR - Adriano Bezerra


A CULPA É DO ELEITOR

Acho ser contradição
Do eleitor que mete o pau!
No político desonesto 
Xingando e falando mal,
Mas quando o sujeito bota
No seu voto, qualquer nota
Já muda o conceitual.

Responda: com que moral
Depois vai poder falar?
Se o seu voto foi vendido
Não tem mais o que cobrar
Mesmo que sofra um bocado
É melhor ficar calado
Não tem do que reclamar.

Por isso para votar
É melhor tomar ciência
De quem é seu candidato
Não vote com inocência
Jamais negocie seu voto
Não vote só pela foto
Só vote com consciência.

Não pense em conveniência
Pense na população
Vote em quem tem ficha limpa
Se não a corrupção
Que você tanto faz crítica
Não será só da política
Mas também, do cidadão.

Adriano Bezerra

23/08/16

sábado, 20 de agosto de 2016

“O POVO SE VENDE FÁCIL” (Gilberto Cardoso dos Santos)


“O POVO SE VENDE FÁCIL” (Gilberto Cardoso dos Santos)

Um vendedor de bananas perguntou à freguesa: "Foi ontem pra o comício?"
A mulher fez  cara de nojo e disse: "Eu mesmo não. Deus me livre de sair de casa pra ir atrás dessas pestes!"
O vendedor riu e prosseguiu em sua curiosidade: "Por que essa raiva toda, minha amiga? Tem que ir pra ouvir as propostas! Como é que você vai escolher?"
Ela pôs as mãos na cintura, fez um muxoxo e replicou simulando indignação:
"Propostas, que propostas? Louco é quem confia nesta cambada de mentirosos. São uns ladrões!"
Duas pessoas próximas deram sinais de concordar com o que ela dizia. Eu também assenti com um "hum hum" e comecei a prestar atenção na fala da mulher; imaginei que estava à frente duma pessoa politicamente esclarecida. Mas o feirante insistiu em querer saber o real motivo daquela raiva toda e a mulher esclareceu:
"São uns safados. A gente vai pedir as coisas e eles dizem que não podem dar porque a
fiscalização está rigorosa demais. Dizem também que não receberam recursos. Então que se lasquem todos!"
Claramente, para minha decepção, faltava consciência política naquela mulher, aparentemente enceguecida por seus próprios interesses. Infelizmente, não tinha o perfil que eu esperava; era representante de um grupo numeroso, manifestou um modo de pensar que é regra, não exceção. Temi pelos resultados da eleição que temos à frente. Será que mais uma vez deliberada e ingenuamente erraremos em nossas escolhas?
Como bem disse Rubem Alves, "É o povo que escolhe, como seus líderes, de forma democrática, os bandidos, criminosos e corruptos. E que não me digam que o faz por ignorância. O povo se vende fácil."
Enquanto houver uma maioria que raciocina como aquela mulher - que se vende fácil - será difícil evoluirmos para uma sociedade justa e equilibrada.


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